Observatório Feminino

Carolina Ferraz recebe troféu do OF em Recife: ‘O tempo foi generoso comigo’

16 de março de 2016

por Talita Corrêa

Carolina Ferraz em premiação no Recife, em Pernambuco (Foto: Marcelo Ferreira/ Divulgação)

Nesta terça-feira, 15, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, em Recife, o Observatório Feminino promoveu a terceira edição do Troféu Mulher Observadora, que nos outros anos homenageou a jornalista Claudia Matarazzo e a atriz Cassia Kis Magro.

Desta vez, a premiada da festa foi a atriz e apresentadora Carolina Ferraz, mãe pela segunda vez aos 46 anos e considerada uma das mulheres mais bonitas da TV.

No evento, Carolina, que voltará às novelas no elenco de “Haja coração”, próxima trama das sete na Globo, bateu um papo com editora chefe do OF, Ana Karla Gomes, e falou sobre temas como maternidade, carreira e vaidade.  A escolha da Mulher Observadora 2016 não poderia ter sido outra. Simpática, transparente e de riso solto, Carolina permitiu que a noite se parecesse com ela: cheia de charme e de beleza.

Em fase de finalização do filme “A Glória e a Graça”, no qual interpreta uma travesti, a atriz comentou, entre outros assuntos, sobre as oportunidades e papeis que a maturidade trouxe.

“Quando pensei nesse personagem, eu decidi que queria fazer um ser humano. Uma pessoa. Sem trejeitos e exageros. Sei que, por isso, vão gostar do meu trabalho ou vão acabar comigo, e eu estou sempre esperando o pior. Nunca nada foi fácil pra mim. A gente não tem mesmo uma cultura de ser generosos e de elogiar os outros. Gente como a Cássia Kis é uma exceção. Ela é muito louca. Capaz de passar três anos sem falar comigo e de repente me mandar um telegrama pra me dizer que amou uma cena que fiz. Eu estou conseguindo e estou procurando ser mais generosa. Estou mais velha, acabei de ser mãe. Tenho procurado isso pra mim”.

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Para conversar sobre a idade – 47 anos recém completados – Carolina usou o bom humor:

“Eu não vou ficar a vida inteira broto. Mas sei que sou considerada uma mulher que envelheceu direitinho. Como atriz, ou você vira protagonista antes dos 30 ou depois dos 50. Eu pude experimentar isso quando era nova. Mas acho que os melhores papeis da minha carreira me esperam agora. Eu não estou mais presa a esse estigma de mulher jovem. Nunca haviam me dado um personagem com filho, exceto em “Avenida Brasil”, quando fui mãe de uma menina de 11 anos. Mas na vida real eu tenho uma filha adulta”, pontua Carolina, que em “Haja Coração” será mãe da personagem de Cleo Pires:

“Efetivamente, eu não poderia ser mãe da Cleo. A não ser que engravidasse aos 16 anos. Mas eu prefiro fazer esse papel, o papel de mãe de uma mulher adulta. O tempo tem sido generoso comigo. Deus foi generoso comigo e eu não sou mal agradecida. Eu me cuido, eu como direitinho. Eu faço ginástica, cuido da pele, sou mulherzinha mesmo. Mas não sou freak. Não sou ligth. Quem vê o programa (Receitas da Carolina, no GNT) sabe. Eu não gosto de doce. E eu não bebia até os 37. Comecei a beber há dez anos. Parei de fumar há anos. Isso tudo deve ter ajudado, né? A verdade é que hoje faço o exercício de bom humor.  Mas nada é como era antes Eu rio o dia inteiro. Mas nunca pus preenchimento. Podia estar cheia de ruga. Era para ser uma uva passa pelo tamanho da minha boca. Mas eu também tenho sorte. Vejo cada menininha novinha cheia de coisas na cara. Mas eu não posso mexer no rosto e ficar sem expressão. Eu não tenho a habilidade da Glória Pires para dizer tudo com o olhar. Eu mexo, eu rio, sou bem ‘italianona’ “.

A boa relação com a idade é tão verdadeira e bem resolvida que Carolina decidiu travar uma verdadeira batalha para ser novamente mãe depois dos 40:

“Eu já fiz parto normal e cesariana. Dei à luz com 25 anos a primeira vez  e foi ótimo. Falo isso para qualquer grávida: ‘Se tiver na dúvida, vai pro parto normal, pra matar no peito’. Cesárea eu achei a pior coisa do planeta. Saí da sala de parto e eu estava grávida ainda. Dizendo ‘Gente, não sei o que aconteceu, mas tá tudo errado’. Eu bem gostaria de ter tido parto normal na segunda vez,  mas não pude, tentei e não consegui. Vivi as as duas coisas. Em todos os aspectos é pior a cesárea. É bom que se fale desses lados da maternidade. Eu tomei muito hormônio dessa vez. Fiz um tratamento barra pesada. Quando você casa com um cara que não teve filhos, você tem que embarcar nessa e se colocar no lugar dele.  Então eu engravidei e perdi. Aí decidi ‘Vamos usar a tecnologia ao nosso favor’.  Fui viajar, depois comecei o tratamento que estimula a ovulação. E posso dizer que tive depressão quando eu engravidei. Eu fiquei numa agressividade… Eu estava insuportável, ligava pro médico e chorava dizendo ‘eu tô mal. Eu era uma pessoa feliz’. O dia em que eu parei de tomar hormônio, tudo voltou ao normal. Tentamos engravidar de gêmeos mas não conseguimos. Não queria outra filha criada como filho único. Agora já foi… Não vai mais acontecer. Eu já sou meio uma mãe avó. Tenho uma permissividade com a Isabel que eu não tive com a Valentina. Mas foi a melhor coisa engravidar de novo. Alegria mais profunda. É uma delícia ter uma bebê em casa a essa altura. Fofa, sorridente, bonitinha e gorda. Tudo bom”.

Apesar do clima descontraído da noite, a crise política não ficou de fora da conversa:
“Esperança a gente não pode perder nunca nesse país. Eu tenho esperança e acredito na energia positiva das pessoas. Mas é como aquela frase do Tom Jobim: ‘Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom’. Corrupção existe em qualquer país do mundo. Só que em outros você tem medo de ser preso, de ser pego. O maior problema daqui é a cultura da impunidade. Eu fui vítima disso. Meu pai foi assassinado e o assassino vive solto por aí”.
Depois do papo e da entrega do troféu, o Observatório aproveitou para lançar, na própria Livraria, a segunda edição da revista OF, que conta com uma matéria de capa sobre o perfil das mulheres no congresso brasileiro. A revista é uma homenagem carinhosa as nossas observadoras, tanto quanto o troféu é um homenagem mais que grata e honrosa a Carolina.Sua passagem por Recife – que incluiu estadia no cinco estrelas Sheraton Reserva do Paiva e um jantar com amigos no restaurante Pobre Juan – foi rápida, mas suficiente para garantir um troféu memorável. Ano que vem tem mais.

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Ana Karla Gomes, Carolina Ferraz e Rose Blanc

 

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Imagens: Marcelo Ferreira

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