Comportamento Social

Da hipocrisia ao abuso: um circo a céu aberto

23 de outubro de 2017

por Observadora

Há uns dias doeu ligar a TV e conhecer mais dois casos de assédio. Porque dói saber que esses são apenas dois dentre uma quantidade incontável de casos que não incorporam as estatísticas. Está doendo até agora. Na verdade, a dor cresce com o recorte: foi ali, no ir e no vir, em pleno transporte coletivo, que mais duas de nós, à luz do dia, tiveram corpo e alma violentados na avenida de maior vida ativa de São Paulo.

Dói e é F#%@. E pode continuar sendo F#%@, sabe porquê? Tem muita gente que AINDA pensa que trabalhar com protagonismo da mulher, empoderamento feminino ou seja lá o que você preferir chamar, é um espécie de reforço da segregação entre gêneros. Tem muita gente que pensa que está tudo muito equilibrado e o respeito ao feminino tornou-se uma realidade com as conquistas do gênero, com a presença cada vez maior das mulheres em centros acadêmicos e em altas posições no mercado. Mas falta muito… Um bocado de coisa, pra gente sentir o sabor de um mundo confortável e proporcional para todos.

As duas mulheres que cito acima já estão nas estatísticas e certamente sentiram que entre o discurso social e a prática há um abismo imenso quando o assunto é respeito. Afinal, uma ‘multinha’ paga o abuso, correto?

De ‘mi-mi-mi’ e de hipocrisia, eu tô cheia. Revoltada é pouco com esse circo à céu aberto. Saco zero pra gemido e dizeres pornográficos de homem quando eu ou qualquer outra mulher passa. Um maluco não perdoou nem a minha gravidez… Outro, há pouco, ignorou a presença da minha filha e tome a falar porcaria, às 10hs, no parque, diante de tantas outras crianças. Tá demais. Tá pau. Tá feio.

Trabalho por um universo feminino mais protagonista e feliz porque ainda é necessário…E os homens fazem totalmente parte desse processo. A jornada é conjunta. Ao término de cada palestra, o feedback, os bastidores revelam o que insiste em ficar por trás das cortinas… Empoderamento, respeito, bem-estar é o que todas querem, é o que muitas dizem que têm, mas poucas vivem de fato.

Enquanto ouvir e conhecer casos como esses da Av. Paulista, eu não vou parar. Vou afiar ainda mais o discurso. Afinal, protagonismo chama respeito. Respeito é bem-estar onde quer que se esteja. Né isso?!

Carol Maia é jornalista e tem uma trajetória dedicada ao estudo do Comportamento da Mulher, com passagem de três anos pela revista digital Observatório Feminino, Idealizadora do Única – Empreendedora de Si Mesma, Palestrante, Coach, Voluntária da Aliança de Mães e Famílias Raras (AMAR) e mãe de Maria Vida.

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