Elas por Elas

“Dia de blogueira: Expectativa X Realidade”, por Cuca Amorim

10 de maio de 2016

por Observadora

Despertador toca às 7h30… Sem forças nem pra existir, começo a abrir os olhos e calcular quantos minutos de soneca ainda dá pra aproveitar. Fui dormir às 3h30 resolvendo coisas no whatsapp, editando fotos, postando, etc etc etc. Definitivamente não sou uma pessoa diurna.

7h45, fudeu, mais uma vez me atrasei pra começar a arrumação e vou ter que me maquiar no carro… ô sofrência!

Corro na cozinha e grito ¨Dedé, por favoooooooor, faz meu ovo¨! O banho dura o tempo exato que o ovo com requeijão fica pronto. Enrolo a toalha na cabeça e começo a comer com uma mão enquanto respondo às 345 mensagens que apitam no Whatsapp na outra.

Coloco uma xícara de café que mais parece um refil de 700ml de refrigerante do Bob´s pra ver se desperto… O rosto precisa melhorar, afinal, vou fotografar ja já e todo mundo confunde minha cara de sono com a de choro, e foto ¨triste¨ não dá curtida.

Corro de volta pro banheiro e já começo a escovar os dentes com uma mão enquanto desenrolo a toalha da cabeça com a outra. Tô ficando craque nesse lance de ser ambidestra e ter que fazer várias coisas ao mesmo tempo com maestria. Sabe aquele ditado do ¨assoviar e chupar cana?¨ Muito eu!

Começo a secar o cabelo… Nesse instante me arrependo de ter mega hair. Puta merda, quanto cabelo que não é meu pra amansar. Antes eu era o Cebolinha e conseguia domar os 5 fios que me pertenciam em 10 minutos. Agora levo 20 minutos, ou seja, 10 minutos a menos pra dormir. Só 10 minutos? Ô diferença que tem na vida de uma pessoa noturna o tal do cochilinho a mais.

Chega um dos momentos mais críticos que me fez sofrer por alguns anos até que tomei uma decisão drástica em minha vida: só usar calcinha bege…e GRANDE!

Ah, bicha…só existem dois tipos de calcinha: as bonitas e as confortáveis.

As bonitas são de renda, fio dental, te apertam, marcam em toda e qualquer roupa… São as chamadas ¨calcinhas pra dar¨ – o boy chega e você já está lá toda gata com aquele pano minúsculo que se fosse coar café não dava nem pra passar um expresso curto.

As confortáveis e práticas são, em grande maioria, beges e grandes. Seguram o seu buchinho e as cartucheiras, te ajudam a sair bem na foto e ainda funcionam como método anticoncepcional… Afinal, quem te ver com aquele troço cobrindo as vergonhas não tem coragem pra mais nada.

Escolho alguma das minhas inúmeras calcinhas beges…e GRANDES, escolho um look fácil de tirar e colocar, afinal, vou trocar de roupa umas 20x. Pego uma bolsa tipo sacola do MACRO pra caber todos os trecos que terei que levar pra retocar minha beleza ¨natural¨ durante o dia.

Natural é o cacete, porque a quantidade de reboco e truques que a gente usa não tá no gibi… Aí quando você olha o Instagram ainda tem uma alma caridosa que comenta ¨Diva¨! Nêga, se tu visse o tamanho da minha calcinha bege e a falta de dignidade por baixo de toda essa massa corrida que é a minha make você não diria isso. Mas a gente sorri e agradece, com a certeza do ego amaciado.

Ligo o carro e despejo todo os itens da necessaire no banco do carona. Mais uma vez uso as mãos pra coisas diferentes, dirijo com a esquerda e vou acrescentando as camadas de base, pó, blush  etc com a direita. Um olho no padre e o outro na missa… torço por um sinal vermelho na hora de fazer o delineador gatinho e aproveito o fluxo da Via Mangue pra passar rímel sem borrar!

Chego na loja… 10 looks de moda festa: bordados, canutilhos, zíper invisível, forro, roupas que você não consegue colocar sozinha, etc., etc., etc. Vamos começar pela escolha dos modelos: quem disse que interessa se aquilo cabe em você ou não, amor? Já ouviram falar no ditado ¨Pé de pobre não tem número!¨? Pois corpo de blogueira também não. Saio catando tudo que é legal  do 36 ao 44! Se for 36 eu fotografo só de frente com a roupa aberta e pagando calcinha.. aquela bege, lembra? Se for 44 eu taco alfinete atrás até arrochar bem pra não ficar folgada e tá tudo certo!

Vou pro provador, normalmente, sozinha. Mas aí vamos voltar a um assunto importante: o zíper invisível… Isso é obra do capeta, pomba gira, belzebu ou das forças ocultas do mal, concordam? O bicho é ruim pra subir! Quando sobe, você já sem ar, ficando roxa e murchando a barriga o filho da puta engancha na parte da costura. Aí nêga… quase desfalecendo você só pede aos deuses que a tortura acabe logo. Chega alguém pra ajudar, afinal, impossível subir aquilo sozinha… E você junta aos mãos e pede ao Senhor pra não pegar na sua pele… Meu Deus como dói o tal do beliscão do zíper!

Ok, fechou… Respirar pra quê? Quem vai saber que você veste 40 e a roupa é um P pequeno, tipo 36/38? O grande desafio vem agora: SORRIR!

Você dormiu 4horas, acordou atrasada, acabou de passar por uma tortura sem igual que é fechar o zíper invisível e agora tudo que precisa é sorrir… Mas não é sorriso falso, é sorrir mesmo, com intenção… Sabe quando a gente ri com os olhos? Não adianta querer disfarçar na foto… Se você estiver com cara de cu todo mundo percebe. Então você concentra, ajeita a juba, prende ainda mais o ar, contrai cada músculo do seu corpo e pimba: o click!

Foi? Foi! Deu? Deu! Posso ir me trocar de novo? Pode! E começa tudo outra vez!

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Cuca Amorim é formada em design de moda, advogada não praticante, vive de dieta, adora preto e branco, azul e vermelho. Acha que simplicidade é a chave para a elegância, principalmente ao lidar com as pessoas. É perua de carteirinha, não sai sem maquiagem e o secador é a sua terceira mão.

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Imagem: reprodução

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