Cultura

Onde está o público do #CinePE2014?

29 de abril de 2014

por Ana Karla Gomes

Imagem: Valter Andrade

Sim, o Cine PE é um dos festivais mais aclamados do mundo . Pergunto-me onde estão os frutos da terra numa hora dessas?

Tenho uma apreciação profunda pelo evento pernambucano, não apenas por ser local e ter nas veias a pulsação de produtora, mas por ter acompanhado de perto a sua consolidação no cenário cinematográfico nacional, vibrado com cada notícia publicada sobre sua programação em mídias estrangeiras, – lá no comecinho, identificado que ele é ponto determinante na boa impressão que o nosso Cinema causa, ao mostrar para o Brasil projetos autorais de consistência, mas, principalmente, por ter amenizado a supremacia das produções concentradas entre Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Por outro lado, manter-se vivo durante 18 anos não é tarefa sem riscos. O Cine PE atingiu a maioridade e, como acontece em todo processo de amadurecimento, vieram as mudanças. Só que é preciso inovar sem perder a essência. Esta edição vem com um volume grande de novidades estruturais: a divisão das mostras competitivas e a presença de obras internacionais são, sem dúvida, as que chamam mais atenção.

Inédito: até o terceiro dia do evento houve sobra de poltronas nas exibições do Cine PE 2014

Não percebo muita lógica na segmentação das premiações (ficção x documentário) se o movimento da indústria é inverso e, cada vez mais, percebe-se a necessidade no investimento da fusão de linguagens entre obras e gêneros. A internacionalização do festival, por sua vez, além de ser tendência, resolve uma conta que tem sido difícil de fechar: a disponibilidade de filmes brasileiros. Porém, acredito que essa alternativa não seja muito positiva para o formato de um festival que tem características tão regionais quanto o Cine PE.

A seleção de exibições diária também deixou a desejar.  Dois longas-metragens após o intervalo, a exemplo do segundo dia de festival, não foi uma solução apropriada. Após a sessão do filme “Getúlio” era possível contar os presentes que ficaram para assistir ao longa-metragem lusitano “1960”.

É difícil afirmar se as reestruturações mencionadas acima foram realmente o motivo do afastamento do público. Pois há também as limitações de captação de patrocínio, bem justificáveis em períodos pré-Copa (o que seguramente atrapalhou as vias de organização do evento), mas senti falta mesmo de energia, da casa cheia e de esbarrar nos nossos talentos pelo hall do CECON-PE (Centro de Convenções de Pernambuco).

* Ontem (28.04) foram exibidos o curta-metragem Tubarão, do pernambucano Leo Tabosa, e os longas E Agora? Lembra-me, do português Joaquim Pinto, e Corbiniano do também pernambucano Cezar Maia.

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