Cultura

Persépolis: uma reflexão comovente sobre a cultura islâmica

30 de setembro de 2013

por Observadora

Por Carol Maia – Imagens: Reprodução

Ela só queria depilar as pernas e ser profetisa, mas viver no Irã, em plena Revolução Islâmica, deu a pequena Marjane uma visão de mundo densa e conflituosa.

Persépolis é uma animação autobiográfica sobre a vida de Marjane Satrapi, a autora do livro em quadrinhos que originou esse fabuloso filme. Ela e Vincente Paronnaud assinam a direção do longa-metragem.

Nascida e criada no Irã, Marjane é bisneta de um imperador do país e cresce em contato direto com as tradições nada liberais do seu povo. Guiada por seus sonhos de criança, a menina deseja ter poderes proféticos para eliminar as maldades do Planeta. Entretanto, apesar das inúmeras proibições, Marjane é extrovertida. Sagaz e à frente da sua época, ela se identifica com a cultura punk, o grupo Abba e o Iron Maiden.

 

A trama é também uma ode à família. Através dos pais, desenvolve princípios políticos de esquerda que estimularam ainda mais sua natureza questionadora e inquieta. Mas há o contraponto com o exemplo progressista da sua avó, uma figura feminina destacada que, com um bom humor afiado, presenteia a neta com ricos ensinamentos morais.

Após a execução do seu tio querido, viver anos sob a opressão da ditadura islâmica, assistir a derrubada do Xá e a tomada do poder pelos fundamentalistas, em 1979, ela é exilada na Áustria para se ver livre das inúmeras retaliações contra as mulheres, inclusive a obrigação do uso do véu, e do cenário trágico da prisão de milhares de civis.

Mas apesar dos anos longe de casa, ela não se esquece das suas origens. E é no retorno ao seu país que ela vive um dilema ainda maior: a busca pelo equilíbrio entre os valores orientais e ocidentais.

Aos 24 anos, Marjane se dá conta que não há mais chances de viver no seu país e muda-se para a França, com o otimismo que nunca perdeu.

Curiosidades

Indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação, em 2008, o filme teve sua exibição censurada no Líbano. Em 2011, um grupo na Tunísia quase incendiou a sede de uma tevê local após a apresentação do longa. O integrismo religioso abordado pelo roteiro até hoje é tema quente em debates dobre o assunto.

Confira o trailer da animação:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=1yXyXvHbREk[/youtube]

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