Elas por Elas

O sim e o não

11 de julho de 2017

por Observadora

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Estive pensando sobre o sim e o não.

Isso depois de ler que, segundo pedagogos, quando uma criança está na “fase do não” é porque está experimentando o mundo. Segundo esse pensamento, até então o “sim” era a única coisa que ela sabia existir, era a aceitação total do mundo como a criança conhece. E, de repente, lá vem o “não”, a aventura, o desafio…

Interessante.

Lembrei da adolescência. Eu sempre fui uma criança do “sim”. Não questionava os adultos. E, de repente, tinha que escolher entre dizer “sim” ou “não”. Foi confuso. Acabei aceitando muitas coisas que, só agora, sei que receberiam um grande e gordo “não”. O que mais me confundiu naquele momento foi uma das minhas músicas preferidas do Lulu… “Com habilidade pra dizer mais sim do que não, não, não”… Era difícil para uma adolescente entender se aprender dizer “não” era mais importante do que “sim” ou vice-versa. E quando o “não” era mais aceitável do que o “sim”? E quando o “não” era o inevitável que levava a conformidade?

Foram anos para entender as várias variantes que estão entre o “sim” e o “não”.

Hoje minha relação com o “sim” e o “não” mudou.

O “não” está por aí, em toda parte. Ele me espera no sofá abraçado à preguiça, está no caminho de sempre, se agarra aos hábitos que não consigo largar. Como diz aquele ditado gasto, “o não a gente já tem”. E muitas vezes ele é uma certeza reconfortante. Como abrir mão de um “não” quentinho, macio, sem surpresas, que até sorri?

É a possibilidade do “sim” que pode me congelar ou fazer pegar fogo. Hoje ele representa a aventura, traz aquele frio na barriga, acorda minha mente do torpor do dia a dia. O meu “sim” atual é bem distante daquele “sim” das crianças. O “sim” me faz lembrar de um filme em que um cego caminhava na beira de um precipício. Mas também me traz outras sensações como a esperança de atravessar esse caminho de pedras no oceano da vida. Me traz o frescor do vento na cara, apesar de estar sentada em cima de um caminhão numa estrada poeirenta. São várias emoções despertadas por um simples “sim”.

É, ultimamente tenho dito mais “sim” do que “não”. Talvez porque o tempo realmente esteja voando. Mas isso não quer dizer que tenho aceitado tudo. Significa apenas que a vida tem se tornado mais interessante.

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