Elas por Elas

Sou feliz, trabalho de tênis!

31 de outubro de 2012

por Observadora

Por Joana Moura

O velho ditado de que é sempre tempo para recomeçar, parece ficar cada dia mais obsoleto no mundo atual. Ansiamos, calculamos, projetamos e planejamos nossas vidas como se elas fossem uma soma exata e previsível, e, logo, tão obviamente, nos frustramos. Taurina e teimosa, eu resolvi acreditar na sabedoria popular , reinventei meu tempo e conferi fé ao ditado. Recomecei e construo hoje, todo dia, o meu amanhã com a certeza de que sou mais feliz.

Não, essa não é a história de uma mulher de 50 anos, advogada, casada e mãe de três filhos que resolveu largar tudo para sair em turnê pelo Brasil cantado funk. Mas essa é a minha história, de mudança de profissão, próxima talvez daquela ideia que muitas de vocês já tiveram, mas nunca conseguiram por a coragem na frente e a prática na vida.

Minha adolescência foi dividida entre o amor pela escrita e os treinos de futebol e na academia. Sempre fui também apaixonada por esportes e literatura, pratiquei vários, li de tudo! Por vaidade, e incentivo dos próximos, fui ser jornalista. Minha graduação inteira foi vivenciada sem muitos encantos com o curso, gostava, mas nunca amei!

Aos 21 anos, tinha o meu primeiro diploma na mão e dentro de mim pouca coisa se preenchia. Fiz um curso bem feito, sem ir para nenhuma prova final sequer e desenvolvi uma carreira e um nome na condição de jornalista que caminhava, na medida que o mercado permite, bem. Mas faltava alguma coisa…

Quatro anos depois de me formar, resolvi então me render ao que realmente enchia meus olhos. Decidi ingressar no curso de Educação Física e descobri amor e vocação. Houve quem me chamasse de doida, houve quem dissesse que já não era sem tempo de eu perceber qual era a minha cara. Aí eu fui, e mais uma vez, dei a tal cara pra bater. Com amor, a vida não me deu nenhuma bofetada, mas me acariciou com o prazer de estudar e me identificar com a minha nova profissão.

Não foi e nem é fácil. Ser estagiária aos 27 anos, enquanto a maioria das suas amigas já está super estabelecida profissionalmente, comprando carros, imóveis e fazendo as mais incríveis viagens, é complicado. Calcular a formatura e a data prevista para casar e ter filhos, também foge do previsto.

Joana ministra aulas de ginástica laboral na Refinaria Abreu e Lima (Ipojuca/PE)

Quando esses pensamentos começam a tomar conta de mim, eu lembro do prazer que me dá poder trabalhar de tênis, cuidar de gente, ser chamada de professora e movimentar o meu corpo o dia todo, então eu me renovo em força para seguir em frente e buscar meu espaço com a maturidade que ao entrar na primeira graduação, eu não tinha. Sou feliz, larguei o salto-alto, pelo menos no dia a dia.

Talvez, essa não seja a história mais sensacional de vida, mas o que eu pretendo com ela é afirmar a grande chance que temos de ser autores da nossa história, da oportunidade diária que nos é dada de construir, sem medo de mudanças, o que queremos para as nossas vidas. Não existe história perfeita ou completamente planejada, o nosso único e maior plano, precisa ser o de SER FELIZ, e só dá pra ser feliz, fazendo o que se ama.

 

 

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