Elas por Elas

“Quando os preparativos da festa de casamento separam os noivos e transformam o ‘sim’ num ‘talvez'”…

13 de outubro de 2014

por Observadora

Namorei por exatamente dois anos, e quando percebi que o porteiro do prédio do meu namorado já entregava para mim as atas de reunião de condomínio, achei que era hora de mudar de casa. Não foi uma decisão romantizada, mas prática, como eu mesma sou. Com 29 anos, uma relação feliz e madura, eu reconhecia que o próximo passo era ter uma vida mais nossa. Contas nossas, sonhos nossos, problemas nossos, cantinnho nosso. Num domingo à noite, enquanto André fazia planos de pedir uma pizza por telefone, eu peguei minhas coisas e chamei um táxi. Expliquei que andava cansada de acordar lá às segundas-feiras e me estressar para ir ao trabalho sem usar a roupa que eu queria. Ele concordou que estava na hora da gente se juntar. Em casa, contei para minha mãe sobre a decisão e, em cinco minutos, ela já estava pensando na cor das fitas dos bem-casados.

Eu nunca pensei em casar com festa e pompa. Mas quando você vê suas amigas e parentes se animando com essa possibilidade, você se anima também. Convenci André a fazer uma comemoração pequena, apenas para ter registro em fotos. Fiquei pensando que, daqui a cinco, sete anos, olharia para trás e me arrependeria de não ter feito nada para celebrar essa mudança de fase , esse amor tão leve e legal que a gente construiu.

Em dezembro de 2013 comecei a pesquisar preços e opções de buffet de noiva. Descobri que não havia nada mais caro e tão na moda do que casar. Maceió andava cheia dessas assessorias para casamento, blogs, grupos nas redes sociais… E eu comecei  a me empolgar com a ideia de fazer tudo na base do Do It Yourself, ou seja, eu queria colocar a mão na massa e ter um dia que fosse a nossa cara, sem tantos serviços terceirizados. Mas não foi bem assim que aconteceu…

Escolhemos fazer a festa à tarde, numa casa de praia dos padrinhos da minha irmã. André assumiu o buffet para pouco mais de 100 pessoas, que custou R$ 8 mil, e o resto ficaria por minha conta. Ganhei o vestido da minha mãe e as lembrancinhas da minha tia. Em abril eu já tinha pago o DJ e parte da decoração. Estava tudo certo para o dia 13 de setembro de 2014. A gente casaria dentro das nossas condições e começaria uma vida nova sem dívidas.

Mas… Acontece que alguém inventou de me dizer que já não se faz casamentos sem entregar chinelos personalizados para os convidados. Que já não se convida padrinhos sem entregar um presentinho bacana para eles. Que não se dá festa sem isso e sem aquilo… Toda vez que eu pegava o telefone, um gasto novo aparecia. E nessa de “entrei na chuva para me molhar”, fui deixando os outros decidirem uma data tão importante e bonita por mim.

A moça das flores me informou que eu precisava pagar R$ 800 para que um decorador arrumasse a mesa e as bandejas espelhadas dos doces finos. Foi meu primeiro susto. A loja que me que vendeu o vestido me cobrou R$ 300 para me mandar uma “dama ajudante” no dia. Meu segundo susto.  Assim também foi surgindo a mesa de crepes, uma carrocinha de picolés com palitos gravados, as luminárias japonesas para o tal do lounge que eu nem achava necessário, os kits do banheiro, a placa da daminha de honra, etc, etc, etc. O que ia ser uma comemoração custando menos de R$ 15 mil  virou uma festa de verdade que já passava dos R$ 35.

Sou designer e comecei a pegar trabalhos nos fins de semana para juntar mais dinheiro. André começou a se irritar com isso, porque eu andava sem tempo e sem paciência. E quando ele me dizia isso, eu o acusava de insensível, de individualista. Paramos de conversar sobre cor das flores, sobre contrato como o fotógrafo. Eu estava numa vibe e ele em outra. Ele queria só que a festa tivesse um barril de chope e que o DJ colocasse um pouquinho de “Of Monsters and Men” na playlist. Eu queria que os guardanapos da mesa tivessem um prendedor de pérolas bem amarelas, que os convidados pudessem pendurar recados numa árvore com passarinhos de origami, que as crianças tivessem com o que brincar, que meu buquê não fosse óbvio, que… Que…

Cheguei a acreditar que queria casar sozinha. Cheguei a dizer para a gente desistir daquilo tudo. E a gente, que quase nunca discutia, passou a viver em pé de guerra às vésperas do “sim” mais importante das nossas vidas.

No sábado da festa eu era uma pilha de nervos. Cansada, com sono, irritada, nervosa e com uma cólica de outro mundo. Ficava pensando em tudo que poderia dar errado e no quanto os convidados sairiam falando mal daquele dia. Os músicos da cerimônia chegaram. Descobri que eles haviam esquecido de levar as camisas de botão claras que eu havia pedido. Liguei para André, que estava tranquilo e feliz, bebendo uma cerveja na piscina com os tios, e pedi que ele fosse na cidade buscar as roupas. “Amor, tem certeza que isso é tão importante assim? Relaxe, nem tudo vai ser perfeito, mas vai ser um dia lindo. Estou aqui já comemorando o pessoal, já bebi, não posso dirigir… Vamos agora esperar a hora da festa e curtir”, disse ele do outro lado da linha numa tranquilidade que nunca vi. Eu só consegui disparar um “Que ridículo”. E desliguei o telefone na cara dele.

Chorei durante duas horas, dizendo que não era aquele tipo de homem egoísta que eu queria para mim. Foi um Deus nos acuda. Sogra, mãe e madrinhas envolvidas na missão de me acalmar. Dei uma de dramática e mimada no dia em que eu devia estar apenas sendo plena, grata, alegre. A maquiadora aproveitou para me dizer que eu eu não era a única noiva a agir assim. E reforçou o rímel à prova d’água.

Às 16h30 saí do quarto com um sorriso amarelo. A música da gente tocava lá fora. Por alguns minutos lembrei de quando nos conhecemos e de quando ele me mandou aquela letra do Marcelo Jeneci… “Pra você eu sempre direi sim”. Tudo passou. A raiva, o medo, as bobagens. Eu olhei ele rindo do outro lado, e sorri de verdade também. A gente se abraçou fora de protocolo. E fora de protocolo ele me falou no ouvido que eu era a pessoa mais linda do mundo, que a única coisa que importava ali era eu. Que o coração dele estava em festa há quase três anos. E não era só naquele dia que ele seria feliz.

Chorei, chorei, chorei tanto que perdi a noção de quanto tempo a gente ficou ali, juntos como não ficávamos havia meses. Acho que ninguém entendeu a cena. Porque parecia, de fato, um reencontro. Finalmente parei de me importar com a comida, com a bebida, com os jarros que não tinham o número de flores que eu gostaria. Eu tinha um companheiro tão maravilhoso que tudo ali ficava pequeno. Dançamos, cantamos, fizemos uma centena de fotos não posadas. Fomos dormir às 5h30 da manhã. Meu vestido era um trapo e a barriga de André ainda doía de tanto rir. Deixei de ser uma noiva neurótica e passei a ser, de novo, a mulher apaixonada de sempre, a parceira que ele escolheu para dividir uma história.

Na segunda-feira viajamos. Eu me arrependi profundamente de ter cortado dois dias da lua de mel para colocar dinheiro no toldo transparente – muito mais caro que um toldo branco – da cerimônia, e no tapete que eu sequer observei na hora de trocar as alianças. Recebi um monte de mensagens no Whatsapp de gente falando que nunca viu dois noivos se divertirem tanto, e que as lembrancinhas feitas à mão por minha tia-avó de 71 anos estavam a coisa mais linda.

Quando voltamos de viagem, minha cunhada contou que havia ficado noiva durante nosso casamento. Tratou de me pedir uma lista de contatos e fornecedores e eu tratei de contar essa história que hoje conto aqui.  Quando os preparativos da festa de casamento separam os noivos e transformam o “sim” num “talvez”, está tudo errado. O que é importante, é importante. O que é supérfluo, é supérfluo. E se tem uma coisa que ensina isso a gente é o tal do amor. Fica a dica.

 

Mariana  mora em Maceió e completa nesta segunda-feira um mês de casada.

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