Cultura

Cine PE: penúltima noite do festival foi marcada por pernambucanidade, looks descontraídos e apoio ao Ocupe Estelita

8 de maio de 2015

por Estevão Soares

Se no ano passado a internacionalização marcou o Cine PE, neste ano, em sua 19ª edição, o festival está mais pernambucano do que nunca em todos os aspectos. Desde o lugar onde este está situado, o Cinema São Luiz, simbólico para a cidade do Recife, até a programação, que contou, nesta quarta-feira (06.05), com uma programação inteiramente dedicada a Pernambuco.

O OF esteve presente na penúltima noite do evento e presenciou um espaço que respirava cinema e onde todos ali estavam com o mesmo objetivo: contemplar o melhor da sétima arte brasileira e não somente tietar famosos, como acontecia em anos passados. Aliás, vale ressaltar que, na noite desta quinta, nenhum global deu pinta pelo salão do festival, mesmo com a apresentação do filme “O amuleto”, que contava com Maria Fernanda Cândido e Bruna Linzmayer no elenco. O filme, apesar das rápidas idas e vindas que levava o público a se dispersar um pouco na história e atuações ainda muito verdes de atores jovens e desconhecidos, foi muito aplaudido no término.

A turma que desfilava pelo evento manteve a premissa de conforto e modernidade no vestir-se para ir ao festival. A paulistana Laila Pas, atriz do filme “Permanência”, que havia sido exibido na noite anterior e produtora de um dos curtas da noite, “Como são cruéis os pássaros da alvorada”, dirigido pelo namorado João Toledo, apostou em um look cheio de personalidade e comentou sobre a produção.

“Meu guarda roupa é basicamente composto por vestido, que eu acho prático, pois com uma peça de roupa você fica bem e eu não sou muito de juntar peças. Eu até gosto de fazer composições, porém me sinto mais confiante quando estou usando um vestido que eu gosto, pois já é um look pronto. Não entendo nada de marca. Tenho muita roupa de brechó ou doada, porque mesmo em brechó, hoje em dia, é tudo meio caro, o estilo vintage é caro, então, esse vestido que estou usando era da tia avó da minha amiga. Faço uns bazares coletivos entre amigas que dá muito certo, onde trocamos as roupas”, falou.

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(Laila Pas)

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 (João Toledo, namorado de Laila e diretor de um dos curtas da noite, não ficou atrás na questão estilo e construiu uma produção jovem e de personalidade, que foge das cansadas camisas com marca americana em alto relevo ou símbolos de grife bordados. Sem ostentação, João acertou, principalmente, por fugir do que todo mundo usa).

Outra que nos chamou atenção pelo que estava vestindo foi a mestre de cerimônias da noite, Graça Araújo. À frente da apresentação do Cine PE desde o primeiro, Graça estava de curto, algo que, até então, eu não havia visto no Festival. “Eu abri o Festival de longo e os outros dias todos estive de curto. Entre um e outro, prefiro o curto pois ele me aproxima mais do público e eu fiz questão de usar o comprimento porque acho que combina melhor com o cinema. Enfim, ares novos”, disse.  Saindo do assunto fashion para o retorno do Cine PE para o São Luiz, a jornalista acredita ser essa a casa do Festival. “Tudo bem que o Festival teve que sair daqui por anos pelo fato da plateia ser imensa, três vezes a capacidade do espaço, mas foi muito oportuna a volta para cá. Eu acho que essa é de fato a casa do Festival de Cinema”, enfatizou.

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(Graça Araújo, com look da loja DellPizzi, de Diana Janguiê, nome inclusive que assinou o styling da jornalista no evento. A maquiagem é de Ricardo Laranjeira)

No mais, influências boho, setentista e rocker figuraram as produções dos jovens presentes. Nada formal, porém, com detalhes que faziam a diferença no look, sejam nos acessórios usados ou na proposta de roupa.

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Caso Estelita

A noite também foi marcada pelo apoio ao Ocupe Estelita, com os diretores dedicando seus filmes ao movimento que luta contra a extinção do Cais José Estelita. Destaque para Julio Cavani, diretor do curta “História Natural”, e para Miguel Moura, diretor de “Como são cruéis os pássaros da alvorada”, que fizeram questão de usar a força pública e a exposição que tinham naquele momento para levantar a bandeira em prol da resistência do Estelita. O projeto simboliza de certo modo uma afronta que tirará um dos maiores cartões postais da capital pernambucana, substituindo-o por prédios. Nada contra a modernização, porém ela poderia ser feita de outra forma, mais responsável e consciente, vide os moldes europeus de reurbanização de área e até dos nossos amigos sulamericanos, que, na Argentina, reformularam o Puerto Madeiro e o transformaram, sem agressão, numa zona aprazível e turística.

Imagens: Estevão Soares – Observatório Feminino

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