Elas por Elas

O conforto da comida: quem nunca comeu para ser feliz… Que atire o primeiro donut!

12 de fevereiro de 2014

por Observadora

Não há males que um bom café não cure. Um café é, inegavelmente, reconfortante. Ele é o break racional, o irmão mais velho conselheiro. É paciente, sereno e tem o poder de clarear suas ideias.

Na classe dos alimentos curativos também podemos destacar o chocolate. Ele te acalma, te entende. Mesmo sem mudar sua forma – seja de barra, de bombom, de bolo –, consegue te abraçar como nem seu melhor amigo conseguiria. Ele te abraça de dentro pra fora. Te diz que tudo vai ficar bem e, mesmo sendo o responsável por aquela sua calça não fechar depois, você sempre tem um apreço por ele.

O sorvete é nosso terapeuta. É com um pote no colo e sem nenhuma vergonha na cara que nós dividimos nossos problemas, choramos as pitangas e dizemos para nós mesmos que nunca cometeremos os mesmos erros novamente. O sorvete não julga: ele permanece doce e compreensivo mesmo quando retornamos a ele com as mesmas reclamações.

A comida é o mal do século – constatação óbvia baseada na minha pesquisa empírica com os dados da minha própria vida. O cérebro cria recompensas para os alimentos que nos favorecem (baseando-se nos conceitos evolutivos de reserva de energia), e desta forma viramos reféns do torpor irresistível que comer nos dá. Muito além de uma necessidade, comer é um prazer. E quem não quer sentir prazer? Contudo, por causa das consequências deste vício delicioso, ele se torna quase que proibido. Aquela calça jeans sem elastano é implacável. E em uma época de cobranças estéticas e pela saúde perfeita – nunca vi: cada vez inventam mais índices para serem medidos, mais exames para serem feitos, mais doenças para serem tratadas –, além da alteração na balança, comer gera peso na consciência. Gera julgamentos de terceiros.
Estamos fadados a viver sob controle, não nos permitindo todo aquele prazer que sabemos que podemos ter, somente para driblar uma característica evolutiva – ou a dura repressão de uma sociedade que, apesar de cada vez mais gorda, tem mais olhos de magro?

Perguntei ao meu café, entre uma mordida e outra no meu donut de chocolate, e ele disse:

“Ah, que se danem todos. Aqui, tome outro gole.”

 

Jessica Monstans é designer

 

Imagem: reprodução

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