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A reabertura do Maracanã e a despedida dos Aflitos

5 de junho de 2013

por Ana Karla Gomes

Imagens: Reprodução

Em tempos de receber grandes eventos esportivos no país, é mais que natural que só se escute a falar sobre isso. Os noticiários acompanham os preparativos das cidades anfitriãs das competições internacionais e nos deixam a par da evolução das obras envolvendo os inúmeros estádios pelo Brasil afora. E é sobre a maior casa do futebol nacional, que será palco de grandes clássicos mundiais, e o estádio do Clube Náutico Capibaribe que vamos falar hoje: o Maracanã e os Aflitos.

No último domingo, após quase três anos fechado, o Maracanã abriu as portas e se reencontrou com a torcida. No penúltimo teste antes do início da Copa das Confederações, o Brasil empatou com a Inglaterra (2 X 2), mas o público parecia estar mesmo curioso e empolgado com a reabertura do nosso templo do futebol.

Brasil X Inglaterra, na partida de reabertura do Maracanã

E mesmo depois de completar as suas mil e uma noites fechado para a construção de um novo Maraca, a obra que foi entregue parece ainda não acabada. É inegável que ele está belíssimo e que o acesso ao local funcionou.

O novo Maraca

A sinalização dos mapas em português e inglês facilitou a vida dos torcedores e a presença de carrinhos motorizados atendeu aos idosos que estiveram por lá,  fora o gramado que mais lembra um tapete, mas há falhas graves de acabamento: filas quilométricas, assentos quebrados, vidros soltos, a falta de fiscalização nas vagas específicas para a acessibilidade, sem falar em partes do entorno, que ainda está uma bagunça com fios, cones e placas anunciando que a reforma ainda não acabou.

O entorno do estádio, ainda denuncia a continuidade das obras

Porém, entre tantos erros e acertos físicos, há um outro detalhe que me intriga.

Há algum tempo atrás, estava num almoço da minha família carioca quando escutei de um dos entes a seguinte frase “O Maracanã nunca mais vai ser o mesmo”.  Ele não quis dizer no aspecto estrutural do estádio, mas sim, no sentido emblemático da coisa.

Imagino que para uma pessoa que viveu as emoções de um futebol não tão comercial, aqueles, sim, eram bons tempos. “Por mais que reformas e adaptações sejam necessárias, com tanta modernidade, o encanto se perde”, disparou o meu tio do RJ ainda naquele almoço.  Era a sua insatisfação com um gostinho de saudade. Para ele, aquele Maracanã, nunca será substituído em seu registro de memória.

O Maraca daqueles tempos

Relato a opinião do meu tio, com um sentimento parecido. Sou alvirrubra pernambucana, torço pelo Náutico, e no mesmo domingo que o Maraca abraçou a torcida brasileira novamente, o estádio Eládio de Barros Carvalho, os Aflitos, deu adeus aos seus torcedores. E por mais que não estivesse ali nessa derradeira partida (Náutico X Portuguesa), não foi difícil me transportar para lá.

Os Aflitos, da janela da minha casa

Sim, durante 16 anos aquele estádio foi o meu quintal. Durante 16 anos, acordei com gritos de técnicos e jogadores em treinos. Durante 16 anos recebi amigos que transformavam a minha casa em festa. Durante 16 anos jogos comuns viraram decisão. Durante 16 anos vivi alegrias e dores e uma relação incrivelmente forte com um clube. Talvez só esteja me dando conta disso tudo agora porque chegou a hora da despedida. 

E por mais que eu tivesse sentido um pouco de raiva e impaciência nas partidas que antecediam provas, eventos ou pautas importantes, a descontração e o barulho faziam parte do estilo de vida daquele bairro, dos moradores, que independente de time, tinham naquele clube uma referência de localização e de boa vizinhança.

Encerramos uma história linda no nosso querido Aflitos e apesar de certa resistência ao novo, que venha a Arena Pernambuco! Que esse estádio de primeiro mundo também se transforme em referência não só para os alvirrubros, mas para todos os pernambucanos que sentem pelo futebol um amor sem explicação.

Arena Pernambuco

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