Elas por Elas

Seja bem-vindo, senhor Setembro!

8 de setembro de 2014

por Observadora

“Quando o mundo ainda conhecia somente três estações, a amizade entre um jardineiro, já idoso, e uma menina de 9 anos mudou as regras das estâncias da vida. Filha única de um rei viúvo, a garotinha não conhecia crianças de sua idade, sentia falta do carinho da mãe e, por precisar lidar com a amargura que sobrara no coração do pai, vivia triste e jamais sorria. O jardim colorido que circulava o castelo lhe parecida distante e frio, nem mesmo a dança que os passarinhos faziam lá fora logo de manhã era capaz de lhe tocar a alma. Um jardineiro que vivia sozinho numa casinha próxima, lamentava, todos os dias, o olhar desgostoso da pequena princesa através da janela. Ele esperou nascer a flor mais bonita do viridário e pediu que a entregassem para a menina. O senhor repetiu o gesto durante quatro semanas, dia após dia. Quando completou um mês, o jardineiro percebeu que garota havia replantado cada uma das flores em seu quarto, criando um jardim colorido que despontava na janela. Pela primeira vez, a princesa sorria.

O inverno chegou. O jardineiro, muito velhinho, já não tinha forças para buscar lenha e se esquentar. Com o frio, acabou adoecendo sem que ninguém soubesse e morreu sozinho, deitado em sua cama. Ao receber a notícia de que seu único e verdadeiro amigo havia morrido, a princesa chorou sem parar por meses, fazendo da chuva de lágrimas outra característica do sábio inverno. Quando seu pranto secou, ela decidiu que, ao se tornar rainha,  mandaria, uma vez por ano,  que plantassem, em todos os lugares – todas as ruas, frestas, becos, terrenos, jarros de janelas, quintais, parques e praças – flores iguais às mais bonitas flores do jardineiro. Não demorou até que sua ordem se cumprisse e o mundo, que antes só conhecia o calor do verão, a transição do outono e o frio do inverno, passasse também a conhecer o amor e o colorido que a primavera de dois amigos trazia. Era, enfim, o mês do jardineiro, o tempo do senhor setembro ”.

Os anos passam, a gente envelhece, mas os amigos verdadeiros continuam presentes em nossas vidas, e em todos os momentos. Eles não desaparecem quando as dificuldades surgem, eles comemoram felizes as nossas conquistas, não só oferecem o ombro para que choremos nossas mágoas, mas nos dão forças para que superemos nossos problemas.

Amigo de verdade não mede esforços para estar ao nosso lado quando precisamos e não cobra por isso, não nos rememora essa doação quando também precisa do nosso apoio. Amigo respeita nosso silêncio, nossa inquietude, nossas decisões, mesmo as não acertadas. Poderão até nos aconselhar, mas com a sinceridade de quem quer nos ver felizes.

Não importa a circunstância em que estamos, o pouco ou muito que temos, o amigo verdadeiro enxerga a nossa essência. Ele nos ajuda a construir e a colar os pedacinhos quando nosso coração está partido. Amigo verdadeiro nos enxerga como tal, sem interesses, sem falsidade, com compreensão. Ele faz parte da nossa lembrança porque está presente na nossa história.

São anjos que Deus coloca no nosso caminho para que nos ajudem a suportar a tristeza e a comemorar quando estivermos felizes. Não importa a situação, estarão sempre ao nosso lado e é isso que os tornam diferentes e especiais. Podem até não ser muitos, mas são suficientes, na dosagem certa, na quantidade exata que precisamos.

O interessante é vê-los nas nossas diversas fases, caminhando e amadurecendo ao nosso lado. Em setembro, mês da primavera, das flores, lembro dos amigos que não nasceram neste mês por acaso. São flores e têm perfume de amizade.

 

*Dedico esse texto às amigas Ariadne Quintella, Hedênia Cintra, Ligia Regis Caminha e Sandra Campos.

 

Josilene Corrêa  é jornalista e já escreveu para o OF artigos como Depois dos “enta”…

Imagem: reprodução  

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