Elas por Elas

Dores e Delícias da Maternidade

18 de outubro de 2013

por Observadora

Imagens: Reprodução

Por Wellida Valois

Elizabeth Gilbert, no best seller Comer, Rezar e Amar  já tinha alertado: “Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa ter certeza de que é isso que você quer antes de se comprometer” .

No meu caso, fiz essa tatuagem… A grande transformação começou a partir de uma ebulição de hormônios que apressadamente se multiplicavam no meu corpo para prepará-lo para o milagre que estava acontecendo dentro de mim: a formação de um ser humano!!!

Nasceu Artur alterando a ordem total e completa da minha vida em todos os sentidos! Costumo dizer que o amor que sinto por ele se tornou parâmetro de medida dos outros amores que já existiam na minha vida (amor pelos meus pais, pelo meu marido, irmãos, amigos). Um amor tão sublime, tão perfeito, que eu não sabia que era capaz de sentir. Descobri outro lado meu que até então era completamente desconhecido!

Ouvindo a música de Barão Vermelho que diz “Por você eu dançaria tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô, eu iria a pé do Rio à Salvador”, e mesmo sabendo que é uma declaração de um homem para uma mulher, achei que se adequava, com maior perfeição, para explicar o que eu seria capaz de fazer pelo meu filho.

Mas preciso ser absolutamente franca: a rotina intensa desde o nascimento dele começou a me cansar… Amamentação, noites mal dormidas, assistir desenhos animados o tempo todo, escolher o restaurante só porque tem parquinho, a babá etc. Minha vida passou a girar só a partir dos interesses daquele miúdo!!! Teve momentos em que tive vontade de me demitir do cargo de mãe!!!

Me sentia como uma louca porque ao mesmo tempo em que sentia essa vontade de sumir, sentia culpa por sentir isso, como se esse meu sentimento fizesse de mim a mais desprezível de todas as mães! Saí por aí conversando com as mães mais experientes e descobri que eu não estava inaugurando esse tipo de conflito de sentimento! Numa dessas conversas alguma das mães me refrescou o bom e velho ditado que minha avó já me dizia: “Ser mãe é padecer no paraíso!”

Depois de superar essas tensões, estou num momento mais sereno e vivendo um novo milagre da vida dentro de mim! Este segundo milagre tem exigido muito mais porque desde que recebi a notícia da nova gravidez estou de licença médica. Resumindo, há 45 dias estou em absoluto repouso para que essa vidinha nova se desenvolva da maneira mais saudável e tranquila possível.

Mais uma vez sinto que a experiência de ser mãe renova e melhora meu ser! Ser mãe mais uma vez tem me mostrado que para cada filho sou capaz de me doar cada vez mais e de diferentes maneiras, atendendo às suas peculiaridades, pois cada filho representa um ineditismo da criação divina!

E pra finalizar, aproveito o ensejo pra fazer uma singela homenagem ao Poetinha, Vinícius de Moraes, que no próximo dia 19 de outubro, estaria completando 100 anos, e resumia com todo seu lirismo essa aventura de ter filhos através do seu Poema Enjoadinho da seguinte forma:

Filhos…  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Wellida Valois,

Mestre em Direito pela UFPE, Advogada e Professora Universitária.

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