Elas por Elas

Estar bem não é estar feliz o tempo todo

7 de julho de 2017

por Observadora

Créditos: Disney Pixar

Desde muito cedo, acumulamos expectativas. Elas vêm de todos os lados, muitas vezes de origens desconhecidas. Uma dessas grandes expectativas é que precisamos ser felizes. Estamos aqui para isso. Para buscar a felicidade sempre. Parentes, professores, amigos e até músicas, comerciais e filmes nos bombardeiam com a ideia de que “felicidade é questão de ser”, é uma escolha, um caminho e, principalmente, é a consequência de uma série de normas e regras que, se seguidas direitinho, nos levarão ao ideal de felicidade que esperam de nós.

Mas o que é ser feliz? Pergunta subjetiva e capciosa. Pergunta que, na teoria, devia dar espaço para múltiplas respostas, mas o ser humano gosta de padrões (tanto de segui-los como de criá-los), de caixinhas, e aí mora o perigo: começa-se a criar definições universais do que é felicidade.

Essas definições vêm em muitas formas. Empregos “dos sonhos”, ter filhos, ter um relacionamento sério, um carro, uma bela casa, uma viagem para a Europa. Um diploma de graduação. Numa boa faculdade, claro. E a gente vai guiando nossa vida até esses destinos, seguindo direitinho aquela série de regras que nos garantem chegar lá. Essas regras são adquiridas via conselhos infalíveis (todo mundo tem algo a dizer sobre a sua vida, isso é fato), livros de autoajuda e nas representações midiáticas que mostram exemplos da mulher e do homem bem sucedidos, das mulheres e homens felizes – que geralmente são brancos, magros e heterossexuais (outro padrão).

Dá para ser feliz vivendo nesses moldes? Eu tenho certeza que sim, muita gente é. O problema é que as consequências de viver em prol dos ideais de felicidade preestabelecidos são muito nocivas. Primeiro, porque eles não são para todo mundo, e isso deveria ser óbvio. Mas além disso, a interminável busca pela felicidade nos faz esquecer de algo que quase ninguém nos diz, mas que no fundo do nosso coração a gente sabe: às vezes, basta estar bem.

Ser feliz o tempo todo é uma ilusão. Até porque a felicidade é, como dito antes, subjetiva – algo que me faz feliz pode não fazer outros felizes, assim como pode me fazer feliz agora e não mais daqui a uma hora. Eu não queria criar mais caixinhas para definir a felicidade, mas estamos todos fadados à hipocrisia, já dizia uma grande amiga. Então vou dizer bem pessoalmente o que é a felicidade para mim e, assim, poder explicar porque para mim, na maioria da vezes, não preciso estar feliz, mas bem.

Para esta que vos escreve, felicidade é uma sensação como outra qualquer. Tristeza. Dor de barriga. Sono. Paixão. Ela está no hall das sensações boas, mas assim como as outras, ela é episódica. Eu fico feliz fazendo e lembrando de determinadas coisas – como momentos com amigos e família e/ou comendo uma comida muito gostosa. Vou estar sempre fazendo essas coisas? Não, assim como não vou estar sempre triste, com dor de barriga ou com sono. E é por isso que, para mim, não dá para ser feliz o tempo todo, simplesmente porque não fazemos ou sentimos o que nos faz feliz o tempo todo. É preciso dar espaço para sentir outras coisas. A felicidade é bela justamente porque é dinâmica e está em harmonia com todos os outros sentimentos que manifestam-se em mim.

E é por isso que acredito que a felicidade não é um objetivo, um destino final (até porque se fosse, o que faríamos depois de alcançá-lo? um churrasco pra comemorar?), nem um estado de graça e elevação, nem algo para ser sempre. Se a gente fosse feliz sempre, como íamos valorizar esse sentimento? Ora, só sabemos o que é felicidade porque passamos também pela tristeza.

Então se basta estar bem e não é preciso ser feliz o tempo inteiro, o que é estar bem, afinal? Estar bem é justamente equilibrar os momentos de felicidade com os outros episódios e sentimentos da vida. Estar bem é ser, independentemente dos ideais e expectativas esperados de nós pelo mundo, por mais difícil que seja introjetar isso na cabeça.

Lara Ximenes é estudante de jornalismo da UFPE, heavy user de redes sociais e apaixonada por cultura e inovação digital.

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