Elas por Elas

O amor e a crônica de um brownie com café

18 de fevereiro de 2014

por Talita Corrêa

 

Para preservar a identidade dos envolvidos na história, a imagem usada para ilustrar esse post será a do meu brownie vespertino. É inebriada por altas doses de aaçúcar que tenho trabalhado, nos últimos dias, na parte externa de um café aqui da rua, fim de tarde. O lugar, no entanto, não é point somente meu. Ele reúne, todos os dias, uma penca de personagens para o livro que eu jamais terminarei de escrever.

Nesta segunda fui presenteada pela presença de dois casais bem opostos, em seus prováveis primeiros encontros. Durante duas longas horas, me deliciei com a minha capacidade mal educada de observar a vida alheia.

Casal número 1: rapaz espera pela moça enquanto mexe no celular. A moça, contrastando com a cor de despedida do sol, chega num vestido verde limão com salto preto em verniz e batom vermelho da promoção da Sephora. Dois beijinhos rápidos pra não borrar.

Casal número 2: a moça espera pelo rapaz enquanto faz um nó de cabelo desajeitado no alto da cabeça. Rapaz chega. Abraço de quase dois minutos. A moça se senta, confortável num short desfiado e camisa xadrez tamanho G.

O rapaz do casal 1 sugere que peçam um café com duas doses sem vergonha de leite condensado. “Não tô com fome. Não sou muito de comer”, desanima ela. O casal 2 aponta em sintonia para um waffle com nutella.

Casal 1 aproveita  o gole no café descafeinado para se perder num silêncio sepulcral.

Casal 2 ri alto da mancha de calda de chocolate no canto esquerdo da boca da moça.

Moça do casal 1 detalha a animação da sua última noite com as amigas.

Moça do casal 2 faz planos despretensiosos  sobre a noite da próxima quarta-feira com o rapaz do casal 2.

Casal 1 jamais se interrompia.

Casal 2 passava vergonha com os exagerados decibéis de muitos “Eu também”.

Moça do casal 1 não mexia no cabelo para mudar o lugar da franja.

Moça do casal 2 se perdia nos coques, rabos de cavalo, e deixava sempre aquele fiozinho cair na testa para o rapaz do casal 2 separar.

Moça do casal 1 falava das férias, falava do peso, falava do cachorro yorkshire com câncer de mama, falava. Não parava de falar.

Moça do casal 2 perguntava, se engasgava, ria, dizia, desdizia sem piscar os olhos, sugeria, explicava, relembrava, prometia.

Casal 1 pediu a conta primeiro, depois balbuciou um “A gente se fala pelo Whatsapp”.

[De mãos dadas] Casal 2 combinou um passeio de bicicletas alugadas na manhã seguinte. Talvez se casem, talvez tenham filhos. Talvez sejam.

Em dias de crise, dizem por aí que nem sempre há amor de verdade pra toda mulher.

Hoje entendi que nem sempre há mulher de verdade pra todo amor.

 

 

Imagens: reprodução

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