Elas por Elas

Ser mulher aos 16

1 de abril de 2014

por Observadora

Nosso corpo muda, ganha curvas, volumes diferentes, sangue correndo por entre as pernas, dores estranhas… Os meninos começam a se interessar por nós, e nós por eles. As opiniões e gostos começam a se formar. Inseguranças, indecisões, impaciências, confusões, paixões, dúvidas, questionamentos, momentos engraçados, momentos difíceis… Tudo se junta na nossa cabeça ao mesmo tempo.

É assim quando começamos a deixar a infância e virar mulheres. São tantas mudanças, físicas e mentais, que é complicado de entender e administrar. Talvez esse seja um dos maiores desafios de passar pela adolescência feminina.

Eu não brinco mais de fingir ser “gente grande”. Preciso aprender a ser realmente “gente grande”.  Aprender a ser a “mulher” que dizem que eu, há pouco saída da infância, já sou. É estranho e complicado porque eu nem sei direito se ajo certo como mulher. Às vezes me sinto menina, muito mais menina do que dizem que sou.

Talvez mulheres mais maduras já tenham se acostumado com as coisas que ainda me assustam.  Por exemplo, agora tenho que tomar cuidado com a roupa que visto ao sair sozinha para não chamar muita atenção. Não entendo que tipo de coisa alguns homens têm na cabeça para nos dizer tamanhos absurdos nas ruas. Tento andar pelas redondezas do bairro sempre com um amigo homem para evitar qualquer cantada indesejada do cara do barzinho…

Aprendi a medir palavras para não ser mal interpretada. Tenho que me preocupar com meu corpo, saúde e alimentação, já que agora isso não é mais responsabilidade da mamãe. O tamanho da minha bunda e do meu peito vira elemento de competição para ganhar garotos e falar de outras mulheres.

A estranha sensação de que está dando tudo errado e a insegurança para sair vestida como mulher na rua ainda me atormentam. Afinal, só tenho 16 anos. Já é permitido usar uma roupa decotada e batom vermelho nesta idade? Porque às vezes me sinto julgada se saio com uma roupa mais provocante, mais mulher. O que contradiz aqueles que não me classificam mais como menina.

Creio que o maior desafio não é em si “ser mulher aos 16”, mas aprender a ser mulher. E durante toda a adolescência. As angústias e confusões desse difícil aprendizado acabam tornando esta uma das mais complexas fases das nossas vidas.

Crises de choro, crises de riso, crises de grosseria com todo mundo, crises, crises e mais crises… Tudo para, me parece, um dia conseguir me enxergar completamente mulher, olhar pra trás e dizer: Nossa, foi complicado, mas eu aprendi.

 

   Bruna Paiva é estudante e autora do blog Adolescente Demais

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