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Silicone: tire suas dúvidas

24 de janeiro de 2013

por Ana Karla Gomes

Imagem: Pinterest

O cirurgião plástico Thiago Belfort está de volta à Bem Estar para esclarecer as dúvidas mais comuns da Mastoplastia Estética de Aumento, o famoso implante da prótese de silicone. Confira a entrevista e fique por dentro de assunto!

OF – Quais os tipos de prótese mais indicados para o implante da mama?

TB – Cada fabricante de silicone quer vender o seu produto como o mais bonito e natural. Há no mercado os seguintes formatos: redondo, em gota, cônico e muitas variações desses tipos. Como o implante de mama é uma cirurgia que tem um resultado muito bom geralmente, fica difícil saber qual é o formato mais bonito, até porque beleza é algo subjetivo. Observei em um congresso, que a grande maioria dos cirurgiões plásticos do Brasil utiliza o formato redondo, por ser mais versátil e se adequar a quase todos o tipos de mamas. Em casos extremos, como a paciente ter o tórax muito largo ou muito estreito, ou um formato atípico de mamas, é que um determinado tipo de silicone pode fazer a diferença, e isso o cirurgião avalia no pré-operatório.

Outra dúvida comum é sobre o local que se coloca a prótese, se abaixo ou acima do músculo. Não há consenso entre os cirurgiões e cada um apresenta vantagens e desvantagens. Normalmente o cirurgião se familiariza com uma dessas técnicas e acaba utilizando o mesmo método sempre em suas pacientes. Quando a paciente é muito magrinha e não tem nada ou muito pouco de mama, prefere-se colocar abaixo do músculo para não ficar artificial, com um aspecto de “bola”.

OF – E para amamentar, há algum tipo de problema?

TB – O silicone não é pra interferir na qualidade, na produção, nem na quantidade do leite. Mas a preocupacão em preservar a glândula mamária existe, tanto pela paciente, quanto pelo cirurgião. Há mulheres que nunca iriam amamentar na vida, independente do silicone, mas definitivamente essa é uma culpa que não pode ser atribuída ao silicone. Não dá para se afirmar se é  uma questão genética ou patológica. Após a gestação, a mama pode atrofiar ou ter uma flacidez, mas é normal se aproveitar a prótese para um novo procedimento. É comum suspender a mama mantendo o silicone. Os fabricantes de hoje dão garantia eterna. Antigamente, as próteses tinham uma característica diferente, rompiam com mais facilidade por alguma falha. Mais de 50% dos implantes detinham casos de ruptura. Mas se isso acontecer, não é uma catástrofe, basta trocá-las. A marca providencia outro. Mas a paciente pode ficar despreocupada, o implante de silicone não deve mudar nada nas avaliações de rotina, nem aumentar ou diminuir a frequência no mastologista, vários estudos já estabeleceram esse padrão.

OF – É comum entre as mulheres fazer o implante de silicone e a lipoaspiração no mesmo procedimento cirúrgico. Quanto mais tempo o paciente fica exposto no centro cirúrgico, mas risco de ter problemas. Qual o prazo máximo para se realizar essas duas cirurgias ao mesmo tempo?

TB –   É uma pedida muito grande a paciente querer resolver todos os seus desejos em uma cirurgia só, o que é ótimo pela praticidade. O ideal é não fazer associações de grandes cirurgias para não prolongar muito o tempo cirúrgico. Quanto maior tempo se passar na sala de cirurgia, maior risco a paciente terá, porque maior será a exposição. E aí o cirugião deve ponderar algumas questões, se a paciente tiver mais de 40 anos, ganha um ponto a mais de risco, se é obesa, se fuma, tem risco familiar, até o tipo de anestesia vai influenciar nessa questão. Uma programação de mais de seis horas de cirurgia não é recomendável, pois também acaba  havendo uma perda na qualidade do procedimento. O cirurgião não pode passar o dia querendo dar “aquele” ponto bonito porque o cansaço bate e a cirurgia tem que acabar. Quando o horário se excede, o cirurgião termina fazendo uma lipoaspiração em menor quantidade, e o resultado será, sem dúvida, inferior ao efeito esperado. Mas a associação das cirurgias de lipoaspiração com a do implante de silicone pode ser realizada em quase todas as pacientes, pois geralmente leva menos de 04 horas para ser realizada.

OF – E as pacientes fumantes, precisam realmente parar de fumar algum tempo antes da cirurgia?

TB – Esta é uma pergunta frequente entre as pacientes. Claro que todos já sabem que o cigarro é muito prejudicial, por isso é recomendável, sim, que a paciente dê uma parada no fumo, 30 a 40 dias antes da cirurgia. O cigarro aumenta o risco de trombose, assim como o risco de infecção na cirurgia e má cicatrização. Parece óbvia essa recomendação, mas algumas pacientes não têm esse entendimento, chegando até a omitir essa informação para se operar sem interromper o vício.

OF – Tem que parar o anticoncepcional para a cirurgia?

TB – O anticoncepcional oral hoje em dia tem uma dosagem muito baixa, entao você pode até deixar a paciente continuar o uso, se for uma cirurgia pequena, e claro, se nao tiver nenhum fator de risco adicional. Mas o ideal é suspendar pelo menos 20 dias antes da cirurgia para que a paciente não esteja mais sob o efeito hormonal que acarreta um maior risco de trombose. O injetável, por ser uma dose maior, é recomendável suspender mesmo.

OF – São utilizados curativos?

TB – Sim, um curativo simples que pode ser feito e trocado pela própria paciente conforme orientação do seu médico. Utiliza-se um sutiã pós-cirúrgico sem costura para dar mais conforto. A paciente deverá usar este sutiã de 20 a 40 dias, até ela achar que consegue usar o sutiã convencional sem incômodos.

OF – É normal haver rejeição da prótese de silicone?

TB – É uma situação que pode acontecer, sim,  porém, é cada vez mais raro hoje em dia, devido a melhoria dos silicones. Mas se isso ocorrer, a paciente não deve entrar em desespero porque existe tanto tratamento clínico, quanto cirúrgico. Se for o caso, a prótese deve ser retirada e o cirurgião deve propor alguma mudança no procedimento prévio para se corrigir. Mas esse tipo de caso é mais frequente nos primeiros meses. Quanto mais tempo passa, mais improvável de acontecer.

OF – O pós-operatório desta cirurgia é doloroso?

TB – Geralmente não. Este pós operatório é bastante confortável, desde que você obedeça as instruções médicas, principalmente no que tange à movimentação dos braços, nos primeiros dias. Eventualmente poderá ocorrer manifestação dolorosa, que facilmente cederá com analgésicos receitados pelo seu médico. Evite a auto-medicação.

OF – A retirada dos pontos incomoda? E a questão da cicatrização?

TB – Muitos cirurgiões plásticos utilizam uma sutura interna, sem necessidade de pontos para serem retirados. Quando há pontos, sua retirada é totalmente indolor. As pacientes ficam muito ansiosas em querer passar alguma pomada para acelerar a cicatrização e para clarear a cicatriz. É preciso entender que existem fases no processo de cicatrização, e isso dura pelo menos um ano. A partir do primeiro mês, a cicatriz começa a ficar mais vermelha e o médico só vai intervir se ele perceber alguma anormalidade. Com um ano a cicatriz começa naturalmente a clarear e ficar mais imperceptível.

OF – Quando a paciente pode tomar banho completo?

TB – Dependendo do caso, até no dia seguinte à cirurgia. Tudo irá depender da evolução da cirurgia, assim como o tipo de curativos, observando-se apenas os cuidados especiais que serão ensinados pelo médico.

OF – Qual a evolução pós-operatória?
TB – Você não deve esquecer  que, até que se atinja o resultado almejado, as mamas passarão por diversas fases. Se lhe ocorrer a preocupação no sentido de desejar atingir o resultado definitivo antes de previsto, não faça isto motivo de sofrimento, tenha a devida paciência, pois seu organismo se encarregará espontaneamente de dissipar todos os transtornos imediatos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Thiago Belfort,

Cirurgião Plástico.

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