Cultura

Canções

5 de agosto de 2013

por Observador

Imagens: Reprodução

Por Ricardo Ayade

De repente você se vê tendo vontades estranhas, coisas que você nem imagina que pudesse querer fazer um dia, e no outro elas simplesmente não te deixam dormir. Aí você sente uma espécie de sensações igualmente estranhas, talvez porque nunca as tenha sentido antes, talvez porque elas simplesmente sejam estranhas, ou talvez porque você mesmo seja estranho!

Ultimamente ando querendo casar. E até me rio disso. Mas o fato é que ando querendo sossegar o facho!

Antigamente, muito antigamente mesmo, quando eu era quase criança, queria muito casar, ter filhos e todas essas coisas que geralmente só as meninas pensam. Mas foram tantos os caminhos que atravessaram o meu próprio caminho e que aos poucos foram se tornando meus caminhos também, que de repente tudo modou.

E agora, não menos que de repente, novamente, me vejo querendo casar. Isso não faz de mim nenhum paquerador em potencial, pelo contrário, eu me sinto mais seguro e menos afobado. Percebo que as coisas que não foram é porque simplesmente não eram pra ser. E isso não retira a parcela de responsabilidade de ninguém, não uso esse pensamento como forma de contentamento e deixar as coisas como estão. Não. Se coisas deram errado é porque algumas pessoas não acertaram. E não acertaram por diversos motivos. Desde serem imaturas e despreparadas, como serem sacanas e vis.

Claro que eu também errei muito nesses trajetos passados. Aliás trajetos que teriam tudo para serem péssimos, mas que foram muito bem passados! Eu só gosto bem passado!

Errei quando me dei sem medida. Errei quando ingenuamente acreditei em palavras escritas em poesias quase infantis. Errei quando pensei serem verdade tantos carinhos e saudades. Mas acertei ao ser essencialmente eu! E ser eu, implica em seu ingênuo, em acreditar nas pessoas, em ser verdadeiro comigo (em primeiro lugar) e com os outros. Ser eu significa não trair meus sentimentos, não jogar, não achar que os outros estão à minha disposição, tratar a todos com respeito e principalmente ter consideração pelos outros.

Ser essência minha é abraçar cada sentimento e dançar cada música tocada ou cantada ao pé do ouvido.

Aprendi que somente pessoas sensíveis têm preparo para ouvir canções ao pé do ouvido. Mesmo assim continuo compondo. Canções que cantei ao pé do ouvido e que agora serão ouvidas apenas no rádio. Essas que passaram e que agora são apenas produto do rádio, vão servir pra inspirar outros casais, iludí-los um pouco e quem sabe fazê-los amar de verdade! Esse é o meu desejo!

E que venham mais inspirações e canções e que sejam lindas muito mais que as outras. Que venham canções que sejam só nossas e que os nossos ouvidos sejam seus únicos ouvintes e que nossos corações sejam os únicos que saibam sua letra, e que somente nossos corpos dancem sua melodia!

 

 

 

Ricardo Ayade é cantor, compositor e escritor.
www.facebook.com/RicardoAyadeOficial
www.ricardoayade.com

Leia também:

Música e Cinema: a mistura que deu certo
Crítica de cinema: 'Magia ao Luar' apresenta temáticas rotineiras na carreira de Woody Allen
Top 10: as mulheres poderosas da sétima arte

Pesquisar

Perfil

  • Ana Karla Gomes

    Editora Chefe

  • Rose Blanc

    Relações Públicas

  • Talita Corrêa

    Editora-Assistente

  • Estevão Soares

    Colunista

Arquivo

Assine nossa news e receba tudo em primeira mão

Observatório Feminino