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Mulheres brasileiras: mídia X realidade

5 de agosto de 2014

por Ana Karla Gomes

“Apesar de terem uma presença abundante na mídia televisiva, as mulheres são sempre focadas de forma similar. É comum a reprodução de estereótipos e preconceitos, além da sutil imposição de modelos de beleza inalcançáveis.” Só a partir da sinopse do livro “A imagem da mulher na Mídia”, da psicóloga especialista em sexualidade humana, Rachel Moreno, já é possível fazer uma reflexão sobre como o sexo feminino é representado nos veículos de massa, especialmente na TV.

Alta, magra, jovem, branca, cabelos lisos, jovem e heterossexual. Essas são as características da mulher apresentadas pela mídia. Mas se pararmos para analisar, dados do IBGE revelam que a estatura da brasileira é em média 1,58 metros, o peso está em torno dos 61 quilos, 44% delas têm cabelo ondulado e 47% não se consideram brancas. Ou seja, é possível perceber que a mulher que aparece na TV está longe de refletir os atributos reais da maioria no Brasil.

De acordo com o professor do departamento de Comunicação Social da Universidade Católica de Pernambuco, doutor em Sociologia, Nadilson Silva, a mulher tem sido usada como produto para alavancar a audiência de programas populares ou para movimentar um amplo segmento do setor de cosméticos e produtos para emagrecimento. “Dessa forma, a mulher torna-se objeto de venda do seu corpo e, também, consumidora de produtos que prometem fazê-la parecida com esse padrão de beleza midiático, que é irreal”, afirma.

Para a professora do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Raldianny Pereira, que é mestre em Comunicação e doutora em Sociologia, a questão do estereótipo da mulher vai além da aparência física. “Hoje, penso que a mulher é vista pela mídia de duas formas: como objeto sexual ou como a trabalhadora, que não abriu mão do papel de mãe e dona de casa, sendo um ser especial que dá conta perfeitamente de todas essas tarefas impostas”, diz.

Ela explica que “esse discurso que, aparentemente, valoriza da mulher multitarefas, na verdade, é perverso, porque coloca toda a responsabilidade sobre a mulher e ainda a faz acreditar que é capaz de fazer tudo sem falhas, causando, muitas vezes, uma frustração grande quando não conseguem. Além disso, esses papéis são atribuídos às mulheres como natural, como se fosse da natureza da mulher ser mãe, profissional e dona de casa, o que é uma visão desigual de responsabilidades sociais”, completa.

Segundo Raldianny, o problema aparece quando a mídia, ao difundir esse discurso como natural, não contribui para um desenvolvimento social rumo à igualdade entre homens e mulheres, e não leva, sequer, à discussão sobre o assunto, que é tão necessária.

Mídia e formação da sociedade

A mídia é o principal espaço de construção simbólica do ser humano e tem uma grande relevância social, principalmente, em um país como o Brasil, onde 8,7% da população são considerados analfabetos e 18,3% analfabetos funcionais. Dessa forma, a TV, que chega a 98% dos municípios brasileiros e é a principal (às vezes, única) fonte de informação de mais de 80% dos cidadãos brasileiros, tem um papel fundamental na formação da subjetividade do indivíduo. A mídia é capaz de influenciar a vida cotidiana e a atuação política das pessoas – a maneira como agem, sentem, desejam, lembram, convivem e resistem.

Reflexão interessante também está no vídeo Mulheres Brasileiras: do ícone midiático à realidade, produzido pelas organizações Paz con Dignidad e Revista Pueblos:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=MyDfr4N7dWk[/youtube]

Imagens: reprodução/Fora do Eixo

 

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