Cultura

Buddy Holly, o ídolo lendário dos Beatles, de Bob Dylan e dos Rolling Stones

6 de maio de 2014

por Observador

A música morreu há 55 anos. Na primeira hora do dia 3 de fevereiro de 1959, um avião caía perto de Clear Lake, Iowa, matando seu piloto e os três passageiros: The Big Bopper, cantor que subia nas paradas com a música Chantilly Lace; Ritchie Valens, do sucesso La Bamba; e Buddy Holly.

Muito embora os brasileiros que assistiam às Sessões da Tarde nos anos 80 e 90 conheçam a história por causa do filme La Bamba, com Lou Diamond Phillips no papel de Valens, o maior astro no avião era mesmo Buddy Holly. Ainda criança, Buddy aprendeu a tocar violão e banjo com os irmãos mais velhos; já adolescente, formou uma dupla de bluegrass que percorria os clubes e colégios de sua cidade natal, Lubbock; e após ver uma apresentação de Elvis Presley, resolveu incorporar o estilo rockabilly, que rendeu a Holly um contrato com a Decca Records no ano seguinte. O cantor formou sua própria banda, batizada de The Crickets, e gravou 3 álbuns entre 57 e 58, além de lançar cerca de duas dezenas de compactos.

Um ano e meio de sucesso e alguns hits nas paradas americanas e britânicas parece pouco para eternizar Buddy Holly como um dos mais importantes cantores e compositores do rock’n’roll, mas não é exagero dizer que todo artista que despontou nos anos 60 deve um pouquinho àquele rapaz de óculos grandes. Holly foi um dos primeiros artistas a compor e produzir suas próprias canções; junto com os Crickets foram pioneiros na formação “duas guitarras-baixo-bateria” que seria padrão para as bandas da década seguinte; e foram um dos primeiros grupos de brancos a tocar em teatros de bairros negros nos EUA.

Os Rolling Stones elegeram uma de suas músicas, Not Fade Away, como lado A do primeiro single da banda, em 1964; em uma entrevista à Rolling Stone em 1978, Bruce Springsteen afirmou que ouvia Buddy Holly “toda noite antes de entrar no palco; isso me ajuda a me me manter honesto”. Graham Nash (do trio Crosby, Stills & Nash), admitiu em 2009 que o nome de sua primeira banda, The Hollies, era não apenas por causa do enfeite natalino mas também pela admiração por Buddy Holly. Seu visual meio nerd influenciou outros cantores, como Roy Orbison e Elvis Costello.

Em 1998, Bob Dylan agradeceu Holly em seu discurso na cerimônia do Grammy, onde recebeu o prêmio de álbum do ano: “Quando eu tinha 16 ou 17 anos, eu fui ver Buddy Holly tocar (…) e fiquei a um metro dele… e ele olhou pra mim. E eu tenho uma sensação de que – não sei como ou por quê – ele estava conosco todo o tempo em que fazíamos esse disco”. O show que Dylan assistiu, na sua cidade natal de Duluth, aconteceu 2 noites antes da morte de Holly.

Já os Beatles nunca esconderam sua admiração por ele, gravando um cover de Words Of Love em 1964, além de terem escolhido That’ll Be The Day, outra composição de Holly, para ser a primeira música gravada pelo grupo quando ainda se chamavam The Quarrymen. A escolha de um nome de inseto para a banda (beetle, ou besouro) foi uma clara homenagem aos grilos (crickets) que acompanhavam o ídolo. Em 1971, Paul McCartney juntou as condições de fã e de milionário adquirindo os direitos de todo o catálogo de canções de Buddy Holly. Nesse mesmo ano, Don McLean, compositor norte-americano, lançou seu maior sucesso: American Pie, que reconta a tragédia e traz o verso “o dia em que a música morreu”. O termo pegou e até hoje a data é lembrada pela tragédia.

Holly tinha apenas 22 anos quando entrou naquele avião em Clear Lake. A cidade havia sido a 11ª parada da Winter Dance Party Tour, turnê que iria passar por 24 cidades em 24 dias. O inverno e as más condições dos ônibus que levavam os músicos afetaram muitas performances e fizeram com que Buddy resolvesse fretar um monomotor para a próxima parada, no estado de Minnesota. Todos estavam cansados e suas malas cheias de roupas sujas. Com o avião, Holly teria tempo para descansar antes do próximo show e mandar as roupas de todos para a lavanderia. A aeronave tinha 3 assentos de passageiros. O primeiro ficou com Holly, o segundo com Big Bopper, que sofria com uma forte gripe. Um cara ou coroa entre Ritchie Valens e o guitarrista da banda de Buddy Holly ia decidir quem ficava com a terceira e última cadeira. Valens ganhou, e o rock’n’roll perdeu os três para sempre.

Rogério Medeiros é autor do blog Minha Prateleira

Imagem: reprodução

Siga @ObsFeminino  no Twitter e curta a fanpage do Observatório Feminino no Facebook

Leia também:

Doidas e Santas
O muro colorido de Viviani Fujiwara
Mostra Brasileira de Dança traz espetáculos imperdíveis de todo país

Pesquisar

Perfil

  • Ana Karla Gomes

    Editora Chefe

  • Rose Blanc

    Relações Públicas

  • Talita Corrêa

    Editora-Assistente

  • Estevão Soares

    Colunista

Arquivo

Assine nossa news e receba tudo em primeira mão

Observatório Feminino