Cultura

Por que um “Caça-Fantasmas” com mulheres incomoda tanta gente?

17 de julho de 2016

por Talita Corrêa

Trinta anos se passaram desde que a musiquinha clássica do filme “Caça-Fantasmas” embalou o estalar de dedos da minha geração. Neste 2016, o diretor Paul Feig decidiu retomar o sucesso da comédia com enredo paranormal e colocá-lo de volta nas telonas. Os fãs do título começaram a festa… Mas só até descobrir que o novo “Ghostbusters” não era protagonizado por um quarteto de homens, como na sua versão original, mas por um time de mulheres.

O trailer do longa que acaba de chegar aos cinemas teve uma marca histórica de “descurtidas” no Youtube. Muita gente sugeriu que a ideia de mudar tão radicalmente os elementos principais da trama era desastrosa e suicida. Pouca gente comemorou o fato de “Caça-Fantasmas 2016” trazer uma proposta de gênero mais atual e inclusiva.

Num mundo onde mulheres começam a ocupar cargos de presidência, exigir salários equiparados aos dos homens e mudar a projeção de suas vozes na sociedade, não cabe outra infinidade de blockbusters esmagadoramente estrelados por heróis masculinos. Se o mercado, as famílias e a política mudaram, a arte e o cinema também precisam se transformar.

“Caça-Fantasmas”não chega a ser um filme imperdível. Tem piadas pouco entendíveis para quem não manja o inglês na sua forma mais nativa e efeitos especiais que desapontam e , em alguns momentos, mais parecem uma reprodução da tecnologia fantasmagórica do anos 80. No entanto, acerta em cheio ao colocar uma cientista mulher (Kristen Wiig) e suas companheiras (Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones) como mote principal da história e um secretário bonitão e burro (Chris Hemsworth ) como um coadjuvante irônico e nada clichê.

Essa inversão de gêneros no longa é certeira. Propõe todos os clássicos da nossa geração anos 80/90 sob novas perspectivas. Pode parecer incômoda para os fãs mais radicais? Ok. A gente também não gostaria de ver “Sex and the City” protagonizado pro quatro homens. Talvez isso rendesse sacadas engraçadíssimas, mas nos deixasse meio órfãs da identificação clássica que a série nos trouxe em 1998. Acontece, no entanto, que os homens – e seus Batmans, tartarugas ninja, Tarzans e demais franquias – não necessitam de redenção social, cultural e cinematográfica.

 

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