Comportamento Social

E se seu filho fosse policial?

17 de outubro de 2017

por Observadora

Logo ontem (16.10), data que minha filha completou 02 anos, li novamente uma matéria (dessa vez, no site BBC Brasil) sobre a dor das mães de policiais que perderam seus filhos enquanto eles protegiam a população. Bateu fundo. Lá dentro. Tentei imaginar o quão terrível seria viver em um mundo onde meus olhos não encontrassem mais os da minha filha. Não deu pra mensurar. Achei injusto.

Mas não, esse não é um post sobre maternidade.

Enquanto eu comemorava mais um ano com a minha pequena, mães sentiam – e sentem! –  a mais profunda dor da ausência. Como Zoraide e Francilene, que ilustram a matéria, algumas genitoras já perderam seus filhos há anos, décadas, não importa. O maldito vazio não tem prazo de validade. É algo que ninguém, nem tempo algum preenche.

Mas não, esse não é um post sobre a ausência mais indesejada.

Tentei, mais uma vez, me colocar no lugar delas. Imaginando, supondo o que seria conviver com esse sentimento e, ainda assim, receber diariamente olhares e comentários suspeitos da sociedade: “Vai ver que seu filho estava envolvido com traficante, por isso que o mataram!”, afinal, “a polícia é bandida”, não é mesmo?

Não, nem todo policial vende a sua alma ao diabo, nem todo homem fardado se entranha em um sistema corrupto. Ao contrário, logo aqui na vizinhança, encontramos uma Polícia respeitada. Os jovens chilenos têm o sonho de se tornarem Carabineiros do Chile, a instituição policial do País. Lá, as famílias não só sentem orgulho dos filhos e netos que ingressam nesta carreira, mas desejam que eles a escolham. Eles acreditam que a entidade é a de maior credibilidade do continente sul-americano.

Sim, este é um post sobre o abismo de realidades entre duas instituições que existem com o mesmo propósito: garantir a ordem e a segurança pública.

No Brasil, além dos riscos reais de um país violento, as condições precárias de trabalho e a faixa salarial a que a classe policial está submetida, o olhar preconceituoso lançado sob os profissionais do segmento, visto o envolvimento de muitos profissionais em situações criminosas, provocam repulsa. Todo esse combinado de fatores impede que muitas famílias incentivem o investimento na carreira, como disse Francilene, em trecho da matéria citada: “Acho que mãe nenhuma, hoje em dia, gostaria de ter um filho policial”.

Sim, este é um post que reforça a legitimidade da minha insegurança diante de uma instituição que eu deveria confiar.

Esse abismo de realidades, neste contexto de Segurança Pública (que é um dos que mais me preocupa), me desmotiva a seguir aqui. Pago impostos de Primeiro Mundo e consumo serviços de quarta qualidade. Acho que o meu inconformismo com a existência de tantas mazelas sociais veio com a maternidade. A tolerância ao pânico de sair à rua está baixa, quase negativa…  Até quando a polícia que mais mata vai ser a que mais morre também?

É F#%@ ouvir sobre tantas vidas perdidas, histórias interrompidas e sofrimentos sem prazo de validade. É F#%@ morar em um país que ninguém sabe o que é pior: se ser mãe de bandido ou de polícia.

Preciso de dias melhores. Quero dias de paz!

Carol Maia é jornalista e tem uma trajetória dedicada ao estudo do Comportamento da Mulher, com passagem de três anos pela revista digital Observatório Feminino, Idealizadora do Única – Empreendedora de Si Mesma, Palestrante, Coach, Voluntária da Aliança de Mães e Famílias Raras (AMAR) e mãe de Maria Vida.

 

 

 

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