Bem Estar

Depressão pós-parto atinge homens e mulheres

7 de março de 2017

por Observadora

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De acordo com os especialistas, a depressão pós-parto é uma combinação de fatores hormonais, ambientais, psicológicos e genéticos, e atinge de 15 a 20% de mulheres parturientes. Estes são alguns dos sinais podem indicar que a mulher está com esse problema: tristeza constante, sensação de culpa e responsabilidade por tudo, irritabilidade e falta de paciência, vontade de chorar o tempo todo, exaustão constante, enorme ansiedade em relação ao bebê, sensação de que o bebê é um estranho e não seu filho, vontade de fugir, sumir.

É claro que muitos desses sinais são frequentes nas mães, assim que seus bebês nascem, sem que, com isso, estejam com depressão pós-parto. Afinal, é um mundo de emoções novas e trabalhos ininterruptos, além de pouco tempo para dormir. A mãe não para, tem que cuidar da higiene do bebê, amamentar, botar pra arrotar, e quando finalmente ele dorme, tem mil outras coisas pra fazer: lavar suas roupinhas, cuidar da casa e se não tiver quem ajude, é um Deus nos acuda, pois precisa fazer almoço, lavar roupa, enfim, fazer tudo o que uma dona de casa faz normalmente.

Não é nada fácil ser mãe, mas não se assuste, também é muito prazeroso ter um bebezinho  nos braços e vê-lo a cada dia se desenvolvendo um pouquinho mais. Ver seu sorriso cheio de amor é maravilhoso e nos faz esquecer de todo o resto. Porém, não dá pra negar que é cansativo e muito desgastante, mas a maioria das mulheres aos poucos vai se adaptando à nova situação. Você só precisa ficar atenta caso se sinta extremamente cansada, desanimada, desconcentrada, sem paciência por um longo período. Aí é bom procurar ajuda. Inicialmente procure o obstetra que a acompanhou durante a gravidez. Ele, certamente, a encaminhará a um psicólogo ou psiquiatra, caso perceba que está precisando.

A depressão pós-parto, geralmente ocorre quatro a seis semanas após o parto, mas isso não é regra, pode acontecer mesmo depois de meses, principalmente, se tiver tido depressão durante a gravidez, se tiver problemas de saúde com o bebê, se não conseguir amamentar, se tiver dificuldades financeiras, se não tiver o parceiro por perto ou mesmo alguém da família para dar apoio. Essa doença acontece num momento que deveria ser precioso para os pais, mas que pode trazer um sentimento de fracasso, tristeza e vazio. Por isso, não se intimide em procurar ajuda. Faça isso por amor a seu filho e a você mesma. Muitas vezes só a terapia basta, mas  em outros casos mais sérios será necessário o uso de antidepressivos para melhorar o seu humor e qualidade de vida. Existem remédios que são compatíveis com o aleitamento materno e o médico, com certeza, saberá prescrevê-los.

Procure se exercitar, mesmo que não sinta vontade de fazê-lo. Uma caminhada lhe trará muitos benefícios. Tome banhos relaxantes e, se possível, tire uma soneca durante o dia, mesmo que isso atrase um pouco as tarefas domésticas. Lembre-se de que o que está em jogo é a sua saúde física e mental. Procure conversar com outras mães e descubra que você não é a única a enfrentar essa situação. Peça ajuda ao seu marido e aos familiares para que colaborem nas tarefas domésticas, não deixe que um momento que deveria ser de tanta alegria lhe traga tantas turbulências.

Nos casos mais críticos pode ocorrer a ideia de suicídio, havendo também o risco de infanticídio, o que, felizmente, é raro. A frequência de suicídio é de 2% nos primeiros seis meses pós-parto. Isso me faz lembrar um caso que ocorreu há muitos anos, quando uma vizinha de apartamento, um mês depois que o filho nasceu deu um tiro na cabeça. Foi horrível! Fomos os primeiros a ver a cena, já que o marido desesperado nos pediu ajuda. Era madrugada quando ela deu fim a vida e foi com muito sacrifício que conseguimos segurá-lo, pois ele queria fazer o mesmo. Não tínhamos conhecimento de que antes ela tivesse problemas de depressão, mas a família depois nos confirmou esse fato. Fiquei com o bebê até que as coisas se acalmassem e a polícia chegasse ao local para fazer a perícia. Por sinal, tivemos que prestar depoimento, pois a princípio o marido era suspeito. Foi uma situação difícil e que me marcou bastante! Provavelmente não teria chegado a esse extremo se ela tivesse pedido ajuda, pois depois ficamos sabendo que o que a afligia era o fato de ter que voltar ao trabalho e deixar o bebê! A doença não permitiu que enxergasse o óbvio, afinal, ao cometer o suicídio, seu filho ficou sem a mãe para sempre.

Os homens também sofrem com depressão pós-parto

Segundo dados mundiais apresentados no Congresso Brasileiro de Psiquiatria realizado em Florianópolis, um em cada dez pais de recém-nascidos também desenvolve o quadro, atingindo, principalmente, os que são pais pela primeira vez. Geralmente devido o aumento  de responsabilidades financeiras para dar uma boa vida à família e suporte emocional à mulher. Eles acham que ninguém liga pra eles e ficam com a autoestima prejudicada. Com isso, surgem os sentimentos de tristeza e pensamentos negativos, falta de vontade de conviver com os outros, ansiedade e falta de atenção, fadiga, forte sentimento de fracasso,  irritabilidade e impaciência. Na verdade, não há regras rígidas de diagnósticos. E os homens sempre querem parecer fortes e no controle das suas emoções, evitando falar o que sentem. Daí, o que deve ser levado em conta é a mudança perceptível de humor e a presença de sentimentos negativos e persistentes. E da mesma forma que as mulheres, se esses sintomas persistirem, devem procurar ajuda médica psicológica ou psiquiátrica. Se não forem tratados adequadamente, os sintomas podem durar um ano ou mais. Portanto, não vacile! A depressão pode fazer seu mundo ficar acinzentado por algum tempo, mas cabe a você buscar ajuda pra que ele volte a ser colorido e cheio de alegria como deve ser!

Josilene Corrêa é jornalista.

 

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