Elas por Elas

Mês da mulher #OF: ‘Ser mulher não é fácil, mas é uma delícia’

9 de março de 2014

por Observadora

A gente sente dor e sangra, chora vendo novela, carrega uma nova vida na barriga e vê nosso corpo virar do avesso de uma hora pra outra.

A gente escolhe as frutas do café a manhã, as verduras pra salada, o menu da semana. A gente trabalha o dia todo, entra e sai de reunião, faz e refaz planilha, escreve e reescreve planos, se prepara praquele momento de ter a competência reconhecida.

A gente faz contas e dá um jeito de fazer aquele vestido lindo que custa uma fortuna caber no orçamento. A gente se preocupa com todo mundo, faz novos amigos, mantém os antigos e dá um jeito de passar no shopping pra comprar uma coisa nova pra casa.

A gente faz a unha, o cabelo, cuida da pele, malha, lembra de passar protetor na praia, se olha no espelho e vê que a celulite deu uma aumentada porque trocamos de pílula. Marca médico pra gente mesma, pra mãe, pro filho e pro marido que teima em não se cuidar.

A gente diz que não querendo dizer que sim. A gente acha um saco homem cartesiano. A gente ama homem sensível. Ou vice-versa. A gente olha – sim – pro cara gato que passou. A gente ama barba. A gente odeia. A gente lê tudo sobre tudo. A gente é curiosa até dizer chega. A gente leva o filho pra escola, pro balé, pro inglês, pra luta e pra dormir na casa do amiguinho. A gente cobra mais empenho da empregada e para pra ouvir e ajudar nos problemas dela.

A gente tem coragem: de mudar de emprego, de terminar o namoro, de dizer o que pensa, de virar a mesa. Às vezes a gente acorda se sentindo um lixo, cheia de olheiras e com o cabelo em pé. Noutros, somos lindas, poderosas, arrebatadoras. Capazes de mudar o mundo e conquistar quem a gente quiser.

A gente teima em amar demais, esbarra com uns babacas pelo caminho, chora no travesseiro, liga pra amiga, ergue a cabeça e acredita que já já chega um novo amor. A gente se apaixona e perde a cabeça, larga tudo, viaja, dança, namora, transa, agradece, reza, reclama, xinga, grita, ri, faz piada, chora do nada e por nada, esbraveja, abraça, beija e faz cafuné.

A gente cuida, a gente é complexa. Ser mulher não é fácil, mas é uma delícia. Parabéns todos os dias, mulherada. A gente é foda.

 

Fabíola Tavernard é jornalista

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