Bem Estar

Ninguém mata por amor: dez coisas que precisam ser explicadas sobre o ciúme patológico

2 de fevereiro de 2016

por Observadora

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ciume

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Pego o jornal e vejo mais uma matéria sobre ciúmes extremos: marido mata mulher a facadas porque a encontrou conversando com outro homem. Que mundo é esse, cheio de loucos, de pessoas que justificam suas paranoias com o nome de ciúme? Por que amam?

Que amor é esse? Tirar a vida de alguém por motivos tão banais? E mesmo que se tratasse de traição, deveria deixá-la seguir seu rumo e não matá-la com tanta crueldade.

O que está havendo com as pessoas que insanamente matam por ciúmes? Será que esse instinto selvagem não encobre uma loucura anunciada? Cenas assim não são raras, muito pelo contrário, somos bombardeados diariamente por casos de sociopatas, de pessoas altamente ciumentas que não conseguem admitir uma rejeição, uma traição (que nem sempre ocorre, é mais fruto da imaginação), e preferem dar fim à vida de quem ama para não vê-la com outro.

Ciúme exagerado é desagregador, destrói a harmonia de um casal. Por mais amor que exista entre eles, desgasta a relação. O ciumento doentio vive sempre a “neura” de perder quem ama, de ser trocado por outro, de ser traído. Ele cria situações inexistentes, fugindo do controle e tornando insuportável a vida a dois. São traços de uma personalidade descontrolada que pode terminar em fatalidade, como quase sempre acontece. Ele é dominado por uma imaginação obsessiva de que a qualquer momento irá perder quem ama, destruindo com isso, toda a tranquilidade da sua alma. Inebriado de ciúme, maltrata, agride e mata, perdendo todos os seus parâmetros racionais e morais, abandonando a sensatez e se tornando um fantoche desse sentimento avassalador em que se sente dono do outro.

Amar não é isso. Amar não é proibir o outro de viver, de ter seus próprios interesses. Amar não é querer ter ao seu lado a todo custo quem já não se sente feliz ao seu lado. Amar não é querer ter, mesmo em circunstâncias de violência e medo, quem não deseja mais estar com você. Por amor não se mata, se vive.

Esse ciúme devastador assusta, tira a percepção da pessoa do que é certo e errado, ficando a mercê das suas emoções descontroladas. Mas não me venha dizer que matou por amor! Isso é consequência de uma obsessão descontrolada e profundamente doentia. Ninguém normal age assim, sufocando, maltratando, aprisionando e até matando seu parceiro.

Isso é um desequilíbrio emocional grave e a razão de 20% dos homicídios no Brasil, segundo pesquisa divulgada recentemente pelo jornal A Tribuna. A insegurança, o medo de perder quem ama leva ao estopim de um crime passional. Depois do rompante de violência, na maioria das vezes, se arrepende do que fez, mas aí já é tarde demais.

Em média, de cada dez crimes passionais noticiados, sete são protagonizados por homens. Ou seja, há no meio de toda essa história perversa muitas doses de machismo, de desequilíbrio mental, de problemas com autoestima e rejeição, de falta de habilidade para encarar o abandono e a fossa.

Segue, abaixo, dez explicações do médico psiquiatra Leonard F. Vera, presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose Clínica e Dinâmica, especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica, sobre o assunto. Vale a pena ler, tanto para se policiar quanto para entender e evitar o convívio com esse tipo de distúrbio nos relacionamentos.

 

Como diferenciar uma depressão de uma chamada “fossa”?

A depressão, ao contrário do que muitos acreditavam, não é um estado de espírito ou humor, mas sim uma doença que se manifesta de diversas maneiras, podendo levar o depressivo à morte. As doenças depressivas se agravam à medida que se estendem por períodos longos. Considerada doença psicossomática com sintomas físicos evidentes, a depressão é uma enfermidade causada por alterações químicas no cérebro, que afetam as emoções podendo também afetar a capacidade mental.

Já a chamada fossa é um baixo astral passageiro, que traz também a sensação de impotência e de desânimo frente a obstáculos que a vida nos impõe, mas que pode ser superada com diversão, vontade própria e algum esforço.

Qual a diferença entre ciúme e inveja?

Ciúme é o reflexo da insegurança que alguém vive em relação ao outro, manifestando a própria fragilidade. É um estado emocional ambivalente com manifestações de ódio e agressividade, às vezes muito violentas, para com o parceiro. Comporta uma sensação de frustração e de possessividade reprimida. A desvalorização de si mesmo e baixa estima são algumas das causas importantes do ciúme intenso.

A inveja é um desejo frustrado de algo que não se conseguiu alcançar por dificuldades em superar obstáculos, que para outros, aparentemente, são superáveis com mais facilidade. A inveja influencia os relacionamentos interpessoais marcando-os de forma negativa. É um sentimento mesquinho que faz com que o invejoso acredite que seu fracasso se deve ao sucesso dos outros.

Faz com que quem a sente esteja sempre preocupado com as conquistas das outras pessoas ou com alguém mais bonito, mais inteligente e acaba não percebendo as oportunidades que poderiam os fazer crescer e a realizar suas ambições. Não existe inveja saudável -é a principal causa dos fracassos das pessoas que a cultivam.

O psicopata é um individuo com desordens do comportamento, denunciando uma instabilidade emotiva, déficit no autocontrole, na autocrítica etc. Reagem a tudo, rapidamente, com sentimentos agressivos. São muito irritáveis e sensíveis a tudo que lhes coloque em situação de vergonha ou humilhação. Sentem prazer e satisfação na situação de dominância e, não raras vezes, estes comportamentos podem se cruzar.

Como indivíduos inteligentes e sociáveis se tornam monstros sociais ou predadores humanos, perdendo totalmente o discernimento do certo e do errado?


A história do desenvolvimento destes indivíduos mostra condições desfavoráveis a uma evolução sadia e saudável. A personalidade psicopata mostra, às vezes de forma dissimulada, um defeito na integração com a sociedade.

Qual é a anomalia na personalidade do sociopata ou psicopata?

Insensibilidade aos sentimentos alheios, desrespeito às normas, regras e obrigações sociais, baixa tolerância a frustração. Explode tempestivamente em atitudes agressivas e violentas, egocentrismo patológico, desprezo pelos outros. Ao reconhecer que seu comportamento não é aceito pela sociedade procura escondê-lo, mais jamais suprimi-lo. A maioria das pessoas, em contato com o sociopata, é incapaz de imaginar o seu lado “negro”, que alguns conseguem esconder com sucesso a maior parte da vida, através de uma vida dupla.

É mais comum o ciumento cometer suicídio ou homicídio?

Eu diria que é equivalente, apesar dos dados estatísticos não terem muitas informações sobre os motivos que levam alguém ao suicídio.

Crime passional é sempre por vingança?

Nunca diga nunca, nem sempre”. Considerando o que estamos analisando até agora, a causa dos crimes é sempre ligada a situações multifatoriais.

Ciúme tem cura? Como tratá-lo?

A ajuda psicoterapêutica individual ou de casal é indicada no caso de ciúme excessivo. O tratamento para esse sentimento é feito no sentido de melhorar a auto-estima do ciumento, resgatando seu amor próprio e autoconfiança.

Com a ajuda da hipnose atingimos as estruturas inconscientes, analógicas e irracionais ajudando o paciente a modificar e substituir símbolos e O deprimido sofre de ansiedade?


Sim, a sensação de insegurança em relação ao futuro faz parte da ansiedade e acompanha a depressão.

O depressivo ciumento pode se transformar num psicopata?

O ciúme doentio faz com que sua vítima se sinta cada vez mais encurralada com a falta de confiança do parceiro. Ela acaba se afastando, fazendo com que o deprimido ciumento se sinta impotente e mais inseguro, podendo passar a não responder mais pelos seus atos.

Valores negativos por outros positivos, sem precisar enfrentar os mecanismos de defesa conscientes, lógicos e racionais.

Como evitar ou conviver com o ciúme?

Com um tratamento psicológico adequado, o ciumento deve aprender a perder o medo de perder, ou seja, afastar a maléfica sensação de perda ou abandono, justamente para não perder o parceiro. Procurar ajuda, ter a humildade de reconhecer e assumir suas limitações de tratar com essas emoções negativas. Se o parceiro é ciumento, a terapia de casal pode ajudar ambos a superar os estragos causados pelos ciúmes e restabelecer a ordem emocional. Mas, o resultado final depende, obviamente de grande dose de paciência, boa vontade e amor.

Josilene Corrêa  é jornalista e já escreveu para o OF artigos como  Como dizia Shakespeare… “O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce”.

Imagens: Reprodução

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