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Mês das noivas: da Roma Antiga ao século 21, confira a evolução dos vestidos de casamento

2 de maio de 2014

por Talita Corrêa

Até hoje não se sabe exatamente porque maio foi eleito o mês das noivas. Entre as várias explicações que existem por aí, há aquela que associa a chegada da primavera no continente europeu à perfeita escolha do quinto mês do ano para a celebração da vida e do amor. Faz sentido.

É lembrando dessa tradição que terminamos a semana organizando a evolução de um dos itens mais importantes para uma mulher que decide subir ao altar: o vestido. Passeando por livros como “O Vestido de Noiva”, de Harriet Worsley, “100 Anos de Moda: A História da Indumentária e do Estilo no Séc. XX – dos Grandes Nomes da Alta-Costura ao Prêt-a-Porter”, de Cally Blackman, e “Costume Design in the Movies”, de Elizabeth Leese, é possível perceber que, da Roma Antiga ao século atual, as roupas usadas pelas noivas na hora do “sim” contam, ao longo dos anos, um pouco da História do mundo, de maneira bem peculiar.

Roma antiga: túnica branca e flammeum (véu de linho bem fininho)  formavam o figurino usado pelas noivas dos casamentos em VIII a.C.

Idade Média:  vestidos muito bordados traduziam a riqueza da família das noivas entre os séculos V e XV. O vermelho era comum na cerimônia, por representar a capacidade da mulher de gerar sangue novo.

Alta Idade Média: a cor verde era moda entre as noivas burguesas, que buscavam fertilidade. Elas ainda costumavam desfilar com o ventre saliente para exibir o desejo de procriação.

Renascimento: veludo e brocado entram cena. As cores do brasão da família do noivo eram destacadas nos vestidos das mulheres e a tiara na cabeça era tradição entre o final do século XIV e o início do século XVII.

Segunda fase do Renascimento: o preto protagonizou as cerimônias religiosas, inclusive o casamento. Mas foi também nesse período que apareceram as primeiras peças brancas, consideradas sinônimo de elgância.

Rococó: tecidos brilhantes, bordados com pedrarias e babados de renda, em tons pastel eram a tendência trazida pelo movimento estético que floresceu na Europa entre o início e o fim do século XVIII.

Era vitoriana: a rainha Vitória vestiu branco ao casar em 1840 , contrariando a tradição mais forte da época. Muitos anos depois, o papa Pio IX decretou que todas as noivas deveriam usar trajes claríssimos para demonstrar a castidade.

Art Nouveau: o estilo Art Nouveau foi popular entre 1890 e 1910 e marcou a transição de uma arte mais clássica para uma produção moderna. A fonte de inspiração para os artistas da época era, principalmente, a natureza. Vestidos com aplicações de tecidos entravam em cena.

Belle Époque: com a influência da Belle Époque francesa, os vestidos do início do século 20 eram extremamente ornamentados, com véus longos e muitos enfeites de flores.

Década de 30: o corpo da mulher volta a ser valorizado com silhuetas mais ajustadas, mas os vestidos eram mais simples, seguindo o contexto da crise do período entre-guerras. Na foto, cena do filme “Aconteceu Naquela Noite”, de 1934.

 Segunda Guerra:  na década de 40,  os vestidos eram feitos com pouco tecido, já que, em países como França, Inglaterra e Estados Unidos, havia até uma quantidade limitada para a compra de tecidos e roupas, por conta da Segunda Guerra Mundial. Foi aí que se tornou comum ver noivas se casarem de tailleur. Em 1947   o estilista Christian Dior criou o icônico conjunto New Look, que marcava a cintura e valorizava o corpo. Na foto, Katharine Hepburn vestida de noiva no filme “A Mulher do Dia”, de 1942.

Década de 50: a manga longa é uma característica marcante dos anos 50, como mostrou a atriz Elizabeth Taylor no  filme “O Pai da Noiva”, de 1950.

Estilo cinquentinha: gola alta e o comprimento midi eram popularizados por Audrey Hepburn, que casou  com Mel Ferrer  em 1954.

Vestido Grace Kelly: até hoje o vestido de mangas longas rendadas e gola alta usado por Grace Kelly no seu casamento com Rainier III, Príncipe de Mônaco, é copiado. Ele virou sinônimo de feminilidade e realeza.

Anos 60: Yoko Ono usou minissaiana hora de seu ”sim” a John Lennon, em 1969. Entrava em cena a liberdade de expressão da noiva e até casacos de pele na ceriônia eram possíveis.

Anos 70: o estilo retrô e o movimento hippie, com suas flores e rendas, apareceram em muitas peças. Bianca Jagger, que se casou com o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, usou chapéu,  véu cobrindo o rosto e um conjunto de blazer decotado com saia longa, virando uma das noivas icônicas da época.

Estilo princesa: os anos 80 trouxeram cores, brilhos, volumes e as famosas ombreiras.  Com mangas bufantes, cauda gigante e saia volumosa, o vestido usado pela princesa Diana em 1981 marcou a época e entrou para a história.

 Década de 90: quando ainda nem sonhava que seu marido se tornaria presidente dos Estados Unidos, Michelle Obama trocou alianças com Barack Obama, em 1992, usando o que era a pedida da época: ombros à mostra e tecidos menos trabalhados.

Anos 2000: o tomara que caia reina e a estilista norte-americana Vera Wang se torna uma das queridinhas das famosas. Mas foi Stella Mac cCartney quem desenhou o modelo usado por Madonna para subir ao altar com Guy Ritchie.

Headbands: os acessórios ganham mais destaque e muitas noivas passam a usar gargantilhas, braceletes, tiaras e headbands, a exemplo da apresentadora Angélica, que disse seu “sim” a Luciano Huck em 2005.

Renascença: a delicadeza da renda renascença, usada no vestido de noiva da personagem de Isis Valverde em “Ti ti ti”, novela de 2010, vira preferência entre noivas que querem fugir do óbvio e optar por peças mais exclusivas e artesanais.

Crochê: assim como a renda renascença, o crochê conferiu exclusividade, simplicidade e um toque artesanal aos vestidos de noiva. Com a moda dos mini weddings, vestidos menos tradicionais, com cortes retos e comprimento curto viraram febre. A atriz Luana Piovani apostou na tendência ao realizar uma cerimônia íntima de casamento em 2013.

O que é moda em 2014: bordados assimétricos, que criam uma ilusão de ótica quanto à silhueta da noiva, estão em alta. Para a estilista Monique Lhuillier, conjuntinhos de vestido reto com uma espécie de capa transparente também têm vez neste ano. Já a grife Marchesa (foto abaixo) garante que a beleza clássica e discreta dos cortes de caimento natural e renda bordada vão marcar 2014. Vamos esperar… Tem muito ano pela frente. Até lá, muitas novidades e noivas famosas devem chegar para lançar moda e fazer História.

 

Imagens: reprodução

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