Elas por Elas

Saudades do tempo em que meu tempo nem era meu #diadasmãesOF

9 de maio de 2017

por Observadora

 

 

Lembro com saudades do tempo em que meus filhos eram pequenininhos e minha presença lhes era indispensável. Hoje, nem tanto.

Lembro daqueles momentos inesquecíveis em que deram os primeiros passinhos e aprenderam a andar sozinhos de bicicleta. Hoje, criaram asas e já não precisam mais de mim para seguir seus rumos.

Lembro de suas primeiras palavras, dos seus primeiros sorrisos. Hoje, ressoam como poesias na minha memória.

O tempo passou, eles cresceram, tornaram-se adultos, casaram e cada um tem sua própria vida. Netos chegaram, outros virão… E eu vou fazendo parte desse presente, menos presente do que gostaria. Culpa dessa correria do dia a dia, que quase não sobra tempo para as coisas simples da vida.

Disso tudo uma certeza, não os trocaria por nenhum outro e, se pudesse escolher, eles seriam exatamente assim. Mas é que o tempo está passando rápido demais e vez por outra vem uma saudade dos meus filhos sob as minhas asas de mãe protetora. Vem uma saudade da presença constante de sorrisos inigualáveis de filhos em nossas vidas.

Saudade do tempo em que ir à praia era sinônimo de diversão certa, brincadeiras e gargalhadas, além de carro cheio de amigos e de areia.

Saudades do tempo em que eu era a confidente e sabia de tudo que se passava em suas cabecinhas apaixonadas e sonhadoras.

Saudades do tempo em que eu sabia como acabar com as suas tristezas, e mostrar com um abraço milagroso de mãe que tudo passa.

Saudades do tempo em que eu conhecia todos os seus amigos e  fazia questão de tê-los na minha casa. Hoje, mal sei seus nomes.

Saudades do tempo em que eram adolescentes e complicados, porque mais do que nunca precisavam de mim, mesmo que não admitissem isso.

Saudades das brincadeiras, da alegria e até das brigas que não eram poucas.

Saudades das suas descobertas, dos seus desafios, das suas cabeçadas.

Saudades do tempo em que meu tempo nem era meu.

Saudades… Mas eu sei que o tempo não volta. O que volta é a vontade de voltar no tempo e viver aquilo tudo de novo.

Não reparem não! São coisas de mãe, mãe que está envelhecendo e sentindo falta do tempo em que era feliz e sabia.

Josilene Corrêa é jornalista.

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