Elas por Elas

Ilustrações para refletir sobre os padrões impostos às mulheres

28 de julho de 2014

por Ana Karla Gomes

O sucesso internacional das ilustrações da mineira Carol Rossetti reflete o anseio das mulheres ao redor do mundo por liberdade. Se você ainda não viu os lindos desenhos da designer pelas redes sociais, eu explico: Carol usa desenhos unidos a frases certeiras sobre preconceitos e pressões que as mulheres sofrem, da roupa curta, passando pelos padrões de corpo e beleza, ao sexo casual ou a escolha por não ter filhos.

Mesmo inseridas em culturas diferentes, as mulheres se identificaram tanto com as ilustrações da artista, que os desenhos e mensagens já foram traduzidos para 24 idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol, russo, até lituano e árabe, sempre por amigos e até mesmo fãs, que conheceram o trabalho de Carol na internet e decidiram ajudar a fazer versões em seus idiomas maternos.

A designer, de 26 anos, começou a fazer os desenhos com o objetivo de aprimorar a técnica com lápis de cor e resolveu fazer isso escrevendo mensagens positivas direcionadas aos amigos e parentes que já acompanhavam a página dela no Facebook. “Não foi uma decisão muito objetiva. Comecei essa série sobre mulheres sem imaginar que teria essa repercussão toda”, afirmou em entrevista ao OF.

Sobre a repercussão internacional, Carol comentou que, também, foi muito inesperado. “Eu postava na minha página e compartilhava em um grupo de quadrinistas mulheres do qual faço parte no Facebook. Quando dei por mim, todos estavam compartilhando e meu trabalho começou a rodar o mundo! Depois que comecei a postar em inglês, percebi que várias pessoas comentavam e compartilhavam em hebraico. Foi um choque! E foi muito bacana!”, disse.

Segundo Carol, o fato de as ilustrações fazerem tanto sucesso se deve ao fato de que as pessoas querem ser vistas, muito além do que as revistas mostram, com padrões de beleza inatingíveis. Em suas ilustrações, há sempre uma diversidade muito bonita, com pessoas negras, gordas, portadores de deficiência e, como todos podemos perceber, o resultado é muito positivo. “O mundo quer ver outras realidades”, conta.

Para a jovem ilustradora, o mais importante sobre esse trabalho é poder conhecer mais sobre o ser humano, além de questionar os seus próprios privilégios e lutar por um mundo melhor. “Acho que isso tem acontecido com muita gente também, e essa é uma reação muito legal. Trata-se de um projeto informativo, divertido, mas com alguns questionamentos profundos e é bom criar um espaço para debater essas questões.

Rossetti pretende, no futuro, reunir as ilustrações em um livro e pensa em abrir uma loja online para vendê-las a preços acessíveis. Enquanto isso, ela vai ouvindo mulheres ao redor do mundo e presenteando a todos com reflexões importantes. Apesar de o feminismo não ser um movimento uniforme, apresentando uma pluralidade de correntes, o fato é que a mulher é dona do seu próprio corpo e tem o direito de escolher o que acha melhor para si, para além dos padrões engessados perpetuados por uma suposta maioria.

“Eu acredito em um feminismo que considere as diversas culturas, experiências e identidades. É importante que seja um ambiente seguro de discussão para todas as mulheres, inclusive as negras, pobres, trans, portadoras de deficiência”, conclui Carol.

Confira algumas das ilustrações:

 Imagens: Reprodução

 Siga o OF no Twitter e no Instagram e curta a nossa página no Facebook 

Leia também:

A Força da Mulher
'Uma força da natureza': o acróstico do sexo alfabetizado pelo amor
Mês da mulher #OF: 'Segundo Drummond, o homem que descobre uma mulher será sempre o primeiro a ver a...

Pesquisar

Perfil

  • Ana Karla Gomes

    Editora Chefe

  • Rose Blanc

    Relações Públicas

  • Talita Corrêa

    Editora-Assistente

  • Estevão Soares

    Colunista

Arquivo

Assine nossa news e receba tudo em primeira mão

Observatório Feminino