Comportamento Social

Solidão Exposta

14 de outubro de 2017

por Observadora

Sempre que acontece algo relevante comigo eu gosto de compartilhar. Seja bom ou ruim. Quase sempre levo uma bronca dos amigos mais íntimos. Eles reclamam que eu não me preservo e que não veem necessidade na minha exposição.

Qual seria a necessidade de falar sobre o que acontece comigo? Por que expor minhas conquistas ou minhas fraquezas para tantas pessoas? Eu não me importo com a inveja e o olho gordo das pessoas nas redes sociais?

Conheço uma pessoa pública bem famosa que uma vez comentou comigo que o Facebook era um banheiro público (químico) e que não se pode levar a sério o que se coloca ali. E ele ainda completou o raciocínio, dizendo que não dava para levar a sério ninguém que posta algo em redes sociais. Mas ele próprio não deixa de fazer “live” para divulgar seus trabalhos. Vai entender…

Tive um namorado que reclamava demais da minha exposição no ‘Face’; vivia fazendo piadas e dizendo que eu postava tudo (até quando eu ia ao banheiro!:),  mas, não pensou duas vezes em me trair e me expor no trabalho dele durante meses com a sua atual namorada. Tipo: Todo mundo sabia no mundo real, mas, no mundo virtual ele era super discreto…Vai entender – Parte 2.

Tem vezes que eu me pergunto porque eu me exponho tanto… Mas, é porque eu sou assim: gosto de desabafar, minha vida é um livro aberto, não tenho o que esconder, se eu estou feliz o mundo inteiro sabe, mas se estou triste o mundo inteiro sabe também! Seria facilmente uma pessoa pública. Adoraria ter um programa de conselhos amorosos, falar para as pessoas… Falar, dar ideias!

Na maior parte das vezes eu não consigo entender o que faz as pessoas terem redes sociais e ficarem reclamando de exposição. Em um mundo globalizado, porque você tem uma rede social? Se você não quer se expor é só não ter Facebook, Instagram, Snapchat, Twitter, etc…, não é mesmo?

Acho que se acontece algo bom comigo e eu quero compartilhar minha ideia é porque, de repente, posso ajudar uma pessoa que está passando por um momento triste. A ideia é dizer que “não há mal que dure para sempre”, que coisas boas acontecem para quem acredita. Quando acontece comigo uma história boba, porém, gentil, no metrô, por exemplo, eu gosto de postar para falar que o mundo não tem apenas coisas ruins. Afinal, acontecem coisas legais também. Quando vejo uma injustiça, gosto de compartilhar para ver se só eu penso assim, se estou “afinada” com alguém ou se não sou mesmo desse planeta. Gosto de pensar e dividir sonhos e acreditar que o mundo pode melhorar, que viver bem não é impossível.

 

Quando acontece algo ruim comigo e eu compartilho, quero dizer que a vida não é um mar de rosas, mas que sou uma fênix e consigo me reerguer!

Tenho escrito muito e guardado pra mim. Às vezes posto o que escrevo. Tenho me arriscado a fazer crônicas. Outro dia, pela primeira vez, fiz uma prosa para minha mãe falecida e ensaiei um poema para uma amiga.

Recebo muitos elogios. Minha irmã vive insistindo para que eu escreva um blog. Mas, irmã não vale! Tenho um projeto de criar um canal no YouTube, onde eu possa falar o que eu penso – sobre tudo. Vou contar sobre os meus amores e os dissabores dos meus 40 anos vividos. Vou contar da minha vontade frustrada de ser cantora, da dificuldade de criar um filho adolescente sozinha (com o pai morando em outro Estado), de ter uma família pequena e pouca gente pra contar, de ser freelancer e ter que rebolar muito para sustentar a minha vida e a do meu filho, da minha procura pela tampa da minha panela, enfim, eu vou me expor e vai ter gente pra caramba para dar pitaco sobre a minha exposição. Falta só a coragem! Mas, um dia rola… Ah rola!!!

Mas quer saber?? Eu acho que puxei a minha avó. Minha avó era assim. Entrava em um táxi perguntava a vida toda do taxista e depois contava a vida dela todinha. No final da corrida, ela dava o endereço dela e falava para a pessoa aparecer para tomar um café com ela. Eu pensava que isso era coisa de uma pessoa muito sozinha.

E acho que eu sou uma pessoa sozinha! Faz parte. É isso.

Mas, não é pra ser triste. Nem alegre. É pra aceitar. Coisa de quem vem de uma família pequena.

Talvez esteja na hora de aceitar isso e parar de lutar contra essa solidão. Ela não precisa ser doída. É que para uma canceriana que gosta de gente, de coração aquecido, solidão é algo que tende a ser triste. Mas, quem sabe não seja a hora de ressignificar as coisas? Talvez seja a hora de crescer, aceitar e parar de se machucar. Talvez assim haja menos exposição e mais paz no coração!

Theodora Chevalier é Produtora de Eventos, Cinema e TV. E mãe do Luca Chevalier.

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