Elas por Elas

Pai e filha, um amor tão profundo que nem a morte é capaz de apagar

24 de abril de 2015

por Ana Karla Gomes

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Ele está em mim. Nos cabelos fininhos, nos olhos que se fecham ao sorrir, no corpo magro, nas pernas finas e nos ombros largos. Está também no gosto pela leitura, jornais e revistas, no pouco que entendo do sertão como minha raiz, no gostar de cavalos e de cavalgar, entre tantas outras coisas. Até o nariz era igualzinho, aí eu fiz questão de mudar… Não carrego comigo mais esta herança.

Mas ele nunca ficou ofendido. Pelo contrário, sempre me encorajou a fazer tudo que eu quisesse e sonhasse, ainda que morresse de medo de uma cirurgia, ou quando achava, por exemplo, que Jornalismo não era a melhor escolha profissional para mim. Ainda assim, era meu fã.

Não importava para qual jornal eu escrevesse, ele já considerava o melhor do mundo e, quando não via matéria com minha assinatura, já ligava cobrando. Foi a única coisa que ele chegou a me cobrar nos 26 anos de convivência.

A vida é um sopro, eu bem sei. E, às vezes, acontecem coisas que, mesmo que a gente tente achar explicações, não estão dentro de nosso campo de compreensão. Mas, se houve algo de bom nesses últimos meses difíceis, foi o fato de estar próxima novamente, poder cuidar mais de perto e ajudar em tudo que fosse possível. Dar muitos abraços, beijos e carinho para tentar fazer dos dias duros um pouco mais leves e, das lágrimas, fazer brotar algum sorriso.

Dizem que a gente só sabe dar amor quando recebe amor, sendo assim, ele é um dos responsáveis por eu colocar um pouco de amor neste mundo. Sem dúvidas, o homem que mais me amou por esta e por quantas vidas mais uma alma tiver. Minha meta de vida, agora, é conseguir ser, ao menos, metade da mulher incrível que ele sempre acreditou que eu fosse.

O amor fica, é forte, é eterno, durou, em vida, 26 anos e 9 meses, mas perdurará para sempre, porque é tão intenso que nenhuma força é capaz de resgatar.

 

“Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata”

Carlos Drummond de Andrade

Imagens: arquivo pessoal

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