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#SomosTodosParalímpicos: a campanha que está dando o que falar

24 de agosto de 2016

por Observadora

Foi publicada na manhã de hoje, às 7h29,  a matéria na Revista Vogue Brasil apresentando os embaixadores dos Jogos Paralímpicos do Rio posando “photoshipados”: Cléo Pires, com um dos braços amputados e Paulinho Vilhena com uma das pernas amputadas e em seu lugar uma prótese.

Eu, que além de publicitária sou um ser humano vi, revi, li, reli tentando entender com sinceridade se o real objetivo deste trabalho seria: chamar atenção para os Jogos Paralímpicos.

Vamos lá: na imagem acima, estão os verdadeiros paratletas Bruna Alexandre e Renato Leite. Vejam bem: não tem nada errado em Cléo Pires e Paulinho Vilhena serem embaixadores da causa. Mas torna-se de extremo MAU GOSTO usar duas personalidades famosas com o objetivo de chamar atenção para uma causa, deixando de lado os verdadeiros protagonistas dos Jogos! (Criatividade é bom e faz diferença não é mesmo? Cléo, foi fotografada num ensaio chamado “Super-humanos” da Vogue , em Setembro, posando com o paratleta Renato Leite, falando sobre a importância da visibilidade para os Jogos Paralímpicos ).

Vejam só a DIFERENÇA:

Algumas das razões pelas quais a Campanha #SomosTodosParalímpicos” é muito ruim:

Não chega perto da realidade ver dois atores com corpos “perfeitos”, sem um braço e uma perna (isso causa estranheza, e chama atenção para algo que destoa da verdadeira causa) e dá margem para nos perguntarmos: “Por que os verdadeiros paratletas não ilustram a campanha?”  e se a resposta para essa pergunta for: “Porque a ideia é usar influenciadores e chamar atenção” ela está bem ERRADA!
Gerar BUZZ a qualquer custo implica em algo que chega ser primário, o FOCO da ação perde sentido. O que mais se fala sobre o tema não tem a ver com o PROPÓSITO. E dependendo do que está sendo apresentado gera DESCONFORTO, INCÔMODO, REPULSA etc. (o que já está inclusive acontecendo pelas mídias sociais).
Qual o papel da publicidade? Gerar buzz, conhecimento sobre uma causa, ou APENAS impactar pessoas, a qualquer custo? Como publicitária me sinto na OBRIGAÇÃO de dizer: nesse mundo existe (infelizmente) de TUDO. No entanto, vivemos a “era dos hiperconectados”: todo mundo opina, todo mundo compartilha, todo mundo se posiciona contra ou a favor. E preconceito, mal-entendidos, ódio etc., etc., NÃO PASSARÃO ilesos.

Dá para chamar atenção de forma polêmica? SIM!!!! E dá para passar ileso, ganhando likes e compartilhamentos, pensando APENAS em números, buzz: NÃOOOOOO!

Para ilustrar quão desastroso se torna fazer campanhas que dão margem para interpretações inúmeras vamos relembrar uma outra campanha com “intenção” de chamar atenção para Deficientes Físicos:

Quem lembra? Dos outdoors e fanpage que passaram a circular mensagens como essa ilustrada aqui? O índice de REJEIÇÃO para essa ação foi gigantesco:

.

E se agravou quando o “Movimento pela Reforma de Direitos” deu continuidade à ideia “brilhante” de chamar atenção para a causa: Além das inúmeras manifestações NEGATIVAS estampadas nas mídias sociais, órgãos como CONAR e a Comissão de Acessibilidade da OAB repudiaram totalmente a campanha se pronunciando em seus portais e imprensa.

Ou seja: não dá mais para fazer PUBLICIDADE a qualquer custo.

E você: o que acha?

Tatti Maeda | Digital Marketing Consulting | Palestrante [ Social Media e Inovação Digital ], Content Marketing, Professora, #mãecomfilho apaixonada, sendo a mulher que desejo ser!

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