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Manifesto definitivo de uma mulher que não quer ser mãe

20 de agosto de 2017

por Observadora

Para escrever um manifesto sobre as mulheres que não querem ser mães, é preciso falar sobre maternidade compulsória. Vivemos em um sociedade que prega o desejo de ser mãe como norma imposta a todas, e, por conta disso, há uma infinidade de mulheres que escolheram ser mães sem terem uma base concreta da realidade da maternidade. No entanto, acredito que justamente por isso o tema precisa ser pautado.

Nossa construção social impõe a reprodução como algo que visa complementar a mulher, como algo que irá trazer a felicidade e a maturidade. A romantização da maternidade é cruel, já que não há um debate honesto sobre as consequências dela na vida das mulheres. Entretanto, não vou me alongar sobre o assunto, pois acredito que outras podem falar melhor sobre este assunto que eu.

O que precisa ser destacado em relação a esse tema é que sair dessa norma da maternidade compulsória e ser uma mulher que não quer ter filhos, pode ser algo difícil. Optar por não ser mãe requer uma dose de auto-conhecimento e de desconstrução do que nos é ensinado desde meninas, ou seja, a partir do momento que ganhamos nossa primeira boneca e temos que aprender a “cuidar” dela.

Além disso, sair da normatização requer muita confiança, pois somos taxadas. Quando apresentamos nossa decisão, somos bombardeadas por frases como: “Mas uma hora o relógio biológico toca”, “Mas você é muito nova para dizer isso”, “Quando ficar mais velha, vai mudar de ideia”. Parece ser algo impossível para a sociedade entender que temos plena consciência na nossa decisão.

Para muitas, essa não é uma escolha pensada do dia para noite. Pessoalmente, o meu processo foi longo. Eu analisei todos os lados e cheguei à conclusão de que simplesmente não tenho condições emocionais, além disso tenho outras prioridades para o meu futuro e, portanto, não quero ter filhos. Mesmo justificando todos esses fatos – o que não deveria ser necessário -, a compreensão dessa escolha pelos outros parece uma tarefa ainda árdua.

Como se não bastasse duvidar da decisão, a sociedade também já tem um estereótipo pronto para o futuro das mulheres que não querem ser mães. Temos que ouvir: “Vai ficar velha e sozinha”, “Vai ser a tia dos gatos”, “Vai morrer sozinha”. São previsões totalmente errôneas, uma vez que mulheres que não tiveram filhos podem estar, sim, muito bem, cuidando de si mesmas, construindo ou progredindo em suas carreiras, aprendendo a se conhecer. Enfim, são infinidades de possibilidades.

No entanto, nenhuma dessas boas possibilidades parecem existir para a sociedade. E por isso temos que lidar sozinhas com as nossas escolhas. Nossa decisão ainda tem outra consequência, que é a falta de representatividade. Procuramos em livros, filmes e novelas pelas mulheres que, como nós, optaram por não ter filhos, e parece que elas não existem – ou quando existem são representadas como mal amadas, frias ou as tias tristes que cuidam do filho dos outros.

Nós, mulheres, não temos o direito legal de decidir se queremos ou não ter um filho quando engravidamos, e quando fazemos a escolha de tomar todas as medidas possíveis para que isso não ocorra, somos desacreditadas. Dito isso, finalizo deixando o grito de todas as mulheres que não querem ser mães:

SABEMOS O QUE QUEREMOS!

Parem de duvidar da nossa capacidade de escolha e aprendam a nós respeitar!

Texto originalmente publicado por Nathalia Marques no site Lado M

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