Elas por Elas

Eu faria uma tatuagem pra você!

20 de julho de 2016

por Talita Corrêa

Duas coisas que qualquer pessoa intensa já cogitou na vida: fingir que vai se jogar de uma ponte pra matar alguém de remorso depois de uma briga catastrófica e fazer uma tatuagem depois de uma noite tórrida de amor. É o mal do ser humano dramático, exagerado, vigoroso, apaixonado. E sucesso é atravessar a juventude sem ser estúpido o suficiente para experimentar uma coisa ou outra.

Mas desde que inventaram o laser removedor de tatuagem, tem cada vez mais gente sofrendo do mal de “Viviane Araújo” e tatuando no corpo o nome  de quem não merece ser eternizado. Ouvi dizer que alguns tatuadores fazem até uma espécie de anamnese psicológica antes de gravar nomes próprios e iniciais na pele dos clientes mais passionais. Uma tentativa de garantir que eles estejam cientes da bobagem que estão fazendo.

Não é preciso viver muito pra entender que as relações amorosas, por mais perfeitas que um dia pareçam, enfrentam fases, altos e baixos, decepções e, em muitos casos, rompimentos. Nem todo casamento é pra sempre e nem todo namoro vira casamento. Por mais que você seja capaz de jurar que nunca vai deixar de amar aquela pessoa, e aposte todas as suas fichas nisso, o tempo pode mudar tudo. Então, alguém responsável e adulto faz o que tem que ser feito: conversa sobre regime de bens antes de subir ao altar, tem uma vida própria e realizada antes de mergulhar na vida do outro por inteiro, aprende a viver só antes de aprender a viver acompanhado, pensa muito bem antes de ter filhos, cultiva seus próprios sonhos e objetivos e, claro, não faz tatuagens pra homenagear marido, esposa, namorado, namorada, affair.

Quando fui morar no Rio, pensei em fazer uma tatuagem do contorno do pão de açúcar no pulso esquerdo. Felizmente, adiei essa vontade até o dia em que descobri que esse arrebatamento pela cidade era passageiro. Continuo amando tudo que vivi naquele lugar, e tendo por ele sentimentos incríveis e únicos, mas minha percepção sobre o Rio de Janeiro perfeito, hoje, é outra.

Depois que até o Rio dos meus sonhos me fez mudar de ideia sobre homenagens demasiadamente eternas, eu me peguei perguntando por quem, afinal, eu faria uma tatuagem sem medo. A primeira resposta inclui os nomes da minha  avó e da minha mãe. Minha avó porque, nesta semana, faz seis anos que ela partiu e, mesmo assim, eu penso nela todos os dias, com a mesma saudade. Minha mãe porque, não importa a correria dos dias, as mudanças de Estado, as novas idades, eu sei que jamais terei na vida alguém capaz de ser tão minha amiga, tão fiel, tão dedicada e tão presente.

Hoje, o tal dia do amigo, eu lembro que essa resposta poderia ir mais além. Que eu tenho um grupo de amigas de infância que estão comigo há, exatamente, metade de todo o tempo da minha vida. Dividimos nossas formaturas, casamentos, viagens, decepções, descobertas, dores, conquistas… Tudo que esses últimos 15 anos trouxeram. Nunca nos afastamos. Nunca consideramos nos afastar. Tenho certeza que nossos filhos serão amigos e, mesmo que por algum motivo doido da vida, isso não aconteça, tenho certeza que nada apagará a importância do que já vivemos juntas. Das coisas difíceis e necessárias que já nos dissemos, das mãos que estendemos quando tudo parecia perdido, das confissões que dividimos, das ligações que fizemos, dos abraços que trocamos e das torcidas que tivemos. Por elas, com certeza, eu faria uma tatuagem bacana, dessas com andorinhas e símbolos do infinito. E amizade de vida inteira é isso: ter alguém por quem seríamos capaz de gravar a eternidade no peito e no corpo.

Pra quem você faria uma tatuagem nesse dia do amigo?

 

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