Elas por Elas

Crônica de uma depilação: ‘Mesmo que seja aos gritinhos’

19 de fevereiro de 2014

por Observadora

Sábado. Por volta da hora do almoço. Interior/dia

 

Duas mulheres (uma delas era eu) se trancam em uma salinha à meia luz, sem janelas. Em volta há barulho de gente conversando, pessoas passam pelo corredor em frente à sala.

 

– Aiiiiiii. Uiiiii. Grrrr

 

– Calma, já vai passar.

 

– Dói. Arrrrrrrr

Silêncio no recinto menor. Nada mais se ouve por alguns segundos. A moça “mais calma” então dá a sentença:

 

– Pronto! São 52 reais.

 

– Hum, hum

 

– Mas a bunda eu não vou te cobrar não, porque você é muito legal.

 

Cuma? Pára tudo. Quem passasse nesse momento pelo corredor (e até você, ai do seu lugar) poderia ficar encafifado com esse diálogo. E foi justamente nisso que pensei antes de rolar de rir, tentando descer da maca… Esse foi o diálogo final da minha sessão de tortura consentida: dia de depilação.

Na minha pobre opinião, esse assunto  não se esgota nunca. Dia de depilação é o caos na minha vida. Homens não fazem ideia do sufoco que é (e ainda cobram uma pele lisinha. Tá bom!). Sim, podem me chamar de frouxa… Para mim é algo que beira à loucura, apesar de ser um fato do qual não posso (muito) fugir.

Segundo a minha depiladora M, muitos homens já foram até lá e bateram no peito dizendo que depilariam a barba: falharam miseravelmente após um simples teste. Um amigo meu tentou depilar as axilas em casa, com a ajuda da mãe e da irmã. O fez sim, mas sofreu tanto, que teve até febre noturna. Assim sendo, sou a frouxa que pelo menos enfrenta o fato – mesmo que seja aos gritinhos.

E fui tão legal, que a bunda passou batida, viram só!? O melhor veio depois de sair da maca:

– Sua bunda não celulite!

 

– Jura? Fala a verdade, porque é um lugar que os meus olhos têm difícil acesso! (Uia!)

 

– Verdade. Fiquei impressionada e até apertei para dar aquela conferida. Isso é raro…

Hahahahaha. Você sofre, mas sai com o ego lá em cima (e a bunda também). E o desavisado do corredor deve pensar: “wow, quanta promiscuidade!”. Isso porque, ele não frequenta o corredor do ginecologista… Tá boa?!

 

_____________________________________

 

Bia Amorim é editora-assistente da revista “Minha novela” e autora do blog “Bibi de bicicleta

 

Imagem: reprodução

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