Elas por Elas

Pelo direito de desistir do que não faz mais sentido

11 de agosto de 2017

por Observadora

Foto: Pixabay

A gente sempre ouve que não deve desistir dos nossos sonhos. Mas eu acho que, na verdade, o que não devemos é desistir antes tentar, desistir antes de arriscar, pois é claro que temos que lutar pelo que queremos. Mas e quando gente tenta, luta, e percebe que aquele sonho não é aquilo que a gente realmente queria?

O que eu quero falar hoje é da possibilidade de poder desistir do que um dia foi sonho e hoje é só um reflexo da pessoa que fomos em outrora. O que um dia foi sonho, mas hoje não nos realiza, não nos movimenta nem dá sentido ou vontade de produzir.

Por que será que isso acontece?

Porque simplesmente não somos a mesma pessoa durante todas as fases da nossa vida. O sonho aos 15 anos pode não ser o mesmo que queremos aos 25. Ninguém escapa da passagem de tempo – ainda bem. Já pensou ter a mesma cabeça para sempre? A gente fica tão preso ao sonho do passado que esquece que a vida é movimento, fluidez. É isso que nos realiza e nos faz sentir inteligentes, bem sucedidos, felizes.

Se a gente muda nossos ideais, nossas referências, nossas ideias sobre o mundo, por que não mudaríamos de sonho? Sem falar que muitos sonhos são frutos da expectativa da sociedade e de padrões introjetados em nós desde muito cedo por familiares, amigos ou mídia.

Muitas vezes carregamos sonhos que não são mais nossos, visto que já não somos os mesmos. Muitas vezes precisamos desistir porque percebemos que estávamos vivendo o sonho dos outros, porque internalizamos que se é bom pro outro, seria bom para nós também. Seja uma faculdade, um relacionamento, um emprego: muitas vezes esse sonho antigo é mais peso do que realização.

A vida escapa do plano das ideias e, quando menos esperamos, nossas metas mudam conosco, porque tomamos conhecimento de quem realmente somos naquele processo de transformação chamado vida. Por isso, se conhecer é um desafio. E pode ser assustador, mas muito mais interessante e revelador do que viver para sempre com as mesmas convicções do mundo.

E agora?

O fim de um sonho pode, com o tempo, virar o nascimento de outro(s). A morte do sonho passado abre portas para que você conheça uma infinidade de possibilidades para sonhos que condizem com quem você é agora. Nada disso é regra. Só desejo que as pessoas parem de se sentir culpadas por desistirem de sonhos antigos.

Tudo bem desistir quando esse sonho já morreu junto com a antiga versão de si que um dia você foi. Você não é obrigado a carregar algo que não mais acredita. Ninguém deveria ser. E é por isso que as pessoas mudam de emprego, mudam de profissão, de cidade, de ideologia, de estilo. Se não te dá sentido, não faz sua vida se movimentar, mude! O passado é uma roupa que não nos serve mais, já dizia Belchior.

Lara Ximenes é estudante de jornalismo da UFPE, heavy user de redes sociais e apaixonada por cultura e inovação digital.

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