Comportamento Social

Este não é mais um post sobre ‘Cura Gay’!

3 de outubro de 2017

por Observador

Hoje, dia 02 de Outubro, celebra-se o Dia Internacional da Não Violência. Em homenagem ao líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, que nasceu nesta mesma data em 1869. E para celebrar esta data vamos falar um pouco sobre Violência. Isso mesmo: Violência!

Conceituar a violência parece tarefa óbvia e redundante. Como se a própria palavra já carregasse todas as suas ressonâncias e representações no imaginário coletivo. Como algo que não necessita mais de novos olhares. Terreno fértil de elaborações parece tema inesgotável. Paradoxalmente, nossas representações a respeito da violência estão apenas ligadas às guerras e seus desdobramentos ou à agressões físicas. Estamos em um processo ainda embrionário de introduzir no nosso repertório o reconhecimento de outros tipos de violência – de maneira a ter legitimidade social. Agressões verbais, violência psicológica ou moral, violência de gênero, violência sexual, entre outras, ainda transitam em um campo do não saber – as pessoas ainda não conseguem identificar quando ou se sofreram abusos. Justamente por não existir, ainda, –  e repito – uma legitimidade social.

Retomando uma leitura do campo da psicanálise freudiana, compreendemos nos seus ensinamentos, que tudo que é da ordem da psicologia individual e aquilo que é social tem livre trânsito entre si. E que aquilo que representa um ideal para o sujeito pode ser substituído pela figura de um líder, que serve de modelo para os membros da massa.

Esse líder, que não necessita de personificação, representa toda construção histórica do que seria uma lógica social ou o laço social de uma sociedade. Tudo isso exerce influencia direta na forma como sentimos e nos relacionamos com o mundo. Isso mesmo: influencia nossos sentimentos. Acreditamos que nossos sentimentos são determinados biologicamente, porém, essa crença é um equívoco.

Vamos tomar então como exemplo a nossa ordem social. Edificada sobre os pilares do Cristianismo e do Judaísmo (e com toda carga ética e moral que carregam). Redigidas por mãos viris do patriarcado da nossa nação. No qual, a valorização da masculinidade – e de tudo que é viril e seus desdobramentos – torna-se o ideal de um povo e submete ao feminino um lugar de subordinação social e doméstica.

Em tempos de discussão sobre a Cura Gay, devemos nos indagar: existiria o questionamento íntimo de um sujeito a respeito da necessidade de ‘reverter’ sua sexualidade se em nossos lares não existissem pais que verbalizassem aos seus filhos gays: – “Onde foi que eu errei?”, “O que eu fiz pra merecer isso?”.

No imperativo de legitimar socialmente a construção dos nossos corpos – e nossas almas – me questiono: ‘O que é Violência?’. Acho que violência é não caber – e justamente pela necessidade de ter que caber onde não me reconheço. A violência em perceber que minha identidade – construção subjetiva – não tem o reconhecimento do outro.

Dentre tantas violências, a violência da palavra – que como uma música – nunca recua. Uma vez que falou: está falado! Para corrigir é necessário acrescentar ainda mais palavras. Desdizer é DIZER que não.

Que exercitemos a prática da digestão antes de sair vomitando ódio na cara das pessoas. E que, sempre que necessário, uma chuva de sapos caia – de todos os sapos engolidos e não digeridos.

 

Petrus Carvalho – Psicólogo Clínico | Psicanalista

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