Noivas

Menina, corre pra pegar o buquê! #noivaOF

29 de julho de 2015

por Talita Corrêa

– Tô bem aqui, obrigada.

Se tem uma coisa que me irrita em festa de casamento é tia chata obrigando a gente a desencalhar. Porque o momento do “sim” é importante, a troca de alianças é importante, o brinde e a valsa são importantes, mas nada se compara à importância que dão à hora do buquê. Madrinhas, amigas, primas, tias e desconhecidas pintam o rosto numa verdadeira estratégia de guerra. Tiram os sapatos, alongam os braços e começam a se concentrar.

Você, que ainda não casou, é coagida a se alistar. E, naquela horinha ridícula, começa a dizer ao mundo que cair no chão, levar 13 cotoveladas e dois chutes não é nada perto da sua vontade de ser esposa.

Rufam os tambores. Enquanto as mulheres se empurram para agarrar a braçada de esperança da noiva, os homens se escalam para alcançar uma garrafa de uísque que simboliza a eternização da solteirice. E todo mundo acha graça. Porque, afinal, né? Casamento é uma praga que só a mulher deseja e merece segurar.

Dizem que é nessa hora que o kit toilet, cheio de curativos e outros itens de primeiros socorros, começa a faltar.

Foi num banheiro de casamento, aliás, que eu ouvi a história de duas primas que brigaram por conta dessas tradições de casamento. A primeira, 37 anos, solteira, não foi citada nas anotações da barra do vestido da segunda, 29 anos, noiva de igreja e tudo.

Um de véu insensibilidade sem tamanho.  Quem não sabe que casar tem que ser o principal objetivo da vida de uma moça? Que arranjar um marido é uma dádiva divina que justifica o apego a todos os santos e superstições? Que uma mulher adulta e solteira é o retrato de uma pessoa frustrada?

ZzzzzZZzzzzz…

Então. Ajuda aí a colega a não ficar pra tia, pelo amor de Deus. A fisgar um rapaz que queira ter filhos, a garantir um homem pra ter em casa. Porque, afinal, né? Casamento e profissão são dois focos muito parecidos na vida dos vinte e poucos anos: você precisa deles. Logo. Ainda que não seja o ideal. Ainda que troque depois, ainda que não te realize. Você não pode ficar parada na fila do pão.

Se a metáfora ainda não ficou clara, saiba que procurar casamento é como bater perna em shopping no domingo à tarde. Tem dias que você sai de casa determinada a encontrar um vestido e voltar para casa com qualquer coisa que você possa pagar. Tem dias que você sai para observar. Se encontrar uma coisa bacana, ótimo. Se não encontrar, você vai continuar vivendo bem com o guarda-roupas que tem em casa. Entendeu? Sua tia chata acha que marido é como o vestido-tem-que-achar em shopping sem promoção.

É ela que grita “Menina, corre pra pegar o buquê!”, pra todo mundo prestar atenção. Se você continuar sentada, ela vai dizer que é por isso que você não tem nem um namorado. Se você encher a boca de docinhos para evitar uma resposta, ela vai lembrar que homem não gosta de mulher gorda. Se você der ouvidos, ela vai começar a fazer cálculos sobre a sua atual idade e a validade dos seus óvulos. Mas, se você se levantar e resolver pegar o buquê, se prepare para decepcionar a família na volta da guerra e da derrota, a arrebentar uma alça do seu vestido alugado, ou a posar, vitoriosa, para uma foto pro Insta: “Peguei o buquê, tia”.

Porque é assim. Somos sobrinhas de uma sociedade velha, sozinha e mal-amada.

serie noivas buque

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Imagens: reprodução

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