Elas por Elas

‘O primeiro amor a gente nunca esquece’

29 de julho de 2014

por Observatório Feminino

Cresci ouvindo a frase: “O primeiro amor a gente nunca esquece”. Acho que por isso, se sofre tanto quando se tem a primeira decepção. A gente pensa que nunca vai conseguir esquecer e que aquela dor vai durar para sempre. Mas esquece. E outras e outras vezes se apaixona, sofre, esquece. Faz parte das nossas experiências de vida, dos nossos amores de juventude. Até que um dia você encontra aquele alguém especial, alguém que lhe completa e lhe mostra que aquilo tudo que você viveu anteriormente serviu apenas para você reconhecer o grande amor da sua vida.

Foi assim comigo. Era jovem, apaixonada, e descobri que estava sendo enganada. Foi triste perceber que a pessoa em quem confiava e amava, não sentia o mesmo por mim. Bateu um desespero, uma mágoa profunda quando descobri o quanto fui boba… Mas como já dizia a minha avó: “Quando as decepções não matam elas nos ensinam a viver”. E a vida segue. E nós seguimos mais desconfiados, mais descrentes, mais confusos. Numa incerteza que só o tempo pode amenizar. Não é fácil amar alguém, fazer planos, sonhar uma vida ao lado dessa pessoa e descobrir que o sonho era só meu e, que, na verdade, seus planos eram outros. Eu o conhecia desde os 15 anos e namoramos por quase quatro anos entre idas e vindas. Às vezes brigávamos, mas quando nos encontrávamos na praia de Rio Doce, onde veraneávamos tudo voltava. Era a magia da juventude, do mar, do sol, das longas caminhadas à beira-mar, dos jogos de vôlei, das serenatas, das conversas recheadas de sonhos… Ele era meu primeiro amor.

Um dia percebi que algo estava diferente. Seus pais, que eram do Interior, me contaram que ele iria casar com outra moça. Decepção? Decepção era pouco para o que eu senti. Perdi o chão… Quando eu era jovem, se um rapaz “mexesse” com uma garota teria que assumir o erro e casar. Foi dessa forma que vi meu primeiro amor saindo da minha vida e realizando com outra o sonho que era meu e que acalentei por tantos anos. Chorei muito, mas a vida tinha que continuar mesmo triste, mesmo sofrendo. Ele tentou justificar, mas adiantaria? Na época pensei: Por que não “mexeu” comigo, o safado? Mas eu queria que fosse tudo certinho e preferia esperar.

Não lembro ao certo quanto tempo precisei para me recuperar, mas tinha como aliada a juventude que não me deixou fraquejar e curou mais rapidamente minhas feridas.

Talvez nem tivesse dado certo comigo, como também não deu certo com a outra. Talvez esse aprendizado tenha servido para me mostrar o quanto o destino pode nos surpreender. Sofri muito, mas o amor verdadeiro veio depois e eu pude reconhecê-lo num simples olhar. Descobri com tudo isso que o primeiro amor pode não ser assim tão importante e que mais valioso é o último, aquele que ficará para sempre ao nosso lado, companheiro, amigo e com quem dividimos nossos sonhos e conquistas. Daí que eu mudaria a frase para “O grande amor da nossa vida a gente nunca esquece”.

 

 

Josilene Corrêa  é jornalista

 

Observe mais:

 ‘Deixa pra lá, vamos esquecer tudo e voltar a ser as amigas de sempre’

Imagem: reprodução / Filme ‘Meu primeiro amor’ (1991)

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