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Vinícius de Moraes que me perdoe, mas beleza é mesmo fundamental?

6 de março de 2014

por Observadora

Cirurgias que acabam mal. Regimes que viram doença. Cremes milagrosos que se transformam em pesadelo. Cartões de crédito estourados e um sorriso de mentira. Existe por aí um perfil de beleza  que tem levado  mulheres a obsessões desenfreadas para alcançá-lo.  Uma boa aparência é importante e a autoestima é um sentimento positivo, que as pessoas precisam desenvolver para se aceitar e conviver bem com os outros. Mas o que está havendo há um bom tempo no mundo feminino é a supervalorização do aspecto físico, o apego ao exagero, ao ponto de levar muitas de suas vítimas à morte. A anorexia está aí para provar… E assombrar. Desse monstro opressor, que se alimenta da perfeição, não escapam nem as crianças e os adolescentes, pois a neura da lindeza impossível atinge qualquer idade, já que somos desde cedo vitimizados pela cobrança de uma aparência irretocável. Quase sempre, qual a primeira frase que ouvimos ao nascer? “Ele é perfeito. É lindo”.

Nesse mundo vaidoso, um universo de gente mais saudável e preocupada com o futuro também se abre. As academias estão cheias de jovens que desejam uma barriga sarada. Isso é ótimo. Mas é importante que a estética nao se torne única ou principal motivação na vida dessas pessoas. É importante que o acompanhamento de profissionais da área não seja dispensando e, mais ainda, importante que as pessoas parem de enxergar as cirurgias plásticas como uma extensão ou consequência natural do que o exercício físico não trouxe em curto prazo.

É como se vivêssemos expostos em uma vitrine, tentando parecer cada dia um pouco mais com modelos de televisão e revistas. Entram em cena dieta, cosméticos, roupas de grife… A indústria da estética   investe pesado na publicidade, explorando a insegurança de alguns, fazendo-nos acreditar que vale tudo para atingir esses objetivos, que nossos valores são ultrapassados e que beleza , sim, é fundamental. Quem pode viver feliz depois de entrar nessa prisão?

Essa realidade sedutora nos traz a expectativa de um corpo perfeito que nem sempre somos capazes de ter. O que nos torna vulneráveis a transtornos alimentares, à depressão e a uma insatisfação que, não raramente, leva gente ao desespero e à morte.

Todo cuidado é pouco quando se trata de vaidade humana. Nada de críticas muito severas quanto à aparência das pessoas. Nada de cobrar dos filhos e dos amigos um corpo perfeito, uma beleza que não se tem. As pessoas devem ser valorizadas por aquele charme que requer identidade, espontaneidade. Não pela mesma perfeição previsível e acomodada que se vê em um quadro inerte.  Desculpe, mas beleza não é fundamental como disse Vinícius de Moraes. Fundamental é ser livre e feliz.

 

Josilene Corrêa  é jornalista e também escreveu para o OF os artigos “A gente casa pensando que felicidade é pra sempre. E se não for?“, “Doação de órgãos: quando o encontro da dor com a alegria vira amor“, “O que é felicidade para você“, “Ei, depressão, dá licença que eu vou passar“,  “Quando nossos pais envelhecem“, “Quando nossos filhos crescem” e “Quem tem o mínimo de sensibilidade, se comove com o olhar triste e carente de um cão ou gato de rua

 

Imagem: reprodução

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