Estilo

Dior: publicação rememora a estética “new look”, que revolucionou a moda no fim dos anos 1940

14 de outubro de 2015

por Estevão Soares

Falar sobre a história da moda é sempre muito gratificante. Eu, particularmente, gosto muito e procuro constantemente me atualizar, pois esta é uma forma de entendermos o “porquê” dos acontecimentos atuais no mundo. A moda é um prato cheio para curiosos, repleta de histórias e criações. Um marco que podemos destacar é a criação de uma das estéticas mais importantes da indumentária mundial no século 20: o New Look por Christian Dior.

Dior 2

Monsieur Dior era um apaixonado por décadas passadas, principalmente, pelos idos de 1860 até a Belle Époque, ou seja, um momento onde as roupas eram ricas em detalhes, que valorizavam o feminino no vestir-se, com cinturas apertadíssimas e muito marcadas. E foi dessa fonte que o estilista Dior bebeu para originar o seu new look, composto por cintura bem marcada, busto natural e saias rodadas com metros e mais metros de tecido. Era como um grito de liberdade que as mulheres poderiam dar depois do tenebroso período em função da Guerra, onde a ostentação de formas (ombros eram mais arredondados e curvas femininas bem destacadas) e tecidos – somente no casaco foram usados 3.70 metros de seda shantung e, na saia, 7,50 metros – contrapunham por completo os tempos de escassez ainda vividos no pós-Guerra.

Dior 4

Governos foram contra a ideia de Dior julgando excessivo – o que de fato era – o uso de 10 a 25 metros de tecidos por roupa, numa época de escassez. Mesmo assim, o new look dominou e tomou conta da cena nos anos 1950. As mulheres estavam cansadas de tanta desgraça que, automaticamente, refletiam nas suas roupas e queriam mais era saber de beleza e riqueza e mantiveram o new look por dez anos no topo de suas preferências.

Sem dúvidas, a moda implantada por Dior foi um divisor de águas, porém não podemos deixar de destacar que era algo que impossibilitava que a mulher, por exemplo, tivesse uma atuação no campo de trabalho, pois não eram roupas práticas. A mulher idealizada por ele podemos dizer que seria uma “dondoca”. Sua moda exigia uma inércia feminina, afinal, as roupas tinham corsets, barbatanas, estofamento extra sobre os quadris e bustos, sapatos altos nada práticos e chapéus. Era extremamente ditatorial, já que as saias amplas tinham que ser obrigatoriamente 40 cm acima do chão, ficasse aquilo bom ou não para a mulher de acordo com o seu biotipo, ela tinha que usar para, de certo modo, se sentir “inserida” na sociedade atual.

Dior 3

Pois bem, isso que relatei acima pode ser conferido em fotografias que celebram a icônica estética tema deste post. Nomeada “Dior New Looks”, a publicação, que será lançada dia 19.10, é uma iniciativa da grife francesa que busca trazer uma retrospectiva dos trabalhos da marca em parceria com grandes fotógrafos, como Helmut Newton, Cecil Beaton , Gilles Bensimon, Patrick Demarchelier, entre outros. Quem assina a obra são Jerome Gautier e Thames & Hudson. Juntos, eles reúnem imagens da famosa ‘boutique’ na Avenue Montaigne, junto a bastidores dos ateliês de alta costura comandados por Dior – que faleceu ainda na década de 50 – e seus sucessores. Vale a pena separar um lugar para ele na sua biblioteca.

Dior livrp

Imagens: Reprodução

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