Elas por Elas

‘Saudades do tempo em que não se precisava de muito para ser feliz’

16 de maio de 2014

por Observadora

Acho que todos os adultos já devem ter vivido essa sensação estranha de se perceber no meio ou no fim da estrada… É quando vem aquela saudade doendo de um tempo que, embora distante, se faz tão presente na memória: nossa infância. Aquele tempo em que não tínhamos compromisso com nada e que era muito mais fácil ser feliz.

Ao lembrar desse tempo hoje, aos 56 anos, logo me vejo comparando as crianças da minha época às de hoje em dia. Quanta diferença. Para começar, as brincadeiras mudaram… Já não se brinca de amarelinha, de pular corda, academia, passar o anel… Agora tudo gira em torno do computador e dos jogos eletrônicos. As crianças passam tanto tempo diante deles que até que nos esquecemos delas… Tal o silêncio.

E o que falar do comportamento dessas crianças nas escolas? Eu tinha por meus professores o maior respeito e carinho. E naquele tempo o aluno era repreendido e até suspenso se os tratassem desrespeitosamente. Hoje as crianças não parecem ter a mesma admiração por seus educadores  e os pais as tratam, muitas vezes,  como se fossem uns principezinhos que podem tudo, até faltar o respeito com quem lhes ensina. Profissão ingrata, essa. Mas para mim, uma das mais dignas. Até hoje, lembro com carinho da minha professora de Português, d. Gicélia, do Colégio Eucarístico. Foi ela quem descobriu o meu carinho pelas palavras e me incentivou ao jornalismo.

E por falar em saudade, não dá para esquecer os meus pais. Naquele tempo bastava um olhar para que entendêssemos que era preciso parar. Desobediências eram resolvidas com castigos (quando deixávamos de fazer o que mais gostávamos) e algumas palmadas que não me deixaram revoltada, muito menos necessitada de ajuda psicológica. Não me tornei uma delinquente por ter levado uns safanões quando merecia. Pelo contrário, sou uma cidadã do bem, graças a essa educação cheia de bons valores e disciplina que recebi. Não estou fazendo apologia à pancadaria nem incentivando ninguém a bater em seus filhos. Mas que naquele tempo  os filhos eram mais obedientes, isso eram.

Tudo era mais tranquilo. Lembro que andava de bicicleta pelas ruas do Torreão, onde morava, em Recife, sem ter medo de que a levassem. Brincávamos de empinar pipa e de bola de gude nas calçadas e não nos sentíamos intimidados por isso. Fazíamos festinhas em nossas casas e nas dos amigos, tudo na maior alegria, sem brigas, sem gritos, sem drogas, sem desrespeito. Éramos felizes. E hoje o que se vê? Um perigo constante nas ruas, com nossas crianças expostas a pedófilos, estupradores, traficantes… Não existe mais aquela tranquilidade de antes, quando se ficava na porta de casa à noite, todos conversando, pois se corre o risco de ser assaltado ou sequestrado.

É, realmente, tudo mudou. O progresso veio para melhorar muita coisa, mas também levou a ternura, a paz e a tranquilidade desse tempo. Levou a rigidez da nossa educação, mas deixou em seu lugar muita indisciplina e desrespeito.

Saudades da minha infância, saudades  do tempo em que não se precisava de muito para ser feliz.

 

Josilene Corrêa  é jornalista e já escreveu para o OF  artigos como:

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Síndrome de Down: um cromossomo a mais e muito empenho para vencer as barreiras

Vinícius de Moraes que me perdoe, mas beleza é mesmo fundamental?

A gente casa pensando que felicidade é pra sempre. E se não for?

O que é felicidade para você?

Ei, depressão, dá licença que eu vou passar

Quando nossos pais envelhecem

Quando nossos filhos crescem

Quem tem o mínimo de sensibilidade, se comove com o olhar triste e carente de um cão ou gato de rua

 

Imagem: reprodução / Prêmio Santa Maria: Gabriela dos Santos Rodrigues

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