Bem Estar

Guillain-Barré: uma razão a mais para combater o Aedes Aegypti

29 de fevereiro de 2016

por Observadora

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saude publica

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Estamos enfrentando um caos na saúde pública e, isso, já não é novidade. Nossas emergências superlotadas, com corredores abarrotados de pacientes em macas e cadeiras esperando para serem atendidos. Um quadro triste demais para quem deseja alívio das dores que sente. É entre dengues, zikas e chikungunyas que surge mais uma doença para alarmar nossa população já tão sofrida. O nome é até pomposo: Síndrome de Guillain-Barrém.

Trata-se de uma doença que afeta os chamados nervos periféricos que conectam o cérebro com a medula espinhal, e pode causar a total paralisia do corpo. O sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano, levando-o à inflamação dos nervos e provocando fraqueza muscular.

E qual seria a relação dessa doença com as causadas pelo terrível mosquito Aedes Aegypti? O ministério da Saúde confirmou que a infecção pelo zika vírus pode provocar a Síndrome Guillain-Barré, baseado nas investigações de alguns casos que foram comprovados pela Universidade Federal de Pernambuco. Os pacientes que foram investigados pela UFPE apresentaram inicialmente os sintomas clássicos do zica vírus – marcas vermelhas no corpo, dores de cabeça e febre – e depois surgiram os sintomas agravantes.

Na forma clássica, a pessoa perde a sensibilidade das pernas e braços e tem paralisia facial. 30% têm insuficiência respiratória. Mas o espectro dessa síndrome é muito amplo, podendo se manifestar de várias maneiras: fraqueza muscular (que começa nas pernas, depois os braços, diafragma, e também os músculos da face da boca, prejudicando a fala e alimentação), formigamento, perda dos reflexos, dificuldade em controlar a urina e as fezes, paralisia do nervo óptico, sonolência excessiva, câimbra, movimentos desordenados, lesões na pele, visão turva, medo, ansiedade, dificuldade para mover os músculos do rosto, contrações musculares, palpitações, desmaios, vertigens, perda dos movimentos, dor nas costas, dor nos quadris e coxa, alteração na pressão sanguínea, dificuldade para respirar. (Havendo insuficiência respiratória, o paciente permanece na Unidade de Terapia Intensiva passando a respirar com a ajuda de aparelhos). Podem ocorrer distúrbios de deglutição que irão necessitar de acompanhamento de profissional de fonoaudiologia para avaliar a consistência dos alimentos que não irão oferecer risco de broncoaspiração.

Os sintomas mais graves podem evoluir rapidamente, assim, não vacile e procure imediatamente o hospital mais perto. Descreva detalhadamente tudo o que sente, pois isso ajudará o médico a identificar a doença e iniciar o tratamento adequado. Quanto mais informações forem passadas no atendimento inicial, melhor, pois se trata de uma doença grave que pode facilmente ser confundida com outras doenças neurológicas, já que os sintomas nem sempre acometem as pessoas da mesma forma.

A observação clínica é importante, mas existem alguns exames que podem ajudar na confirmação do problema. O toque nos joelhos pode identificar se há reflexos ou se eles diminuíram; punção lombar; eletrocardiograma; eletromiografia (que testa a atividade elétrica nos músculos); exame da velocidade de condução nervosa; exame da função pulmonar; ressonância magnética da coluna; e exame de sangue para avaliar leucócitos e eletromiografia.

A Síndrome Guillain-Barré, embora tenha se tornado mais conhecida agora, por conta da dengue e do zika vírus, pode ser adquirida também pelo vírus Influenza, vírus Epstein-Barr, HIV, pneumonia, gastroenterite, Citomegalovírus, cirurgia e linfoma de Hodgkin. Raramente ocorre através das vacinas da gripe e vacina infantil e, mais comumente, por uma infecção com a Campylobater, encontrada em aves mal cozidas.

Qualquer pessoa pode ser afetada por essa síndrome, mas as de maior risco são homens e pessoas idosas. Existem muitos tratamentos disponíveis, mas a recuperação pode durar de seis meses a um ano, embora em alguns casos possa durar bem mais do que isso. Não existe cura. A maioria sobrevive, mas os sintomas de fraqueza podem persistir por anos.

Não bastassem a crise econômica e os outros problemas do país nesse momento, ainda somos bombardeados por um mosquito que parece ficar cada dia mais poderoso. Deus tenha piedade de nós…

Observe mais: Zika: a décima praga de um Brasil sem faraós

Josilene Corrêa é jornalista é já escreveu para o OF textos como Automutilação entre jovens: precisamos falar sobre isso

Imagens: Reprodução

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