Cultura

Sob vaias, filhos de Eduardo Campos sobem ao palco do Cine PE e rebatem: “A cultura pernambucana deve estar acima de qualquer indisposição ou intriga”

4 de maio de 2015

por Talita Corrêa

Família do ex-governador Eduardo Campos no palco do Cine PE 2015

Família do ex-governador Eduardo Campos no palco do Cine PE 2015

 

Era para ser apenas o segundo dia de exibições do Cine PE 2015. Público lotando o simbólico cinema São Luiz, em Recife; familiares de Ariano Suassuna recebendo justa homenagem no palco; a mostra competitiva de curtas-metragens pernambucanos brilhando com o “Xirê”, de Marcelo Pinheiro, e a bela animação” Salu e o Cavalo Marinho”, de Cecília da Fonte; a mostra Curta Brasil trazendo o despretensioso “Alegria”, de Hsu Chien Hchin, e a mostra de longas emocionando com “O Vendedor de Passados”, dirigido por Lula Buarque e devidamente apresentado à plateia pelo ator Lázaro Ramos.

Mas no meio do caminho tinha uma homenagem ao ex-governador  Eduardo Campos. Tinha uma homenagem ao ex-governador  Eduardo Campos no meio do caminho.

Para queimar o filme deste domingo, 03, parte mal educada do público presente no festival audiovisual achou conveniente vaiar Renata Campos, viúva de Eduardo – morto em agosto de 2014 em um acidente aéreo -, e seus filhos, Maria Eduarda, João, Pedro, José e Miguel, quando a família subiu ao palco, convidada pela jornalista Graça Araújo. A solenidade da noite tinha motivo. Um vídeo, apresentado poucos minutos antes, relembrou que, em agosto de 2011, o São Luiz foi comprado pelo governo do Estado, que já o administrava desde 2009 (por meio de aluguel). A lembrança defendia, em outras palavras, que, se não fosse essa operação, conduzida pelo então governador Eduardo Campos e pelo ex-secretário Tadeu Alencar, o cinema provavelmente já teria sido fechado.

Controvérsias à parte,  nem todo mundo aceitou o gancho trazido pela 19ª edição do evento. Em vez de colocar sua viola de deselegância no saco, um bocado de “jovens eduardocampospolitizados” resolveu esbravejar que ali não era lugar de se fazer política. Entre tentativas de puxar coros como “Ih, Fora” e “Chamem o Paulo Câmara”, esse pedaço insatisfeito de plateia pediu que os filmes voltassem a ser exibidos, ensaiou mais duas ou três agressões e ironias contra os Campos e só se calou quando Graça Araújo interveio: “Eu peço que vocês tenham respeito pela figura de Eduardo Campos e lembrem que aqui estamos falando de uma pessoa, que foi pai, filho, marido”.

Com o microfone em mãos, João – filho mais velho de Eduardo, que de certa forma já ensaia seus próprios no cenário político – manteve o tom apaziguador, agradecendo aos organizadores do festival pelo reconhecimento do seu pai como parceiro efetivo na manutenção e promoção da cultura do Estado.

Ficou à cargo de Pedro, segundo filho do ex-governador, a missão de responder diretamente aos indignados de plantão: “A pedido de um professor da faculdade, vi uma vez a um filme que tecia profundas críticas ao posicionamento político do meu pai. E isso faz parte. Me ensinou duas coisas. A primeira é que a cultura pernambucana deve estar acima de qualquer indisposição ou intriga. E a segunda é que, para ser um grande líder, como foi meu pai, é preciso estar disposto a conviver com aplausos e vaias, elogios e críticas”.

Nossa vergonha mandou lembranças. Porque vale acrescentar: acima da intriga política e antes da cultura popular, vem a educação de casa, a capacidade de discernimento e de criticidade, e o respeito ao outro, ainda que o outro esteja do lado de lá da opinião.

Essa autoafirmação inútil, agressividade fora de hora e provocação vazia que vem, há tempos, ocupando as trincheiras das redes sociais, poderia, hoje, ter ficado do lado de fora da sessão.

 

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Imagens: Observatório Feminino

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