Bem Estar

Câncer de Mama: prevenir é o melhor remédio (o ano inteiro!)

6 de novembro de 2017

por Observadora

Há dias se encerrou o Outubro Rosa, a maior campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do Câncer de Mama, uma das maiores causas de morte de mulheres no mundo. Mas queremos ir além da data simbólica e lançar esse olhar cuidadoso à saúde feminina durante o ano inteiro. Por isso, convidamos a mastologista Ana Beatriz Albuquerque para trazer à tona e esclarecer alguns aspectos sobre a prevenção, o reconhecimento, os fatores de risco, as estatísticas, o tratamento e a cura da doença.

Boa entrevista!

OF – Quais os principais fatores que favorecem o surgimento do Câncer de Mama?

AB – Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver o câncer de mama, podendo-se dividir em fatores modificáveis ou seja, os fatores comportamentais/ambientais e os não modificáveis tais como idade, sexo feminino, fatores endócrinos, história reprodutiva e hereditariedade. A exposição ao longo da vida à radiação ionizante, oxidação celular e até mesmo as próprias alterações biológicas secundárias ao envelhecimento aumentam o risco de câncer de mama. Logo, apesar da doença poder acometer paciente jovem, abaixo dos 40 anos, sabe-se que mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos, são mais propensas a desenvolvê-la. Além disso, a exposição prolongada ao hormônio estrogênio produzido pelo próprio organismo ou consumido por meio do uso continuado de substâncias com esse hormônio resultam no aumento de risco da doença. Esses fatores incluem: menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos); menopausa tardia (após os 55 anos); primeira gravidez após os 30 anos; nuliparidade (não ter tido filhos); e uso de terapia de reposição hormonal sintética pós-menopausa por um período superior a 5 anos. O uso de contraceptivos orais também é considerado um fator de risco pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) da Organização Mundial da Saúde (OMS), embora muitos estudos sobre o tema tenham resultados controversos e não podermos afirmar uma relação de causa/efeito baseado na literatura médica atual. Os fatores genéticos estão relacionados à presença de mutações em determinados genes transmitidos na família, especialmente BRCA1 e BRCA2 e devem ser investigados se houver suspeita clínica de mutação. Os fatores modificáveis, ou seja, comportamentais incluem ingestão de bebida alcoólica, tabagismo, sedentarismo, sobrepeso e obesidade após a menopausa e exposição à radiação ionizante.

OF – As mulheres estão iniciando cada vez mais cedo a vida sexual e consequentemente o uso de pílulas contraceptivas. A partir de qual idade a mulher deve se cuidar?

AB – A relação entre o uso da pílula anticoncepcional e o câncer de mama ainda não está bem esclarecida, pois os diversos estudos sobre o assunto têm apresentado resultados conflitantes. Estudos mais antigos, inciados nas décadas de 1970 ou 1980,  apontavam para um pequeno aumento do risco que não foi confirmado com estudos atuais. Não há, portanto, nível de evidência suficiente para se afirmar que os anticoncepcionais hormonais, nas atuais doses, aumentem claramente o risco de câncer de mama. Logo, é relativamente seguro fazer uso de anticoncepcional, principalmente na população feminina jovem, a fim de se evitar uma gravidez indesejada e respeitando a liberdade sexual da mulher moderna. Na população de baixo risco, abaixo de 40 anos, recomenda-se o auto-exame, além do exame clínico associado a ultrassonografia mamária anual sempre que possível e esta última deve ser oferecida, a princípio, pelo ginecologista da mulher.

OF – Falando em estatísticas, qual o risco de uma mulher desenvolver um câncer de mama na vida?

AB – A chance de desenvolver câncer de mama ao longo da vida deve ser estratificado a depender do risco de cada mulher. Na população de baixo risco, a chance de desenvolver a doença ao longo da vida é inferior a 15%, enquanto que na população de alto risco essa chance é superior a 20%, podendo chegar até a 85% nos casos de pacientes com mutação genética hereditária. Sabe-se que esse risco é crescente, aumentando com a idade e com os hábitos de vida da mulher.

OF – Existe uma idade que a doença se manifesta com maior frequência?

AB – Após os 50 anos, ou seja, na pós menopausa, aumenta-se o risco de desenvolvimento da doença. Entretanto, ela pode acometer também mulheres jovens, antes da menopausa, por isso é importante sempre estarmos atentos aos sinais de alerta do câncer de mama.

OF – Qual a maneira de se fazer um diagnóstico mais eficiente?

AB – O diagnóstico é feito através de punção ou biópsia da lesão suspeita que deve, preferencialmente ser um achado de exame mamográfico e/ou ultrassonográfico em detrimento ao achado no exame clínico. A recomendação atual para a população de baixo risco é mamografia de rastreamento anual a partir dos 40 anos, deixando as solicitações de ultrassonografia mamária e ressonância nuclear magnética de mamas individualizadas de acordo com cada caso.

OF – Houve um aumento do câncer de mama ou os diagnósticos estão ocorrendo mais precocemente? 

AB – A incidência do câncer de mama vem aumentando ao longo dos anos e esse dado é resultado da conscientização da população feminina de realizar seus exames de rastreamento. Entretanto, é importante ressaltar que o perfil epidemiológico da doença vem mudando também devido às mudanças dos hábitos de vida da população em geral. Estamos expostos a uma gama de estresse oxidativo celular devido a hábitos de vida não saudáveis que estão repercutindo no desenvolvimento da doença numa idade cada vez mais precoce.

OF – Existe cura?

AB – Existe sim cura para o câncer de mama. O câncer de mama potencialmente curável é aquele que não tem metástase a distância no momento do diagnóstico. Via de regra, define-se como cura da doença um período de 5 anos sem recidiva. Entretanto, apesar de utilizarmos o termo cura, cada vez mais tem-se a consciência do cuidado prolongado e constante, mesmo após os 5 anos sem doença em atividade. Nos casos de doença metastática, não podemos mais utilizar o termo cura, mas podemos manter o controle clínico de forma adequada, prolongando tanto a qualidade quanto a estimativa de vida da paciente.

OF – Qual a importância do Outubro Rosa?

AB – O movimento mundial, que surgiu nos anos 90 na primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York (EUA), ajuda a conscientizar as mulheres acerca da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama através de exames de rastreamento. Logo, o outubro Rosa coloca em evidência a importância de se discutir sobre câncer de mama bem como enfatiza a importância da mulher conhecer suas mamas e ficar atenta às alterações suspeitas além de orientar o rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos na população de baixo risco, sendo que o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres brasileiras a partir dessa faixa etária.

OF – Qual o seu recado para a mulher que foi diagnosticada com Câncer de Mama?

AB – O meu recado para a mulher que teve o diagnóstico de câncer de mama é perseverança. A estrada é longa, e muitas vezes árdua, mas o otimismo, a fé, a alegria e a perseverança devem imperar. É importante salientar que essa caminhada jamais será solitária, que juntamente a essa mulher é importante o apoio dos seus familiares além de uma equipe de profissionais de saúde habilitados para tratá-la e também apoiá-la nesse momento tão difícil, mas ao mesmo tempo tão importante do tratamento. Logo, nunca perca a esperança.

 

Dra. Ana Beatriz Albuquerque – Mastologista | CRM – 16492

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