Elas por Elas

‘Jamais os filhos deveriam ir antes dos pais’

1 de setembro de 2015

por Observadora

No dia 22 de março, eu saí bem cedo com meus irmãos para comprar vários ovos de páscoa, porque tínhamos feito amigo secreto da páscoa, onde umas 20 pessoas, amigos e família, iriam trocar ovos de páscoa. Cheguei toda contente em casa com as sacolas cheias de ovos, e meu filhinho estava deitado no sofá, todo sujo e eu disse: “trouxe chocolate para você comer agora”. Todas as vezes que eu saía, eu trazia alguma coisa para ele, e quando eu chegava em casa, era primeira coisa que ele perguntava: “o que você trouxe para mim?”.

Ele estava deitado no sofá todo sujo, e eu disse: “corre pro banheiro, você está com preguiça de ir tomar banho, né?” E aí ele me disse: “Estou com dor de cabeça”, mas foi para a cozinha e pegou o chocolate. Eu ainda briguei com ele, mas dando risada: “corre pro banheiro, senão você não vai comer nada”. Meus irmãos riram da minha bronca, porque eu dei a bronca achando graça. Como ele pegou o pacote de Bis e comeu tudo, acabou de tomar banho e continuou falando que estava com dor de cabeça, meu esposo chegou e disse que achava que a gente tinha que levar ele no médico porque ele nunca teve dor de cabeça em 12 anos de vida, nunca teve tontura, nunca vomitou, nada, nada, mas ele ainda saiu com um amigo na casa da vizinha, e voltou logo dizendo que continuava com dor de cabeça.

Levamos ele no médico, quer dizer, ele sentiu a dor às 4 horas da tarde, jogando bola com o pai dele, como fazia todos os sábados, e às 8 horas da noite já estava na médica. A médica disse que achava ser enxaqueca e passou remédio e disse que se ele continuasse com dor, com dois dias era para fazer uma tomografia, e voltamos para casa, pois o hospital ficava em Belém, a 45 minutos de casa.

Ele dormiu e acordou às 4 horas da manhã, com mais dor de cabeça. Eu fiquei acordada colocando bolsa de gelo em sua cabeça, dei remédio e, enquanto ele adormecia, comecei a ligar para tudo quanto era clínica para marcar a tomografia na manhã seguinte. Consegui em uma e às 7 horas da manhã ele estava entrando na máquina de tomografia. Nesta hora, uma grande amiga e médica nos ajudou muito, pois ela mesmo fez o pedido e entrou junto na sala de tomografia. Lembro dele saindo de casa tonto, cambaleando, até para tomar o remédio ele não conseguia direito. Quando esta amiga nossa saiu da sala, mandou a gente interná-lo imediatamente. Corremos atrás de hospital e ela conseguiu um neuro no mesmo dia para ver a tomografia. Quase morri quando recebi a notícia que ele tinha um tumor tão grande que desviou a linha do cérebro.

Ele passou o domingo no hospital e ainda comeu lanche do Bobs, que ele amava. Meus irmãos faziam ele dar risada, mas a boca dele começou a entortar,  e quando ele pediu para ir no banheiro, não quis ninguém segurando ele, fiquei na porta, aflita, só escutei um barulho, era ele caindo no banheiro porque não tinha mais equilíbrio. Na segunda de manhã, ele ia fazer uma ressonância magnética e iria operar, quando foi domingo à noite, todos foram embora e ficou eu e uma amiga cuidando dele, mas, à noite, começaram as convulsões, uma atrás da outra. Eu me ajoelhei do lado daquela cama, pedi tanto para Deus por um milagre, ele já não se equilibrava mais, não falava coisa com coisa, e quando deu 6 horas da manhã percebi que a respiração dele estava indo embora e ele ficou todo vermelho, cheio de manchas, eu gritei no corredor e vieram todos aqueles enfermeiros com os aparelhos de respiração. Levaram ele para a UTI na segunda de manhã, e ele ficou em coma por quatro dias.

Na sexta, dia 27 de março, meu filhinho se foi, o médico disse que ele tinha 5% de chance de sobreviver, que já tinha morte cerebral, mas enquanto há vida há esperança, e foram muitos terços, orações na capela, pedi tanto para Deus me levar e deixar meu filhinho vivo, mas eu não fui digna de um milagre, tem tantas pessoas que recebem milagres, meu filhinho só foi quando na sexta-feira deixei meu egoísmo de lado e entrei naquela UTI e levei uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré bem pequena que ganhei de uma amiga e coloquei em sua mão e fechei em sua mãozinha, e disse para ele: “Meu filho se você quiser ir e lá for mais feliz, vá, mamãe vai aguentar, vai esperar nosso reencontro”. E eu disse para Nossa Senhora: “Mãe, em teus braços eu entrego meu filho, se for para o bem dele, que a vontade de Deus seja feita, eu não vou perder a minha fé”.

E uma hora depois disto meu filhinho foi embora. Como disse um pai, jamais os filhos deveriam ir antes dos pais. Meu Deus, que sofrimento, que dor, minha alma foi junto, meu coração foi junto, minha vida foi junto. Para os médicos de São Paulo, era um tumor muito raro e ninguém soube explicar o que aconteceu de verdade, o médico daqui, que estava tratando dele, infelizmente, nem veio falar comigo, a não ser esta médica e grande amiga que nos deu uma força tremenda, ficou ao lado dele naquela UTI o tempo todo me trazendo notícias, eu quis levar para São Paulo em uma UTI móvel , pois vi que já faziam cirurgia em pessoas em coma, mas o médico de São Paulo recusou quando recebeu os exames por e-mail. Ele não tinha condições de viajar, para mim, na segunda-feira mesmo,  quando ele entrou em coma, ele praticamente já tinha ido embora. É muito difícil uma mãe perder seu único filho e ainda querer continuar a viver, ainda não me recuperei apesar de ter muita fé e muita esperança, sei que ele está ao lado de Deus neste momento, intercedendo por nós, é um anjo muito poderoso ajudando Deus em sua missão de cuidar dos humanos aqui da Terra.

 

Ivonete Ferrari é mãe de Gabriel. Arcanjo Gabriel.  Seu nome significa: “Homem de Deus”. É o Arcanjo da Esperança, da Anunciação, da Revelação, sendo comumente associado a uma trombeta – é a Voz de Deus, o transmissor das boas novas. Este Arcanjo é citado várias vezes na Bíblia Sagrada. Foi ele que anunciou ao profeta Daniel a vinda do Redentor. Disse assim o profeta: “Apareceu Gabriel da parte de Deus e me falou: dentro de setenta semanas de anos (ou seja 490 anos) aparecerá o Santo dos Santos” (Dan 9). Ao Arcanjo Gabriel foi confiada a missão mais alta que jamais haja sido confiada a alguém: anunciar a encarnação do Filho de Deus. Por isso é muito venerado desde a antiguidade. O termo de apresentação quando apareceu a Zacarias para anunciar-lhe que ia ter por filho João Batista foi este: “Eu sou Gabriel, o que está na presença de Deus” (Luc. 1, 19). São Lucas disse: “Foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, a uma virgem chamada Maria, e chegando junto a ela, disse-lhe: “Salve Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo”. Ela ficou confusa, mas disse-lhe o anjo: “Não tenhas medo, Maria, porque estais na graça do Senhor. Conceberás um filho a quem porás o nome de Jesus. Ele será filho do Altíssimo e seu Reino não terá fim”. Segundo a tradição, Gabriel e seus anjos são os mensageiros das boas notícias, nos ajudam a dar bom rumo e direção à nossa vida, nos dão compreensão e sabedoria. É a ele que recorremos quando necessitamos desses dons.

Observe mais: ‘Assim como fui vítima, meus dois filhos também foram e, agora, estão me cuidando do céu’

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