Bem Estar

E o que nossos velhinhos precisam é de amor…

12 de maio de 2016

por Observadora

É incrível perceber como algumas culturas são tão diferentes e com valores morais tão distintos. O Japão e a China, por exemplo, têm como tradição cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, como resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito. Antes de qualquer decisão os japoneses consultam seus anciãos porque consideram seus conselhos sábios e experientes. Confúcio, filósofo chinês (551-479 a. C.) já apregoava que as famílias deveriam obedecer e respeitar o idoso. O que demonstra o quanto é antiga essa valorosa tradição.

Já em outros países como no Brasil não se promove a inclusão social do idoso nem o sentido da sua existência, respeitando e valorizando suas histórias de vida. Aqui a situação, infelizmente, é bem outra! Muitas vezes são abandonados em asilos pelos próprios filhos. Estima-se que no Brasil existam 20milhões de idosos e 83 mil deles vivem em casas de acolhimento.

Alguns filhos, por não terem condições de cuidar dos seus pais, decidem levá-los para esses abrigos. Muitos o fazem com o coração partido, por falta de opção. Outros por não gostarem de lidar com pessoas idosas e com tudo que isso envolve, decidem deixá-los em abrigos, livrando-se do que consideram um problema. Afinal, eles repetem as mesmas histórias, derramam alimentos no chão, precisam que mudem suas fraldas e lhes deem banho… Quando chega a hora dos papéis se inverterem, muitos se esquecem de exercer com alegria a gratidão devida aos pais. Há casos, porém, em que eles mesmos optam por morar nessas instituições porque não querem interferir na rotina dos seus filhos. Muitos percebem a intolerância por parte das noras e genros e, assim, preferem viver sozinhos, mesmo sofrendo com a ausência da família.

Os motivos são os mais variados, mas, contudo, o mais agravante nisso tudo não é o fato de colocá-los nesses abrigos. O problema é quando são esquecidos pelos filhos que não os visitam e não têm a mínima consideração por quem lhes deu tanto. São esquecidos mesmo em datas especiais e tão exploradas pela mídia. Não têm tempo pra isso! A vida atribulada, o trabalho, os filhos… Não sobra tempo para uma visitinha por mais rápida que seja! Alguns desses idosos sucumbem diante da saudade e solidão e desistem de viver, entregando-se à depressão. Outros vivem das suas vagas lembranças, do amor que tiveram um dia…

É lógico que os que mais sofrem são os pobres, que não têm muitas escolhas e não poderão viver o restinho das suas vidas de maneira digna e confortável. Muitas vezes lhes faltam uma boa alimentação, remédios e a atenção que merecem. E o mais importante: o amor dos filhos. Os que possuem uma melhor situação financeira podem escolher uma clínica geriátrica com mais conforto, boa alimentação, serviços médicos especializados, exercícios físicos, fisioterapia, atividades lúdicas e danças. Vivem com mais dignidade, mas nem sempre com amor, pois também são vítimas da solidão e do abandono.

Será que não sobra nesses filhos nenhum sentimento por quem lhe deu tanto amor e dedicação? Perder essa convivência com a família é o que mais entristece o idoso. Dói no coração ver esses velhinhos esperando por um filho que nunca vem, pelos netos que nem viram crescer e, talvez, nem saibam que existam. Dói ver a lágrima de saudade, de tristeza, pois mesmo com conforto e cuidados especiais, se não tiverem o amor da família, também se retraem, se entregam, se deprimem e morrem mais rapidamente.

Nessas clínicas, nesses abrigos, é comum ver velhinhos solitários, reservados em seus cantinhos, sofrendo com uma solidão que advém da indiferença dos filhos que não lembram que um dia eles lhes tiveram um amor imensurável. E que belo exemplo eles dão para os seus filhos! Não poderão se queixar se um dia tiverem o mesmo destino…

É certo que há exceções! Graças a Deus que elas existem, porque o mundo não poderia ser tão cruel com tantos idosos desamparados de amor.

Isso me faz lembrar a história de Clóvis, um senhorzinho de 84 anos, solteiro, que dedicou sua vida para cuidar da família. Sua única irmã morreu de câncer aos 44 anos, seu pai se foi logo depois, vítima de infarte. Só lhe restou a mãe de quem cuidou com carinho até os 94 anos, quando ela também se foi.

Ele, apesar das dificuldades, nunca aceitou sair de casa. Possuía uma empregada, que longe de cuidar dele, ainda levava muito do pouco que recebia da aposentadoria e dos primos que se sensibilizavam com sua situação. Mas, ele insistia em mantê-la, porque lhe tinha afeição, muito embora sua situação fosse complicada, pois não se alimentava adequadamente e levava constantes quedas… Até que depois de uma que poderia ter sido fatal, foi levado para uma clínica geriátrica, pelo primo que sempre o ajudou. Relutou a princípio, mas depois percebeu que era o melhor, pois lá recebe atenção e os cuidados que precisa.

O que ganha não seria suficiente para arcar com suas despesas, pois a clínica custa caro, mas o seu primo que se tornou seu anjo da guarda completa suas despesas e ainda ajuda com produtos de higiene pessoal e com lanchinhos que sempre leva quando vai visitá-lo, pelo menos duas vezes por semana. Nos finais de semana, ele o leva para casa para desfrutar um pouco do carinho de uma verdadeira família e, assim, se sentir menos solitário.

Como seria bom se muitos desses filhos que abandonam seus pais pudessem aprender com esse primo o que é solidariedade, o que é dar atenção pelo simples fato de querer ajudar. Parabéns, Júnior! Você é um homem de bom coração e, nossa mãe, com certeza, tem muito orgulho de você.

Josilene Corrêa  é jornalista e já escreveu para o OF artigos como Depois dos “enta”…

Imagem: Flora Pimentel / Reprodução

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