Variedades

A vida de Índia Morena: conheça uma das maiores artistas circenses de Pernambuco

30 de junho de 2015

por Observatório Feminino

Margarida Pereira Alcântara nasceu em 13 de julho de 1943. Desde os dez anos de idade, encantada pela magia do circo, deixou a mãe e os cinco irmãos, que moravam no bairro de Afogados, no Recife, e se integrou ao grupo do Itaquatiara Real Circo, onde adotou o nome artístico Índia Morena. “O circo é minha vida. Hoje, tenho como maior frustração não estar sentindo os meus pés no picadeiro”, contou a artista, que atualmente não exerce o trabalho artístico.

A menina que deixou a casa de sua família para buscar um sonho viveu a magia do circo em seu esplendor e hoje é considerada a maior contorcionista de Pernambuco. Aprendeu um pouco de tudo na arte circense e se apresentou em diversas companhias de circo. “Coliseu Argentino, New American Circus, Coliseu Mirim, Ben-Hur, Coliseu Romano, Copacabana e tantos outros”, detalha a artista que se recorda de cada um dos picadeiros por onde passou.

Ao deixar a casa para acompanhar o circo, Índia Morena não deixou de sofrer com a discriminação. “A vida no circo não era muito fácil. Apesar do empenho que havia em trazer a família para ver os espetáculos, as pessoas não olhavam com bons olhos quem vivia dessa arte. Hoje, as coisas mudaram muito por causa da televisão”, compara.

A vida não seria mesmo muito fácil para aquela que foi a primeira artista pernambucana a se apresentar em um circo, com roupas curtas e exibindo a barriga. “Minha inspiração foi a atriz Ninón Sevilla. Quando eu a vi no cinema, corri pra fazer uma roupa igual”, relembra Índia. “Tenho orgulho de tudo que vivi. Minha vida é no picadeiro. Não sei falar de mim sem falar do circo”, finaliza.

Aos 17 anos, Índia Morena casou com um trapezista, com quem dividiu as lonas por dez anos. Após a separação, conheceu Maviael Ribeiro de Barros, presidente da Associação dos Artistas de Pernambuco, com quem casou e teve dois filhos. Hoje, perto de completar 72 anos, 60 deles dedicados ao circo, e há 27 anos morando em Muribeca dos Guararapes,em Jaboatão, Índia Morena não faz mais apresentações com seu circo. A lona que antes exalava sorriso, agora dorme dobrada no quintal de sua casa.

PATRIMÔNIO VIVO – A primeira dama do circo pernambucano conta que tem um grande desejo. “Tenho muito material para criar um museu. São fotografias, documentos e roupas, que tenho pena em ver se perderem com a falta de espaço para armazenar”, confidenciou. Além do prêmio de Patrimônio Vivo do Estado, recebido em 2006, Índia Morena foi agraciada com o prêmio Mulher em Evidência de Jaboatão dos Guararapes, além de ter recebido o título de cidadã jaboatanense e diversas homenagens em cidades de todo o Estado.

Com uma memória de dar inveja, a artista detalha com riqueza de detalhes o início da carreira. “Eu ajudava minha mãe a catar crustáceos e gostava muito de cantar. Até que o Circo Democratas foi se apresentar onde a gente morava”, conta Índia. “Fui cantar a música ‘Coração materno’, de Vicente Celestino, num show de calouros, e as pessoas me vaiaram. Mas consegui me apresentar e ganhei o prêmio”, completa orgulhosa. Foi o início de sua paixão pelo mundo dos espetáculos.

Hoje, sem pestanejar, responde como que em uma facada certeira, atirada pelo mais hábil atirador de facas, que seu maior sonho é hastear novamente os mastros do Gran Londres Circo.

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Publicação via Jaboatão Acontece

 

Imagens: Marcelo Ferreira/PJG

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