Elas por Elas

Meu emagrecimento (ou como perdi 20 quilos em seis meses)

19 de outubro de 2015

por Observadora

Já tinha ouvido falar que é normal ter uma leve depressão após o intercâmbio, mas só acreditei nisso de verdade quando voltei da Irlanda no final de setembro de 2014. De repente eu percebi que não tinha mais vontade de fazer nada. Passei por aquela fase chata de comparar minha realidade aqui no Brasil com o que eu vivi lá. Os preços, as ruas, as pessoas. Mas, mais do que isso, me bateu uma tristeza tão intensa por ter voltado que acabei usando uma válvula de escape perigosa para me sentir melhor: a comida.

Eu realmente achava que conseguiria preencher o vazio que a Ilha Esmeralda deixou no meu peito com alimentos. E entrei em uma rotina de estar com o estômago sempre cheio. Pão francês com manteiga, cookies de chocolate, batata frita, caixas e caixas de nuggets. Eu não sabia mais reconhecer o que era fome ou não. Meu estômago vivia estufado, então quando eu sentia que essa sensação de preenchimento total estava indo embora, comia de novo pra ela voltar. Só de pensar em não devorar alguma coisa gostosa – e na hora que desse vontade! – me batia o desespero.

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Foi aí que surgiu a viagem para Maragogi e eu tive que comprar roupas pra ir. Biquínis. Saídas de praia. Tenho até hoje uma foto minha num provador com um maiô preto GG apertado. Já desesperada, decidi fazer um regime pra não ir tão triste para a praia e emagreci 3kg. Amém. Consegui me sentir melhor nas roupas e fui tranquila para o nordeste. Para um resort all-inclusive. Sete dias de pura orgia alimentar comendo de manhã até a noite praticamente sem pausas. Recuperei os 3kg que emagreci e ainda adquiri mais 2.

Quando voltei continuei na rotina da engorda. Estava desempregada, então passava o dia de pijama e pijamas não marcam as gordurinhas, né? O susto só vinha na hora de me trocar pra sair nos finais de semana. Comecei a notar que o jeans número 42 já não fechava mais e foi nesse ponto que me ví usando a primeira (e com fé a última) calça 44 da minha vida inteira.

Mas era fim de ano e tinha mais uma viagem a caminho. Me desesperei para comprar vestidos para usar no Natal e no Ano Novo. Nunca chorei tanto quanto naquele provador de shopping. Nada ficava bom e aquele espelho tenebroso destacava cada estria do meu culote que tinha surgido depois do último engorda/emagrece de Maragogi. Viajei para o Paraná e depois para o Mato Grosso do Sul. Na viagem de Bonito estávamos em dois casais de vinte e poucos anos na casa. Agora imaginem o nível da nossa alimentação! Pringles de mostarda, barras de chocolate Lindt e muito cheetos de requeijão encheram nossos estômagos por 7 dias. Além disso, ainda jantávamos todos os dias coisas como pastel, batata frita, pizza e muito, muito peixe empanado.

Daí durante a viagem fomos passar o dia numa chácara em Bodoquena, cidade vizinha de Bonito. Passamos por alguns lugares que pareciam até artificiais de tão lindos. Cenários de filme. A vista estava tão maravilhosa em uma ponte que estacionamos os carros e descemos para tirar fotos. E aquela foto tirada alí marcou um dos momentos mais decisivos da minha vida.

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Demorei pra me reconhecer na imagem. Quem era aquela pessoa sentada? De quem eram aquelas pernas mal cabendo no shorts? E aqueles braços? Aquela foto tirada com o celular me derrotou tanto que não consegui disfarçar meu mau humor durante o resto da tarde. Voltamos pra São Paulo alguns dias depois e eu ainda não tinha me esquecido daquilo. Decidi experimentar minhas roupas e notei que tinha definitivamente perdido 90% do meu armário. Me pesei e tomei um susto: 67,5 kg. Eu, que passei mais da metade da vida na casa dos 55 kg agora me deparava com aquele número enorme na balança.

Do “alto” dos meus 1,54m de altura, eu tinha plena noção de que havia chegado ao limite.

Chorei. Chorei muito, mas ainda não conseguia tomar uma atitude. Ao invés de me fortalecer, ver aquele peso me deixou ainda mais fraca para mudar. Eu não conseguia me mover e estava amarrada naquele corpo que odiava. Foi então que voltei a trabalhar.

No começo, achei que ia surtar. Na hora de me vestir de manhã nada cabia. Eu frequentemente saía de casa com lágrimas nos olhos. Mas a vida é uma roda gigante e foi só eu começar a me distrair com a rotina do jornalismo que a força para mudar voltou. Decidi fechar a boca e substituir algumas refeições por aqueles shakes da Herbalife. Hoje em dia não aguento sentir nem o cheiro deles. Cortei sem dó nem piedade algumas coisas da minha alimentação como chocolate e batata. Passei a Páscoa comendo frutas desidratadas e salada de alface com molho rosé light. Entrei de cabeça na famosa dieta Atkins (sem nada de carboidrato) por algumas semanas. Os meses foram passando e eu me pesava todos os dias.

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Ao contrário do que muito pensam, considero essa rotina de me pesar uma das melhores coisas que já estabeleci na vida. Desse jeito, eu tenho controle absoluto do meu emagrecimento, das minhas retenções de líquido e posso comemorar grama por grama perdido. Sair da casa dos 60 foi um momento histórico, mas nada se comparou a sair da dos 50. Meu objetivo era chegar aos 48 kg e quando encarei esse número na balança, eu quase não acreditava. Felicidade sem explicação. E quando eu consegui entrar na calça 40? E depois quando coube na 38? E quando eu me vi comprando minha primeira calça número 36 em 10 anos? Sensação surreal de superação.

Não foi fácil. Escrevendo aqui esse texto parece que foi, mas não foi. Perdi 20 kg em 6 meses com muita, MUITA disciplina e abrindo mão de muita coisa. Durante esse tempo eu fui em aniversários, festas de criança, chás de bebê, jantei com amigos e família… Cada momento desses foi uma provação. É muito fácil fraquejar e engordar. Quem tem tendência de engordar assim como eu sabe que cuidar da alimentação é algo eterno. Se você enfiar o pé na jaca, VAI engordar. Não existe milagre, existe auto-controle.

Vivo agora uma fase muito difícil da dieta que é a manutenção. Ainda me peso todos os dias e, sim, fico triste quando vejo 0,5 kg a mais na balança depois de ter ido comer num rodízio de comida japonesa. Mas a lição mais importante que aprendi é: não largue de mão. Não finja que tudo bem, não fique sem se pesar, não use roupas cada vez mais largas, não se olhe no espelho e, mesmo decepcionada, aceite. Só você poderá mudar essa situação e se enganar fará com que isso demore mais para acontecer. Força. Você consegue!!!

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Tuany Troleze tem 22 anos, é paulistana, autora do blog Tutroleze, formada em jornalismo desde 2013, libriana com ascendente em capricórnio, viciada em petit gateau e acredita que ‘tudo vale a pena se a alma não é pequena‘.

 

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