Comportamento Social

Não sou perfeita: sou mãe!

19 de outubro de 2017

por Observadora

Do latim perfectus, perfeição significa, entre tantos exemplos, 1.o mais alto nível numa escala de valores; 2.excelência no mais alto grau; 3.grau máximo de virtude; 4.estado ou condição de quem está livre de pecados; 5.pessoa ou coisa sem defeito.

Se juntar a perfeição com marternidade, o resultado é cobrança e muitos dedos apontados para a mãe.

Cuidar e educar uma criança não é uma tarefa das mais fáceis, é antes um desafio, onde muitos adoram opinar. Quando se é mãe solo, as opiniões se tornam ainda mais rígidas!!!

Você pode ser a mãe mais presente, emagrecer quase 20kg para não interromper a amamentação do filho alérgico a proteína do leite, passar 1 ano e 8 meses sem vida social nenhuma, sair do trabalho para casa, da casa para o trabalho… E aí os dedos apontam para sua superproteção, sua preocupação excessiva! “Deixa a criança respirar, estimule a independência, mostre para ele que existem outras pessoas em quem confiar. Volte a ter uma vida social, cuide da sua cabeça para ser uma mãe melhor, cuide do seu corpo para ser uma mãe mais disposta, busque sua saúde para seu filho não ficar sem mãe…”.

As opiniões são tantas que, se você já se cobrava, essa angústia se torna cada dia maior. Então você busca orientações profissionais e resolve seguir algumas delas. Você decide que vai voltar a ter uma vida social, escutar outros assuntos além da maternidade, ouvir boas músicas além do Mundo Bita ou Galinha Pintadinha.

Você resolve que pode tomar um vinho, uma caipifruta, um copo de água sem ser interrompida por um choro ou uma birra decorrente da idade da criança. Você decide que sairá uma vez por semana para se cuidar, para fazer suas unhas, cabelo, encontrar os amigos, dançar. Uma vez por semana. 24h para ser mais exata. E então, você começa a perceber que aquela terapeuta infantil, que te orientou a retomar a vida social, estava certa. Voltando a se sentir uma mulher, uma amiga, uma companhia divertida para boas conversas, você consegue ser uma mãe ainda melhor. Na sequência, as birras que seu filho fazia, começam a reduzir, pois sua cabeça está cada dia mais tranquila para conversar, ensinar e orientar seu bebê de 2 anos.

Monique e o filho Francisco, de 02 anos e 04 meses.

Você começa a se tornar uma mãe mais leve, uma pessoa mais feliz. Você consegue sorrir enquanto o filho está com seus pais e suas irmãs. Você consegue respirar e ter a certeza que seu filho estará seguro na sua ausência. Até que… novos dedos voltam a ser apontados. Aquela pessoa que nunca abriu mão de sua dose de whisky na quarta, quinta, sexta ou/e sábado… que nunca perdeu uma noite de sono ou um único quilo para amamentar uma criança, se volta contra você e solta a maior das acusações: Você está abandonando seu filho para ir a farras. Você não é uma boa mãe!

Você pode ter a consciência mais tranquila do mundo! Você pode ter mil pessoas te apoiando! Mas a dor de ser acusada dessa forma, machuca até a alma.

Não dói porque a opinião dos outros importa, dói porque uma mãe jamais poderia receber uma acusação desse tipo de forma gratuita. Dói porque só você e Deus sabem o que aconteceu em cada madrugada sozinha com seu filho. Dói porque suas dores na coluna estão mais incômodas a cada dia. Dói porque você precisa ir ao mercado, às 22h, após trabalhar o dia inteiro, pois seu filho gosta de uma determinada fruta e acabou a que tinha em casa. Dói porque ser mãe solo é um desafio silencioso, dói porque se as suas lágrimas caíram ao receber essa acusação, imagina mulheres que se submetem a relacionamentos abusivos e se tornam submissas. Imagina quantos dedos são apontados para essas guerreiras solitárias todos os dias.

Monique Cabral é jornalista, mãe solo, assessora de imprensa, sócia da Fenda Mini e decoradora de festas nos finais de semana.

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