Bem Estar

Conheça a história de Margaret Crane, a criadora do Teste de Gravidez

10 de agosto de 2017

por Observatório Feminino

Margaret Crane era uma designer freelance que trabalhava no departamento de publicidade de uma empresa farmacêutica. Havia sido escalada para desenhar a campanha de uma nova linha de cosméticos, mas tubos de vidro enfileirados com um refletor espelhado chamaram sua atenção: eram testes de gravidez laboratoriais, comuns nos anos 1960. Os resultados daqueles exames sairiam em semanas.

Mesmo não tendo formação na área biológica, perguntou a um dos químicos sobre o processo do teste. Descobriu que um reagente, em contato com o hormônio da gestação, a gonadotrofina coriônica humana, produzia um círculo roxo na base da proveta. Este círculo era refletido pelo espelho, confirmando a gravidez. O processo era tão simples que assustou a jovem. Margaret percebeu imediatamente o quão prático seria se as mulheres pudessem realizar aquele simples teste em casa, intimamente, sendo as primeiras a saberem sobre sua própria gravidez. Em uma época em que os exames laboratoriais eram caros e totalmente expostos, além de demorados, a ideia de Margaret Crane era transformar um processo complexo em algo simples, barato e íntimo.

As resistências, no entanto, vieram em avalanche. Iniciando por seus chefes, que não apoiaram a ideia e quase riram dela. Acreditavam que a invenção não seria confortável para a indústria farmacêutica, que lucrava com os testes em laboratórios. A sociedade conservadora também aboliu a ideia, associando a nova tecnologia a uma quebra da moral, incitando inclusive que o produto fosse vinculado ao aborto.

Ao chegar em casa, convicta da ideia, Margaret viu numa caixinha de clips a inspiração de design para o protótipo do “Predictor”, primeiro teste de gravidez a ser realizado em casa. A caixa conteria o fundo espelhado, o reagente químico e um conta-gotas. Margaret Crane estava, naquele momento, colocando na mão das mulheres o poder de conhecimento e a libertação sobre si próprias e suas gestações.

Descreditada nos Estados Unidos, só teve sua ideia aceita na sede da sua empresa que ficava na Holanda, onde registrou a patente do produto em 1969. Margaret Crane cedeu aos direitos do Predictor à empresa por apenas 1 dólar. Falta de visão comercial? Na verdade não. Em entrevista, Margaret deixa claro que sua preocupação foi em tornar o produto acessível às mulheres, e queria que sua ideia fosse adiante. A patente custava milhares de dólares, dinheiro que ela jamais poderia pagar na época, e os custos ficaram a cargo da empresa. Sua invenção não foi um barril lucrativo: foi uma libertação social. Em suas palavras, “o início de sua vida em diversos sentidos”.

O protótipo de Crane foi leiloado em junho de 2015 ano por 12 mil dólares para o Museu Nacional de História Americana, na divisão de ciência e medicina. E hoje milhares de mulheres ao redor do mundo têm mais conhecimento e poder sobre sua saúde, seu corpo e sua vida, graças à Margaret Crane.

Texto originalmente publicado por Helena Vitorino no site Lado M

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